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sábado, 14 de março de 2026

Breves colocações sobre as vocações docente e parental



@Mariana dos Santos  Siqueira Guatura

Fevereiro é o mês em que tudo volta ao "normal" no Brasil. As aulas retornam, comemora-se o Carnaval (e há quem diga que o ano só começa depois do Carnaval) e em março recebemos os nossos carnês do IPTU. O retorno ao ano letivo sempre me traz inúmeras reflexões sobre as expectativas em relação ao ano que se inicia. Algumas são excluídas, outras são criadas, mas uma que se mantém e nunca muda em meu coração é a reflexão sobre a atenção com o aluno que está chegando à minha sala de aula. Digo isso sob dois pontos de vista: o da professora e o da mãe.

Sob o olhar da professora, infelizmente é muito comum que eu receba alunos no Ensino Fundamental II que não sabem ler, não sabem escrever com letra cursiva (apenas com letra bastão), não conseguem organizar o próprio caderno, dentre muitas outras situações. Quando presencio tal situação, a primeira coisa que me vem à cabeça é: quais profissionais passaram pelo estudante durante todo o Ensino Infantil e o Ensino Fundamental I e onde está a família dessa criança que deve acompanhá-la? Digo isso porque quando se começa a se debater situações como as mencionadas, os primeiros que são responsabilizados pela ineficiência da educação são os professores, mas será que isso procede? 

Vejo tais situações da seguinte forma: cada um que passa pela vida de uma criança tem a sua parcela (de sucesso ou de culpa) no seu percurso formativo. Nesse viés, não isento a responsabilidade dos docentes que ensinaram aos seus alunos, mas também se deve refletir sobre as responsabilidades de toda a escola, do poder público (quando se analisam escolas da rede municipal ou estadual) e também (e não menos importante) do acompanhamento familiar. Tais considerações me levam ao meu ponto de vista de uma mãe que acompanha a rotina de seu filho dentro e fora da escola.

 Além de professora há quase 15 anos, sou mãe uma criança de 5 anos que começou a estudar em período integral próximo aos dois anos. Como filhos nascidos no período pandêmico (e ele nasceu no auge da pandemia), percebi que o meu filho possuía muita dificuldade no desenvolvimento de sua fala (este foi o fator que mais me chamou a atenção no início) e ao conversar com a escola em que ele estudou inicialmente, fui orientada a aguardar, pois cada criança tem o seu tempo.

 Quando o meu filho tinha 3 anos, a Coordenação Pedagógica me chamou e me orientou que o meu filho fosse atendido por uma fonoaudióloga. E assim eu fiz. Para evitar expor o detalhamento de todo o percurso que a minha família trilhou, destaco que o encaminhamento para o atendimento com a fonoaudióloga foi o início de uma investigação que culminou no diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e de Hiperatividade – TDAH.Meu filho tem hoje 5 anos e foi diagnosticado aos 4. Atualmente ele faz todo o acompanhamento indicado pela sua médica e atividades extracurriculares que o auxiliam para o controle e melhora de diversos aspectos observados em crianças que possuem TDAH.

Vejam que todo o caminho percorrido teve início com o olhar da família e, posteriormente, com o olhar da escola. Escutei várias críticas por ter levado meu filho "tão cedo" à neuropediatra, mas não dei ouvidos "àquelas opiniões". Ah, antes que muitos questionem, não é preciso que todos os pais tenham formação pedagógica para cuidar de uma criança, basta ter a atenção e a dedicação em querer fazer o melhor ao seu filho! 

Contei brevemente o meu relato para mostrar que, embora o professor esteja todos os dias com os nossos filhos, é dever dos pais (e somente deles) acompanhá-los em todos os aspectos, não somente no campo educacional. Os docentes passam uma ou duas aulas por dia com os alunos. Os pais passam uma vida toda. Ao professor cabe, por experiência própria, atender uma sala inteira que possui geralmente 30 ou 40 alunos. É impossível, por melhor que seja o profissional, substituir o acompanhamento que deve ser feito pelos pais. Se ser professor é uma vocação (e uma escolha), ser pai e mãe também é uma escolha e, consequentemente, uma vocação. Então, não culpem as escolas e os profissionais que nela trabalham se você, pai ou mãe, não acompanha a vida e a rotina do seu filho. Cuidar do seu filho é uma tarefa inerente única e exclusivamente a você!

MARIANA DOS SANTOS SIQIUEIRA GUATURA 


























- Graduação em Biologia pelo UNIFATEA (2009);

-Especialização em Gestão Escolar pelo UNIFATEA (2012);

- Mestre em Ciências pela Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo (2016);

- Professora efetiva de Biologia na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo; e

- Professora efetiva de Ciências na Prefeitura Municipal de Lorena/SP.


Contatos:

Linkedin: Mariana dos Santos Siqueira Guatura;

Nota do Editor:

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