Autora: Samira Daleck(*)
O primeiro contato de famílias e crianças com a escola geralmente acontece na primeiríssima infância, durante o período em que eles frequentam a creche dos zero aos três anos. A faculdade de pedagogia forma professores generalistas que podem trabalhar com a educação infantil e também no ensino fundamental I do primeiro ao quinto ano.
Na primeira infância é onde as crianças formarão suas conexões emocionais e desenvolverão suas habilidades sociais, aprendizado este que levarão por toda a vida. Mas aí vem a grande dúvida, quem cuida do meu filho? O currículo da cidade de São Paulo – educação Infantil deixa bem claro que o cuidar é indissociável ao educar, são dois processos que se complementam o tempo todo.
Ao mesmo tempo em que a criança aprende a conviver em grupo, ela também aprende a utilizar o banheiro, escovar os dentes, alimentar-se corretamente, entre outros cuidados fundamentais. Em outro artigo que já escrevi para este blog trato deste assunto profundamente quando falo sobre os perigos da terceirização da educação dos filhos. A Creche ou a escola não pode e nem deve substituir a família no pilar da construção de conhecimento da criança e por muitas vezes vemos os cuidados serem deixados exclusivamente a escola.
Neste momento ocorre a confusão de papéis, os professores são
confundidos com cuidadores ou ti os e como diz Paulo Freire "linearizar
tia e professora é descaracterizar a profissão de ensinar pautada em um
profissionalismo com direitos. Ser professora é algo mais amplo; além da
responsabilidade de educar, ela se coloca na posição de buscar a liberdade e os
direitos da profissão, não se deixando ser oprimida pelo autoritarismo
político; ela se põe no lugar de ser ousada e assumir com amor o papel através
da democracia." Paulo Freire.
Portanto não é um questão de nomenclatura ou apenas uma forma de chamar, mas sim uma confusão de papéis pois o professor tem como profissão ensinar e tudo aquilo que descaracteriza tão nobre ato deve ser evitado.
"À medida que o professor estabelece com o aluno uma relação de afeto, a inibição dá lugar ao desejo de saber, de buscar conhecimento; assim, o lugar que o estudante confere ao professor é o do conhecimento; e o seu, o de desejante" Paulo freire
* SAMIRA FERRACINI DALECK
- Professora Humanista;
-Graduação em Pedagogia pela UNICASTELO (2007);
-Pós- graduação em Neuropsicopedagogia pela FATAC 06/2022); e
Terapeuta Holística pelo Instituto Eliana Lovieni (2021)
Nota do Editor:
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Um paradoxo! Ser professor no Brasil, é padecer no paraíso...😁👏👏🇧🇷
ResponderExcluirExatamente
ResponderExcluirNão me incomoda ser chamada de "tia" por alguns responsáveis! O que me incomoda é a terceirização da responsabilidade familiar.
ResponderExcluirParabéns pelo artigo professora Samira! Bjs
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