sábado, 30 de maio de 2026

A educação está respirando por aparelhos



©️2026 Jacqueline Figueiredo Caixeta 

Sinto que a educação está tal e qual aquela empresa que mal se segura com as próprias pernas, à beira da falência. Estamos no CTI e respirando com aparelhos e, se não mudarmos nossa rota, não sobreviveremos.

Estamos lidando com crianças e adolescentes que são criados por famílias que há muito perderam a noção da responsabilidade parental. Querem, em sua maioria, serem amigos legais dos filhos e fazem de tudo ( de tudo mesmo) para defendê-los, inclusive quando estão errados, do mundo e suas regras, pelo simples fato que não querem que eles se frustrem. Fazem todas as vontades de suas crias dizendo que os amam incondicionalmente e assim, em nome de um amor infinito, se cegam e não permitam que seus filhos experimentem situações em que eles possam se fortalecer e crescer.

A escola, por sua vez, tenta incansavelmente, educar pais e filhos, no entanto, ainda miramos nosso olhar para disciplinas ou componentes curriculars que não contribuem muito para que possamos sair da respiração mecânica.

Há um tempo atrás, em reuniões pedagógicas entre teóricos da educação, o ensino de matemática, língua portuguesa, química, física, história, geografia, inglês, era indispensável para a formação de alunos competentes e o suficiente para que se tornassem prontos para sairem dos bancos da escola básica para as universidades e ou o mercado de trabalho.

Mediante ao que estamos presenciando, considero que outras disciplinas são tão importantes quanto e não são tão priorizadas.

Pensando nas crianças e adolescentes que estamos recebendo nas escolas e como seus pais estão lindando com suas funções, acredito que a escola grita, urgentemente, por mais aulas de ética, filosofia, arte e socioemocional. É, como educadora, hoje, se eu fosse convidada a dar palpites no documento que rege nossa educação, eu faria uma construção priorizando uma quantidade maior de aulas destas disciplinas.

Sonho com uma Basw  Nacional Comum Curricular (BNCC) que priorize tais disciplinas porque nossos educandos merecem e carecem de mais ética, filosofia,criatividade e equilibrio emocional.

O bullyimg é crime, precisou de uma lei para que pais entendessem que aquela "brincadeira" que seu filho fez com o coleguinha, é crime. Os casos de desrespeito ao professor , colegas e escolas, é gritante, tão gritante a ponto dos próprios pais, que deveriam ser os primeiros interessados em terem filhos éticos, procuram a escola para deixar claro que "aquela regra, é uma chatisse". É um mundo irreal em que o direito do "meu" filho tem que ser atendido, independente se, na situação, existe outra pessoa com os mesmos direitos. É uma luta diária lidar com o egoísmo das famílias quando se trata de querer, a qualque custo, que a vontade do filho seja feita. A falta de ética reina absoluta na criação dessa geração.

O ensino da arte é urgente mediante à crianças e adolescentes que não brincam mais, não criam nada, estão condenados às telas. Ficam presos horas e horas diante de uma tela consumindo conteúdos idiotas que nada contribuem para o raciocínio, para a criatividade. Adolescentes usam a IA para tudo e com isso desaprendem a pensar, criar e produzir algo com a própria inteligência. A inteligência vai virar artigo de luxo, poucos a terão porque é mais rápido e fácil pedir para a IA resolver tudo. Ninguém mais cria nada. É triste vivenciar uma geração de robôs que só reproduzem o que ouvem, sem questionar, sem criar, sem almenos existir perante os desafios da vida.

A filosofia, ah, a filosofia... Meu Deus do céu! A prática do pensar, questionar, refletir, dialogar, enfim, que geração pobre! Alunos que não sustentam uma discussão com bons argumentos, que não sabem, nem de longe, a importância da dialética nas relações. Eles têm pressa, pressa pra tudo e atropelam as falas, embutidos de um comportamento infantil e sem controle emocional quando querem defender algo. Falta argumentos, falta inteligência emocional, falta educação. O excesso de telas, onde tudo é muito fluído, rápido, está adoecendo nossos alunos. Pensar, criar, refletir e agir pautados em conhecimentos científicos e equilíbrio emocional, é uma tragédia nas escolas.

A disciplina sociemocional é o que está socorrendo escolas e alunos. Um professor ensinado a lidar com frustrações, emoções, conhecerem suas habilidades e fragilidades. Um professor que a escola não pode mais deixar de ter. Nos corredores da escola, as dores são imensas e, muitas delas, oriundas das casas dos alunos, de criação de pais que poupam os filhos de tudo, querem sempre resolver tudo para eles, que não lhes dão condições de lidar com os conflitos da vivência com seus pares de idade. Os conflitos da infância e da adolescências nos espaços escolares, sempre existiram e são muito ricos para que os alunos aprendam a lidar com as frutrações, no entanto, como os pais não permitem isso, entram em cena e tiram dos filhos essa oportunidade, os alunos se tronam, cada vez mais frágeis e incapazes de resolver seus problemas.

Ah, como tem sido necessário e urgente mexer na BNCC e ampliar as aulas de arte, ética, filosofia e socioemocinal para que a escola consiga educar melhor e atender demandas que chegam ano a pós ano.

Novos tempos, novos desafios e a escola continua presa à conteúdos curriculares que os alunos encontrarão fácil, fácil à um simples clik no celular. Precisamos buscar uma educação que socorra essa geração, que atenda melhor as necessidades do mundo atual. Não adianta ficar brigando o tempo todo com o mundo virtual e com famílias incompetentes em suas funções. Se queremos educar de fato para que nossos alunos saim das nossas escolas com mais competências, precisamos tampar os buracos deixados e enxergar que a escola tem um papel político e social importantíssimo na construção de uma sociedade melhor. É preciso que eles tenham ética, sejam criativos, saibma pensar e lidar melhor com suas emoções e isso, esbarra na escola, explode dentro da escola, então, precisamos ampliar oportunidades para que vivenciem tudo com mai tranquilidade e competência.

Com afeto,

JACQUELINE FIGUEIREDO CAIXETA

















- Pedagoga
-Especialista em Educação
 Autora do capítulo do livro Educação Semeadora: "A Escola é a mesma, o aluno não! "- Editora Conhecimento.

Nota do Editor:

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