sábado, 26 de setembro de 2026

Reflexões de um professor sobre a vitória que ocorre quando do despertar do interesse do aluno pelo conteúdo


 

©️2026 Marcio Cavalcante

Quando começo uma aula, uma das primeiras coisas que percebo é que, antes mesmo de falar sobre o conteúdo, muitas vezes preciso "chamar" a turma para aquele momento. É aí que percebo aquilo que estou chamando, provisoriamente, de "automação pedagógica": quase no piloto automático, começo pelo tradicional — "senta", "guarda o celular", "copie", "presta atenção", "faz silêncio". Esses comandos fazem parte da rotina e ajudam a organizar a sala. Dar comandos técnicos também faz parte do trabalho do professor: organizar a turma, estabelecer limites, pedir silêncio, orientar a cópia e explicar o que precisa ser feito. Isso não significa que essas práticas estejam erradas. O desafio aparece quando elas se tornam praticamente a única estratégia para conseguir a atenção.

Porém, o estudante precisa de algo além de saber "o que fazer"; ele precisa encontrar algum sentido naquilo que está fazendo. Nesse ponto, entre as várias discussões sobre neuroeducação e aprendizagem, cito as apresentadas e discutidas por Gustavo Marçon (@gustavoomacon) que nos ajudam a ampliar nosso olhar: a atenção não depende apenas de uma ordem, mas também pode ser favorecida pelo significado, pela curiosidade, pelo desafio e pela participação. Entender e principalmente aceitar que conseguir que o aluno fique sentado e em silêncio não significa, necessariamente, que ele esteja conectado com aquilo que estou ensinando. E foi aí que comecei a me perguntar: como fazer esse aluno realmente entrar na aula?

Essa pergunta também pode ser pensada a partir de outras perspectivas pedagógicas. Vygotsky nos ajuda a compreender a importância da interação e da mediação do professor. Paulo Freire, por sua vez, nos incentiva a pensar em uma educação baseada no diálogo, na participação e na construção de sentidos. Essas ideias não significam abandonar o conteúdo, a autoridade ou a organização da aula. Significam pensar em maneiras de fazer com que o estudante se envolva intelectualmente com aquilo que está sendo apresentado.

Não, não vou dar solução pronta, vou buscar dialogar e adaptar a minha vivência em sala de aula e lhe incentivo a fazer o mesmo. Talvez esse seja o ponto mais importante: não precisamos transformar a aula em um show para conseguir a atenção do aluno, assim como não precisamos transformar a sala em um espaço baseado apenas em comandos. O que já fazemos — explicar, organizar, cobrar, orientar e estabelecer limites — continua tendo valor. A questão é ampliar o repertório pedagógico. Em vez de apenas dizer "preste atenção", podemos lançar uma pergunta que desperte curiosidade. Em vez de somente "copie", podemos mostrar por que aquele conteúdo merece ser compreendido. Não se trata de abandonar a autoridade do professor, mas de utilizá-la para criar condições para que o aluno pense, participe, questione e aprenda. No final, talvez a melhor atenção seja aquela que não precisamos pedir o tempo todo, porque nasceu do interesse, do sentido e da vontade de compreender.

MARCIO CAVALCANTE













-Graduação com Licenciatura e Bacharelado em História - PUC - SP -(2012);
-Graduação em Licenciatura em Geografia EAD – Facuminas - MG( 2021);
-Graduando em Licenciatura em Ciências Sociais EAD – UNIMAIS – SP; 
-Graduando em Licenciatura de Filosofia EAD – FAMAR - MA;
-Pós-Graduação em "Neuroeducação: Neurociência e Educação" – Faculdade Metropolitana – SP - (2025);
-Pós-Graduando em Direito e Processo o Trabalho – Faculdade Metropolitana – SP  e
Curso de Extensão em andamento- Estudos em Cultura Visual: imagens e circuitos – USP – SP 
-Professor de História, Geografia, Sociologia e Filosofia no Colégio Moderno ligado ao Sindicato dos Estivadores de Santos.

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário