sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Desafios dos 70 +


 

©️2026Ana Paula Stucchi

Ah, a modernidade, a tecnologia... facilitam a vida! Será? Hoje em dia há tanta facilidade, mas será que realmente ajuda? Vamos refletir juntos?

Lembro de quando criança, minha mãe as vezes ia até lugares mais distantes de casa e na volta, perguntava se o taxista levava até nossa casa. Quando o taxista aceitava (muitos recusavam por ser longe e voltariam com o carro vazio) ele normalmente colocava a "temida bandeira 2".



Na bandeira 1 (horário comercial) a gente olhava pro taxímetro e escutava um: tléc... tléc... tléc... mas na bandeira 2 o barulho era assustador porque cada "tléc" era o valor da corrida subindo: tléc, tléc, tléc. tléc, tléc...

Assim está o tempo... os dias passam "correndo", parece que faz um mês que estávamos no início do ano e as lojas em pleno final de setembro já vendendo panettone, decoração de natal a todo vapor...

Mas nesse interim, o tempo passa, as gerações mudam e acontecem as modernidades. Mas o ser humano nem sempre consegue se adaptar, ainda mais com essa rapidez. A geração X (nascida entre 1965 e 1980) é a geração que veio do papel carbono, do , da máquina de escrever, do vídeo cassete, CD e hoje tem que conviver com mais tecnologia (e já se enrola). Agora imagine a dificuldade de quem nasceu antes da geração X? os 70+? De repente, tudo digital? Tudo "por aplicativo"?

Os "gov.br" que exigem dos idosos que não tem afinidade com equipamentos eletrônicos em geral têm que se adaptar... olhe para a câmera, aproxime o rosto da câmera, afaste o rosto da câmera... e nada!

O Jovem/funcionário/orientador: "Vô, é só clicar no link, fazer o bypass da autenticação de dois fatores, validar o token no e-mail e dar o refresh na página."

O Vovô: [Olhando para o celular como se fosse um artefato alienígena] "Meu filho, na minha época a gente só discava o 0 e falava com a telefonista..."


O pior é a "cara de pau" dos atendentes achando que o idoso que é burro... porém, ignorante é aquele que fala tanto em respeito à diversidade e impõe essas situações no mínimo abusivas a quem nunca teve acesso (tampouco interesse) nem afinidade com tecnologia!

O constrangimento no restaurante é pior: você vai as vezes com fome, as vezes pra se divertir, pra conversar... e esquece os óculos. Mesmo que se escaneie o tal QR Code, ainda por cima o aplicativo as letras são pequenas, as fotos são pequenas, o risco de se pedir algo que não quer é bem alto!


É humilhação para os idosos, para os não idosos que não entendem de tecnologia. É um problema sério, dá margem às fraudes, nem sempre os que vão ajudar são honestos, e ficam com suas senhas e dados pessoais... Atendimento presencial e humanizado? Na tal "era digital"? É totalmente bizarro!

Vi caso de idosos que foram presencialmente fazer coleta de sangue para exames mas não conseguiram porque "não tinham o app" do plano de saúde... suplicaram, pediram, choraram e? Não fizeram! Sem o app a pessoa morre mas não faz o exame! Absurdo!


Não se sabe o que é pior: os aplicativos de serviços ou as gerações atuais que desprezam a "não tecnologia": avós sem nada em comum com os netos, porque estes "não saem do celular"...

Mas o problema não é o idoso. É de um país que não valoriza quem trabalhou uma vida inteira e agora, ao invés de ser celebrado e acolhido, vem uma tecnologia que não considera que eles envelheceram em um mundo analógico e, de uma hora para outra, passaram a depender do digital para resolver questões essenciais da vida.

Envelhecer não deveria perder autonomia por causa de um, ou vários aplicativos.

Tecnologia só é avanço quando prepara as pessoas, dá tempo para adaptação... Quando inclui com o devido cuidado, carinho, ao invés de excluir.

Se a geração X, que acompanhou essa evolução, de vez em quando tem dificuldade com aplicativos, senhas e etapas… imagine quem precisa usar tudo isso depois dos 70 ou 80 anos "obrigado".

É um assunto que precisa ser discutido, porque até mesmo o direito de voz e voto os 70+ estão "de fora".

ANA PAULA STUCCHI













De acordo com suas palavras ela é:

"Observadora das pessoas e das coisas;
Tentando a cada dia ser uma pessoa melhor;
Economista de formação;
Economista de Empresas - FIPE-USP;
Gestora de Finanças Públicas - FDC; e
Aspirante a escritora, cronista e poeta."


Nota do Editor:
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