sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Rostos, faces e caras


 ©️2026 João Luiz Corbett


O ser humano é o único animal sobre a terra que tem as feições diferentes, é extraordinária a capacidade do DNA humano de gerar fisionomias distintas a milhares de anos, o que considerando o número de viventes é até bom e necessário. Desde seu nascimento o corpo humano passa por várias transformações. Cresce em altura, desenvolve músculos, demonstra sua sexualidade e suas feições mudam. As características a cada ano que passa em nada lembram seu nascimento. Por essa e outras é que rostos, faces e caras devem ser rememorados a cada ano.

Entre as muitas coisas que não conseguimos fazer é lembrar de todas as pessoas que um dia vimos, conhecemos e conversamos. Nos primeiros anos de escola fazemos amigos e companheiros com um sentimento que ainda não entendemos bem e como ainda não conhecemos o elemento tempo, parece que vai durar a vida toda. Nosso mundo se limita à família, a escola e rostos conhecidos.

Na juventude abrimos horizontes e espaços de atuação com cada vez mais pessoas. Seguimos nos estudos, no trabalho, em viagens, lojas, supermercado, transporte, no clube, na academia, e por aí vai. Não temos a menor ideia de quantos rostos, faces e caras já vimos, ou mesmo vemos diariamente.

E voltamos ao elemento tempo. Como estão as pessoas que não vemos a alguns anos? Nas reuniões de vinte anos de formados todos que não mantiveram contado após a escola, tem de se apresentar, usar um crachá. Quem diria, estudamos fizemos trabalhos em conjunto, bate papo, cerveja, música e sabe lá o que mais, e não conseguimos lembrar?

Cadê você que me fez rir, me abraçou, me ajudou, e agora não consigo ter em minha memória. Alguns flashes refrescam a memória, mas sinto que seu rosto me é fugidio. A eternidade dos momentos é dos sentimentos, eventualmente da fisionomia. O tempo nos trouxe a fotografia digital. Se agora fotografamos tudo e todos, temos que colocar tarjetas com nomes de pessoas e lugares. O volume de informação que armazenamos aumentou de tal forma que rosto, face e caras continuam sem espaço.

Assista a um filme e no final tente lembrar da fisionomia de pelo menos dez dos personagens. A dificuldade é tanta que se for pedido para cinco pessoas fazerem um retrato falado, ou mesmo descreverem, um indivíduo que essas mesmas cinco pessoas viram num evento, teremos cinco descrições diferentes.

Interessante que o mesmo não ocorre com as imagens de lugares que se fixam na mente como um sentimento seja ele bom ou ruim. Na volta de viagem recordamos a imagem dos lugares que estivemos, não a imagem das pessoas que encontramos. Assim como as imagens que nos marcam, podemos dizer que recordamos dos rostos das pessoas que amamos durante a vida, com certeza. Mas serão apenas as que amamos. Para essas nosso cérebro tem e sempre terá um espaço amplo e arejado.
JOÃO LUIZ CORBETT


















  • Economista com carreira construída em empresas dos segmentos de açúcar, álcool, biocombustíveis, frigorífico, exportação, energia elétrica e serviços, com plantas em diversas regiões do país;
  • Atuação em planejamento estratégico empresarial, reorganização de empresas, aprimoramento de competências, elaboração de planos de negócios com definição de estratégias, estrutura societária e empresarial, com desenvolvimento e recuperação de negócios; e
  • Atuação em empresas de grande e médio porte nas áreas de planejamento estratégico, orçamento, planejamento e gestão financeira, tesouraria, controladoria, fiscal e tributária. 


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