terça-feira, 28 de abril de 2026

O aumento dos afastamentos no trabalho por problemas de saúde mental e os impactos no Direito Previdenciário


 ©️2026 Priscila Cunha Brandão Sol


O crescimento dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais deixou de ser um dado pontual e passou a ser uma realidade constante.Ansiedade, depressão e síndrome de burnout estão entre as principais causas de incapacidade laboral atualmente.

Em 2025, o país registrou mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária concedidos por transtornos mentais, segundo dados oficiais da Previdência Social. Isso representa um aumento de aproximadamente 15% em relação ao ano anterior.

Esse cenário exige uma análise objetiva: estamos diante de um problema de saúde pública que também tem consequências jurídicas relevantes, especialmente no âmbito do Direito Previdenciário.

O contexto atual

A rotina de trabalho tem se tornado mais exigente. Metas elevadas, jornadas extensas, pressão por produtividade e instabilidade profissional contribuem diretamente para o adoecimento mental.

O resultado é o aumento significativo de trabalhadores que não conseguem manter suas atividades e precisam se afastar.

Quando há direito ao benefício previdenciário

O trabalhador que apresenta incapacidade para o trabalho em razão de transtorno mental pode ter direito ao benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença).

Para isso, é necessário cumprir alguns requisitos:
  1. Qualidade de segurado;
  2. Carência mínima, em regra de 12 contribuições e
  3. Comprovação da incapacidade laboral
O ponto central está na prova da incapacidade. No caso de transtornos mentais, essa comprovação exige maior rigor técnico.

A importância da documentação médica

A concessão do benefício depende diretamente da qualidade da documentação apresentada.

Relatórios médicos devem conter:
  1. Diagnóstico claro (com CID);
  2. Histórico do paciente;
  3. Descrição dos sintomas;
  4. Indicação de tratamento e
  5. Justificativa da incapacidade para o trabalho
Documentos genéricos ou incompletos costumam resultar em indeferimento administrativo.

Avaliação do INSS

A perícia médica do INSS analisa se existe incapacidade laboral. Não basta a existência da doença. É necessário demonstrar que ela impede o exercício da atividade profissional.

Esse é um dos pontos mais sensíveis nos casos envolvendo saúde mental, pois a avaliação envolve aspectos subjetivos que precisam ser bem fundamentados nos laudos médicos.

Possíveis desdobramentos

Dependendo da gravidade e da evolução do quadro, o benefício pode ter diferentes encaminhamentos: prorrogação do benefício por incapacidade temporária, conversão em aposentadoria por incapacidade permanente e encaminhamento para reabilitação profissional.

Nos casos em que o transtorno mental possui relação com o trabalho, podem surgir também reflexos na esfera trabalhista, como estabilidade provisória e eventual responsabilização do empregador.

Planejamento e orientação adequada

A condução de um caso previdenciário envolvendo saúde mental exige análise técnica desde o início.

Fatores como histórico contributivo, tipo de atividade exercida, qualidade da prova médica e momento do requerimento influenciam diretamente no resultado.

A atuação preventiva reduz riscos e aumenta as chances de concessão do benefício de forma adequada.

Considerações finais

O aumento dos afastamentos por transtornos mentais evidencia a necessidade de maior atenção à saúde do trabalhador e ao correto enquadramento previdenciário dessas situações.

O acesso ao benefício não é automático e depende de critérios legais bem definidos. Por isso, a informação e a orientação técnica são essenciais para garantir a proteção do segurado.

PRISCILA CUNHA  BRANDÃO SOL

















-Formada em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha - MG (2010);

-Especialização em Direito Digital e Cibercrimes (2022);

-Pós-graduada em Direito de Família e Sucessões pela Damásio Educacional (2023); e

-Pós-graduada em Direito Previdenciário pela Legale (03/2024).

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