©️2026 Marilsa Prescinoti
Os números são alarmantes.
O adoecimento não acontece da noite para o dia
Muitas pessoas passam anos operando acima dos próprios
limites sem perceber.
Ignoram o cansaço.
Ignoram o desconforto.
Ignoram a insatisfação.
Ignoram os conflitos internos. Se convencem quem não tem
saída, que não podem parar que “dependem de mim”, ligam o piloto automático e
normalizam o desconforto, os sinais de alerta do físico, do sistema nervoso, do
sistema motoro, cerebral e mental.
Chamam de vida adulta e seguem até que uma doença física ou emocional, até
que o corpo pelo sistema nervoso central, começa a fazer aquilo que a mente não
conseguiu: parar.
O afastamento raramente é consequência de um único evento.
Na maioria das vezes, ele representa o resultado de anos de adaptação
excessiva, esforço contínuo e desconexão de si mesmo, este é o ponto mais
importante, porém o mais ignorado.
Quando sobreviver se torna um modo de vida
Existe uma diferença entre viver e sobreviver.
Viver pressupõe escolhas.
Sobreviver pressupõe reação.
Muitas pessoas passam grande parte da vida apenas reagindo
às demandas externas acreditando que estão no controle, não estão:
- Trabalhando para atender expectativas.
- Aceitando
situações que não desejam.
- Evitando
conflitos.
- Buscando
aprovação constante.
- Colocando
as necessidades dos outros acima das próprias.
- Paralisadas
ou movidas até o limite pelo perfeccionismo, carregam isso com certo
orgulho. (ouço quase que diariamente nos meus atendimentos) “Enquanto não
estiver tudo perfeito não paro”
outros tantos Enquanto não estiver tudo perfeito eu nem
começo”. Nem conseguem considerar
que não existe perfeição. Existe movimento, avanço e aperfeiçoamento. Mas
ninguém precisa se perder de si no processo.
Com o tempo, essa forma de funcionar gera um desgaste
profundo.
O indivíduo continua produtivo por fora, mas internamente
opera sob tensão permanente.
É como um sistema que permanece ligado continuamente sem
tempo para manutenção.
Mais cedo ou mais tarde, o desgaste aparece.
O preço de não conhecer os próprios limites
Uma das maiores dificuldades observadas nos processos de
desenvolvimento humano é que muitas pessoas sequer sabem onde estão seus
limites.
Foram ensinadas a resistir.
Foram ensinadas a suportar.
Foram ensinadas a continuar.
Mas raramente aprenderam a reconhecer os sinais de
esgotamento.
O resultado é um padrão recorrente:
A pessoa só percebe que ultrapassou seus limites quando já
está emocionalmente exausta.
A saúde mental não é comprometida apenas por excesso de
trabalho.
Ela também é impactada pela incapacidade de perceber quando
algo deixou de fazer sentido.
A falta de propósito também adoece
Outro aspecto frequentemente negligenciado é o vazio
provocado pela ausência de significado.
Quando alguém não encontra propósito no que faz, o trabalho
deixa de ser um espaço de construção e passa a ser apenas uma obrigação ou
apenas sobrevivência.
Isso não significa que todas as pessoas precisam amar o
próprio trabalho todos os dias.
Mas existe uma diferença importante entre enfrentar desafios
e viver permanentemente desconectado daquilo que possui valor pessoal.
Quanto maior a distância entre quem a pessoa é e a vida que
ela constrói, maior tende a ser o desgaste emocional.
A submissão silenciosa que gera sofrimento
Nem toda submissão acontece por imposição externa.
Muitas vezes ela acontece internamente.
A pessoa sabe o que deseja, mas não se posiciona.
Sabe que precisa mudar, mas não age.
Percebe que determinados ambientes lhe fazem mal, mas
permanece.
Não porque seja fraca.
Mas porque existem padrões emocionais profundamente
enraizados que influenciam suas escolhas sem que ela perceba.
É nesse ponto que o autoconhecimento deixa de ser um luxo e
passa a ser uma necessidade, uma decisão estratégica e inteligente.
Os padrões subconscientes que sabotam o desenvolvimento
Grande parte do comportamento humano não é guiado pela
razão.
É guiada por padrões automáticos construídos ao longo da
vida.
Esses padrões influenciam:
- A
forma de lidar com autoridade;
- A
necessidade de aprovação;
- O
medo da rejeição;
- A
dificuldade em estabelecer limites;
- A tendência ao excesso de responsabilidade.;
- A autocrítica constante;
- A
busca incessante por reconhecimento; e
- A
necessidade de controlar tudo o tempo todo.
Quando esses mecanismos permanecem inconscientes, a pessoa
repete os mesmos comportamentos mesmo quando eles geram sofrimento.
Ela muda de empresa.
Muda de cargo.
Muda de relacionamento.
Mas continua reproduzindo os mesmos padrões.
O que os Traços de Personalidade têm a ver com isso?
É justamente aqui que a compreensão dos traços de
personalidade se torna valiosa.
Cada indivíduo possui uma estrutura de funcionamento que
influencia sua maneira de pensar, sentir, reagir e se relacionar com o mundo.
Alguns perfis apresentam maior tendência à autocobrança.
Outros têm dificuldade em dizer não.
Alguns buscam aprovação constantemente.
Outros acumulam responsabilidades além da razoabilidade.
Quando essas características não são reconhecidas, podem
contribuir para processos de desgaste emocional e adoecimento.
Por outro lado, quando compreendidas, tornam-se uma poderosa
ferramenta de desenvolvimento.
O objetivo não é rotular pessoas.
É ajudá-las a entender os padrões que conduzem suas
decisões, emoções e comportamentos.
Saúde mental começa pela consciência
A discussão sobre saúde mental no trabalho é necessária e
urgente.
Mas ela não pode se limitar a benefícios corporativos,
programas de bem-estar ou mudanças organizacionais.
Essas iniciativas são importantes, valiosas e hoje as
empresas já precisam monitorar os seus ambientes.
Porém existe uma dimensão que depende exclusivamente de cada
indivíduo: o ambiente interno de cada um, o conhecimento sobre si mesmo.
Pessoas que compreendem seus limites tendem a fazer escolhas
mais conscientes.
Pessoas que reconhecem seus padrões emocionais desenvolvem
maior capacidade de autorregulação.
Pessoas que compreendem sua própria estrutura comportamental
desenvolvem maior consciência sobre seus limites, emoções e padrões de
funcionamento. Como consequência, constroem relações mais saudáveis consigo
mesmas, com os outros e com o trabalho. Mais do que promover bem-estar
individual, essa consciência contribui para a criação de ambientes
profissionais, familiares e sociais mais harmônicos, seguros, estáveis e
emocionalmente sustentáveis."
Porque ninguém muda aquilo que não percebe.
Muitas pessoas vivem no automático, ignorando
desconfortos, sofrimento e cansaço. Estão tão adaptadas aos seus padrões de
funcionamento que sequer percebem que já precisam de ajuda ou que poderiam
viver de forma mais leve e satisfatória.
Por isso, o maior desafio talvez seja ampliar a
consciência. É aqui que empresas, lideranças e profissionais da área podem
fazer a diferença.
O autoconhecimento é uma jornada permanente de ampliação da
consciência, desenvolvimento das potencialidades e reencontro com a própria
essência.
Eu sigo acreditando que a prevenção começa pela
consciência. Por isso, continuo apoiando profissionais e empresas a
compreenderem melhor os padrões que influenciam comportamentos, decisões e
relações no ambiente de trabalho e nas relações pessoais.
MARILSA PRESCINOTI
Terapeuta Comportamental,AnalistaCorporal,palestrante e consultora em desenvolvimento humano.
Atua orientando pessoas, lideranças e organizações na compreensão de padrões os padrões de comportamento que influenciam emoções, relacionamentos, decisões e desempenho profissional. Atua no ambiente corporativo com projetos voltados à diagnóstico e gestão dos fatores de riscos psicossociais, saúde mental no trabalho.
Nova redação da NR-01
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