©️2026Ana Paula Stucchi
Ah, a modernidade, a tecnologia... facilitam a vida! Será? Hoje em dia há tanta facilidade, mas será que realmente ajuda? Vamos refletir juntos?
Lembro de quando criança, minha mãe as vezes ia até lugares mais distantes de casa e na volta, perguntava se o taxista levava até nossa casa. Quando o taxista aceitava (muitos recusavam por ser longe e voltariam com o carro vazio) ele normalmente colocava a "temida bandeira 2".
Na bandeira 1 (horário comercial) a gente olhava pro taxímetro e escutava um: tléc... tléc... tléc... mas na bandeira 2 o barulho era assustador porque cada "tléc" era o valor da corrida subindo: tléc, tléc, tléc. tléc, tléc...
Assim está o tempo... os dias passam "correndo", parece que faz um mês que estávamos no início do ano e as lojas em pleno final de setembro já vendendo panettone, decoração de natal a todo vapor...
Mas nesse interim, o tempo passa, as gerações mudam e acontecem as modernidades. Mas o ser humano nem sempre consegue se adaptar, ainda mais com essa rapidez. A geração X (nascida entre 1965 e 1980) é a geração que veio do papel carbono, do , da máquina de escrever, do vídeo cassete, CD e hoje tem que conviver com mais tecnologia (e já se enrola). Agora imagine a dificuldade de quem nasceu antes da geração X? os 70+? De repente, tudo digital? Tudo "por aplicativo"?
Os "gov.br" que exigem dos idosos que não tem afinidade com equipamentos eletrônicos em geral têm que se adaptar... olhe para a câmera, aproxime o rosto da câmera, afaste o rosto da câmera... e nada!
O Jovem/funcionário/orientador: "Vô, é só clicar no link, fazer o bypass da autenticação de dois fatores, validar o token no e-mail e dar o refresh na página."
O Vovô: [Olhando para o celular como se fosse um artefato alienígena] "Meu filho, na minha época a gente só discava o 0 e falava com a telefonista..."
O pior é a "cara de pau" dos atendentes achando que o idoso
que é burro... porém, ignorante é aquele que fala tanto em respeito à
diversidade e impõe essas situações no mínimo abusivas a quem nunca teve acesso
(tampouco interesse) nem afinidade com tecnologia!
O constrangimento no restaurante é pior: você vai as vezes
com fome, as vezes pra se divertir, pra conversar... e esquece os óculos. Mesmo
que se escaneie o tal QR Code, ainda por cima o aplicativo as letras são
pequenas, as fotos são pequenas, o risco de se pedir algo que não quer é bem
alto!
É humilhação para os idosos, para os não idosos que não entendem de tecnologia. É um problema sério, dá margem às fraudes, nem sempre os que vão ajudar são honestos, e ficam com suas senhas e dados pessoais... Atendimento presencial e humanizado? Na tal "era digital"? É totalmente bizarro!
Vi caso de idosos que foram presencialmente fazer coleta de sangue para exames mas não conseguiram porque "não tinham o app" do plano de saúde... suplicaram, pediram, choraram e? Não fizeram! Sem o app a pessoa morre mas não faz o exame! Absurdo!
Não se sabe o que é pior: os aplicativos de serviços ou as gerações atuais que
desprezam a "não tecnologia": avós sem nada em comum com os netos, porque estes "não saem do celular"...
Mas o problema não é o idoso. É de um país que não valoriza
quem trabalhou uma vida inteira e agora, ao invés de ser celebrado e acolhido,
vem uma tecnologia que não considera que eles envelheceram em um mundo
analógico e, de uma hora para outra, passaram a depender do digital para
resolver questões essenciais da vida.
Envelhecer não deveria perder autonomia por causa de um, ou vários aplicativos.
Tecnologia só é avanço quando prepara as pessoas, dá tempo para adaptação...
Quando inclui com o devido cuidado, carinho, ao invés de excluir.
Se a geração X, que acompanhou essa evolução, de vez em quando tem dificuldade
com aplicativos, senhas e etapas… imagine quem precisa usar tudo isso depois
dos 70 ou 80 anos "obrigado".
É um assunto que precisa ser discutido, porque até mesmo o
direito de voz e voto os 70+ estão "de fora".
ANA PAULA STUCCHI
De acordo com suas palavras ela é:
"Observadora das pessoas e das coisas;
Tentando a cada dia ser uma pessoa melhor;
Economista de formação;
Economista de Empresas - FIPE-USP;
Gestora de Finanças Públicas - FDC; e
Aspirante a escritora, cronista e poeta."
Nota do Editor:
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