sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A Coragem de Pensar


 

©️2026 Maressa Fernandes



É engraçado pensar que, a cada quatro anos, o mesmo país que se une pra torcer na Copa do Mundo se torna um campo de batalha três meses depois. Parece que parte da nação vira uma chave no cérebro, transformando o sentimento de união em hostilidade, esquecendo completamente o significado da palavra respeito.

Redundante dizer que as diferentes formas de pensar são necessárias pra uma sociedade saudável, mas sair pelas ruas, com um mastro na mão, tentando impor a sua verdade na base da força é atingir um outro nível de insanidade. Sem contar que a maioria sai em defesa de seres humanos de caráter e atitudes, no mínimo, duvidosas.

Enfim.

Um salve à coerência que, usualmente, é deixada de lado nessa época do ano.

E se pararmos pra analisar friamente, grande parte dessas pessoas nem sabem o que estão defendendo. Ou não se interessam em saber por que, convenhamos, encarar a realidade é difícil. Dá trabalho. Pensar por conta própria é complicado e expor uma opinião contrária à massa é quase um suicídio social.

Pensar: um verbo que deixou de ser conjugado em primeira e segunda pessoas. Ultimamente só existe ele pensa e eu vou atrás. E quando digo ele, não precisa nem ser uma pessoa física. A inteligência artificial está aí, também, pra pensar por todos.

Sem sombra de dúvida, a melhor ferramenta já criada. Acredite, por pessoas que pensaram muito. Mas o quanto o ser humano se acomodou, ainda mais, com a sua chegada? Claro, não estou generalizando. Me refiro àqueles que a utilizam como muleta, se autointitulando doutores em assuntos que não dominam nem a superfície, enganando uma população que se deslumbra com muito pouco.

Mas esse é um assunto pra depois.

Meu ponto, nessa pequena reflexão, é sobre as escolhas que viemos fazendo ao longo do tempo, de forma atropelada, subjugados pelo ritmo acelerado da vida contemporânea e pela infinidade de informações que acessamos simultaneamente, a todo tempo. Parece que o mundo nos obriga a correr, sem sabermos exatamente atrás de quê, trazendo consigo uma sensação de insegurança, de ansiedade, de incerteza.

É necessário, ou melhor, fundamental que falemos cada vez mais sobre saúde mental. Estamos, a passos largos, perdendo a capacidade de reconhecer nossos próprios limites, reagindo a opiniões alheias, delegando nosso raciocínio, ignorando nossos sentimentos. Precisamos parar.

Parar pra escutar.

Parar pra cuidar.

Parar pra pensar.

Sei que não há fórmulas mágicas pra isso, mas é imprescindível começar. Pelo menos tentar. Porque existe uma máxima que diz ‘a sua liberdade termina quando começa a do outro’, que precisa, desesperadamente, deixar de ser ignorada.

Ninguém é obrigado a concordar, mas todos somos, por princípio divino ou lei universal, obrigados a respeitar. O espaço, as escolhas, as crenças, o momento, a vida de cada um.

Não importa pra que time você torce, pra que entidade você reza, pra que político você vai entregar seu voto ou quanto dinheiro você tem na conta; todos viemos do mesmo lugar, somos feitos da mesma essência e, fisicamente, terminaremos da mesma forma.

No fim, o que realmente conta é:

O que você fez com o tempo que lhe foi dado?

MARESSA FERNANDES

















  • Empresária em horário comercial;
  • Escritora nas horas vagas; e
  • Sonhadora em tempo integral.
Nota do Editor:

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