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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Canudos, o Brasil sufocado

                                                                                            
"Corruptissima re publica plurimae leges"1



                É interessante como em física se tenha no estudo dos fractais a conservação de um pouco que representa um muito. Vou explicar; a principal característica é a auto-similaridade. Fractais contêm, dentro de si, cópias menores deles mesmos e assim sucessivamente. Pois bem, cá com meus botões, é interessante como esse modelo de repetição infinita guarda alguma analogia, embora de áreas antagônicas, com o estudo social. Em um pequeno discurso, por exemplo, podemos chamar à vida um dos mais representativos quadros da História Brasileira – Canudos.

É que Canudos, 1893 a 1897, e todo acontecimento ao seu redor guarda como um fractal físico, um mini conflito que representa um conflito maior entre dois Brasis, um Brasil que até hoje se propaga no tempo como real e subordinado e outro, que se propaga sobre ele, abafando-o, este é o Brasil oficial de uma burlesca república.

Ariano Suassuna, fenomenal intérprete da nossa cultura, citou em um de seus discursos o grande Machado de Assis, o qual, em texto publicado no "Diário do Rio de Janeiro", edição de 29 de dezembro de 1861, se referia originalmente a uma discussão política fazendária da época, sendo, entretanto, deveras exato:
"Aqui hão de me perdoar. De um ato do nosso Governo só a China poderá tirar lição. Não é desprezo pelo que é nosso, não é desdém pelo meu país. O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco. A sátira de Swift nas suas engenhosas viagens cabe-nos perfeitamente. No que respeita à política nada temos a invejar ao reino de Lilipute (2)".

        Pois é nesse contexto que o genocídio de Canudos se propaga até os dias de hoje, a necessidade de auto-afirmação do exército e da república em “fazer de conta” que vivemos em uma ficção européia, em um conto de Gulliver, de Alice, em uma suíça, abastada e satisfeita, descartando a necessidade de políticas reais, vinculadas a questões sociais de todos os matizes. Nesse sentido, vemos que há uma preocupação, até legítima, de historiadores em focar a questão social do exemplo, entretanto, como há dois Brasis, a própria natureza da política criminal reflete uma ficção imposta por leis que auto-alimentam a impunidade, como se o Brasil vivesse em um padrão todo nórdico.

Tudo isso é para garantir que por essa mesma ficção de Lilipute haja absolvição de colarinhos brancos. A faca cega que não corta o dolo dos homicidas contumazes é da mesma natureza da faca que corta a corda que iria enforcar o corrupto.

Esse mesmo corrupto, absolvido pelo que o povo chama de "brecha de leis" (e que na verdade é a possibilidade de interpretações tangenciais de um mesmo comando normativo quer por interpretação aberta ou por apreciação de julgados e jurisprudências), e pela própria criação legislativa dos que querem republicanamente "se safar", são os responsáveis diretos pela deterioração do padrão de vida do povo, muitas vezes, o principal responsável pela questão social, uma vez que, é inconteste que a corrupção é mácula degenerativa insustentável com o equilíbrio da distribuição de bens.

Assim, longe de ser a iniciativa privada e o capitalismo distributivo como único responsável pelas mazelas sociais atuais, temos que, o principal culpado seja a própria república positivista que garante ferramentas legais dissimuladas para a impunidade de agentes públicos corrompidos. Está aí, o instituto republicano do foro privilegiado, dos aumentos descontrolados em descompasso imoral com a situação real de nosso país.

E ainda hoje, por esse mesmo conluio permite a queima no altar da ordem e do progresso, dos direitos fundamentais ao fogo do positivismo – A república cria a norma e o direito, e ao mesmo tempo o dizima.

É que essa república que aí nos dias atuais é a progressão fractal da imposição da força sobre o Brasil real, pobre e rico ao mesmo tempo, essa república é o conchavo, é fisiologismo puro, é preservação e acinte de privilégios. Em Canudos a república mostrava sua verdadeira face ou assumia sua verdadeira natureza, a de um verdadeiro golpe militar que destituíra a Monarquia, hoje ela mostra a sua pior face, sabemos isso graças à nossa era digital que funciona como uma espécie de Conselheiro. 

Importamos o presidencialismo dos EUA, que deu certo por lá, não para utilizá-lo para o Brasil, mas para usar o Brasil. 

Belo Monte, cidade que Conselheiro deu o nome, funcionava em uma forma de distribuição e compartilhamento de bens e trabalho porque também suas leis, conforme trechos dos apontamentos retirados dos dez mandamentos por Conselheiro eram simples, preto no branco, pá pum!! As leis em Belo Monte eram religiosas, impregnadas de um direito natural, com impregnação de moral e costumes, em contra partida, as leis analíticas e positivadas se avolumaram desde o início da proclamação da república, e conforme o grande historiador e político romano Tácito, "Corruptissima re publica plurimae leges", ou ainda "Corruptissima republica plurimae leges", (As leis são muitas quando o Estado é corrupto).

Canudos ou Belo Monte era uma pequena comunidade formada por descendentes de índios locais, negros forros, jagunços e pobre camponeses, a vida era simples e bastante difícil, plantavam, colhiam e comercializavam o que cultivavam com regras próprias, e como não reconheciam a república e a obrigação de pagar impostos, posto que, aquela gente nada recebia do Estado. Era, segundo o próprio Euclides da Cunha, autor do clássico “Sertões”, uma cidade sem ruas retas, tudo feito sem planejamento, porém funcionava de maneira tosca.

Conselheiro, depois morto por um estilhaço de granada e de enterrado pelos conselheiristas, foi exumado pelas tropas federais como se a república quisesse a todo custo se livrar do seu fractal, do seu fantasma, de leis que não podiam ser maleáveis para encobrir propinas, para materializar o ato do expurgo e satisfazer a paz de sua consciência pesada, assim, cortaram-lhe a cabeça, a cabeça de um corpo em putrefação como forma de exorcizar seu fantasma que ainda vive na diferença do real e simples e do que é burlesco e corrupto.

REFERÊNCIAS/BIBLIOGRAFIA

1 As leis são muitas quando o Estado é corrupto",Tácito, Historiador Romano;

2 Lilipute éuma ilha fictícia do romance As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift;

SUASSUNA, Ariano, a luta do Brasil real contra o caricato Brasil oficial, A Hora do Povo, disponível em : http://www.horadopovo.com.br/2014/08Ago/3272-06-08-2014/P8/pag8a.htm ; e

NOGUEIRA, Ataliba, António Conselheiro e Canudos. São Paulo, Editora Atlas S.A., 1997.

POR CHRISTIAN BEZERRA COSTA











-Advogado graduado pelo UNIEURO- Brasília;e 
-Atuante nas áreas  de Direito Internacional Privado e Civil
 Twitter: @advchristiancos

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Professor e os professores






Tenho uma animosidade latente contra a categoria dos professores. Não é ódio, muito pelo contrário.

Vejo no Professor e não na Educação DA PROPAGANDA POLÍTICA, a verdadeira saída para as nossas mazelas mais singelas.

O Professor professor e não a classe dos professores manipulados por SINDICATOS, alinhados com a ideologia esquerdopata do PT, tem um poder descomunal de atingir a formação moral e intelectual de uma nação não apenas de um aluno.

Nossa Educação sofre os efeitos maléficos da ideologia ora operante por estar envolvida na política.

Não sei se é ousadia, intolerância, ou mesmo ignorância de minha parte, mas ao vermos a história da Educação desde a antiguidade, teremos a impressão que com instrumentos, espaços e salas rudimentares, homens foram preparados com tamanha distinção e se tornaram ícones da história da humanidade.

Seria uma comparação absurda?

Vejamos:

Sócrates, que segundo Pítia Sacerdotisa do templo de Apolo, era o mais sábio dos sábios, ensinava de graça segundo Platão, seu discípulo.

Antes que algum Professor confunda o raciocínio e ache que estou a dizer que deva ensinar de graça não é este o intento.

Platão era tão moderno que, em sua concepção, a Educação escolar deveria ser universal, pública e destinada a formar o caráter do indivíduo.

E educar seria introduzir Ordem e Harmonia na conduta humana.

Para Platão, Conhecimento é a Razão da Crença Verdadeira justificada. 

Vendo na história o que fizeram Aristóteles, aluno de Platão e Tutor de Alexandre, o Grande ( que viria a criar um dos maiores impérios do mundo antigo) e o Rei Felipe (que reconstruiu sua cidade natal ) podemos entender o valor de suas contribuições na sua educação.

Carlos Magno, há muitos séculos a frente, promoveu reformas na Educação visando unificar e fortalecer seu império. Na idade média, foram criadas Universidades seculares, onde a igreja, através do Papado, era a fomentadora, influenciadora, instigadora e financiadora, e, tão quão o agora no mundo moderno, usava a Educação como meio para acelerar as conquistas de uma nação segundo seus preceitos (no caso, eclesiásticos) e, no caso do PT e seus aliados, apenas eleitoreiros.

Professor, na Idade Média, tinha Status de artista. As técnicas medievais passavam pelo ensino eclesiástico e escolástico, que o choque foi inevitável, pois era necessário ao Professor não apenas ensinar e também provar que o que ensinava era verdade.

Bem, voltemos a nossa infeliz realidade. Nossos atuais políticos, não importa em qual destes 34 partidos habitem, outorgaram para si o lema que :

    “A Educação é a solução para todo e 
      qualquer mal de nosso país”.

Em campanhas, convencem e usam as artimanhas de todos, baterem nas mesmas teclas desse uníssono e enganador lema.

Nas últimas três décadas e meia, o professor e, não o Professor, se arregimentou e se apoderou da arma da Greve, como único instrumento capaz de aumentar ou manter o padrão de compras de seus salários. Estratégia esta, que a olhos largos se vê, que pelo salário atual não funciona e que nunca funcionará.

A sociedade vê (erroneamente) o professor como um ser mesquinho apenas preocupado com seus salários.

Veja que o Professor, e, não o professor é o único capaz de alterar seu destino pois, em função de sua sabedoria e conhecimento pode mudar de emprego , trabalhar mais, ou qualquer coisa que o tire dessa equação maldita.

Não é raro, os governantes buscarem quem possa ensinar no mercado de trabalho. Quem atende ao chamado:

O Professor ou o professor?

Sim! Tem diferença entre o Professor e o professor.

O Professor com "P"  maiúsculo, o Mestre ciente de sua capacidade, irá ponderar todo o sistema inclusive o salário. 

O professor com "p" minúsculo atenderá o chamado e contará que, em um futuro próximo o seu sindicato, manipulado por ideologia barata, lhe consiga um aumento considerável.

É se aproveitando deste choque de interesses infernal: onde o professor quer o salário, os pais quem cuide da educação seus filhos, e seus filhos que nada querem que os políticos se elegem e reelegem, sempre na retórica, que :

“A EDUCAÇÃO É A SOLUÇÃO PARA TODAS AS NOSSAS MAZELAS.”

Cabe ao Professor de hoje se rebelar contra este sistema de cabresto eleitoral ao qual está exposto. 

Imaginem como a capacidade de um professor pode revolucionar um país. 

Vejam que no Brasil real temos mais de dois milhões de professores. 

O que aconteceria se o Professor fosse capaz de transmitir seu conhecimento para dez alunos? Vinte milhões de votos definiriam uma eleição.

Mas , na atual conjuntura, o professor manipulado tende a usar essa força descomunal não a favor de seu país, mas apenas na ilusão de seu contentamento individual.

O Professor é a chave para o nosso desenvolvimento intelectual e moral. O Professor pode provocar uma ruptura neste sistema falido, tanto educacional quanto político. 

Imaginem, que quando um Professor entra em uma sala de aula, ele esteja entrando em um ringue. Hipoteticamente seus alunos são seus adversários. Entrar mancando e se lamentando de seus baixos salários, não é entrar na luta perdendo?

Cabe ao Professor se reabilitar com a nação. Se fortalecer com seus alunos. Fomentar a disputa e o saber. Insistir na pesquisa individual e coletiva. Instigar o aluno ao raciocínio lógico. Mostrar a verdade do que ensina.

Aos pais cabe acabar com o desrespeito do Professor dentro de seus lares. 

Vejam como:

Um dia, minha filha chegou em casa e disse que uma professora a havia repreendido. Fiquei deveras revoltado e falei:

"- Filha, amanhã eu vou falar com essa    PROFESSORA."

Não sei, mas minha filha em seus delírios infantis deve ter imaginado coisa do tipo:

“- Amanhã esta PROFESSORA SE FERRA.”

Pois bem, cheguei a sala de aula e em um tom um tanto quanto eloquente e comovido disse:


"- PARABÉNS PROFESSORA POR SE    PREOCUPAR COM MINHA FILHA.
- E a partir de hoje, caso ela venha a ter    um   comportamento inadequado, a senhora está     autorizada por mim a repreende-la a altura.- E, quando isso acontecer, ela terá de minha   parte o corretivo necessário para que não         aconteça de novo", pois, tenho para mim que: 


- O PROFESSOR É A MAIOR E ÚNICA           AUTORIDADE EM SALA DE AULA."

Eleitores, esqueçam nossos políticos. 

Professores esqueçam suas promessas, uma vez que 35 anos e além das retóricas nada de concreto foi feito.

Professor , requeira a patente do ensinar.

Pais devolvam a tutela do ensino ao Professor.

Alunos, se nada querem, não vão à escola.

POLÍTICOS DE QUALQUER PARTIDO VÃO PARA O INFERNO COM SUAS PROMESSAS VÃS.

Aliás, não sou Professor...

Por ÁLVARO MARCOS ALVES



-Microempresário na área da prestação de serviços;
-Autodidata formado pela faculdade da vida 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Estarrecerrices e bizarrices brasileiras TCU? Quem decide?






Como diz o Macaco Simão (twitter: @jose_simao ) somos o país da piada pronta. Estudando sobre contabilidade pública, descobri algo estarrecedor. Os Tribunais de Contas, criados (teoricamente) para fiscalizar as contas públicas e fazer um parecer (relatório) informando se estão bem ou não no sentido do cumprimento da Lei... bom, exemplifico num parágrafo do site wikipedia:

"instituição brasileira prevista na Constituição Federal para exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e administração indireta, quanto à legalidade, à legitimidade e àeconomicidade e a fiscalização da aplicação das subvenções e da renúncia de receitas.[1] . Auxilia o Congresso Nacional no planejamento fiscal e orçamentário anual. Tanto pessoa física quanto pessoa jurídica, seja de direito público ou direito privado, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária tem o dever de prestar contas ao TCU. Conforme o art. 71 da Constituição Federal o Tribunal de Contas da União é uma instituição com autonomia administrativa, financeira e orçamentária. O tribunal não está ligado diretamente a nenhum poder, o que faz com que seja um órgão independente. Sua independência é comparada à do Ministério Público, um órgão que não está ligado a nenhum poder e exerce sua função constitucional[2] ." Wikipedia
Bonito texto? Mas tem várias coisas que na acepção da palavra são lindas, mas na prática não e bem assim. Vamos analisar com calma: 

Compete ao TCU fiscalizar as contas do Executivo como parte de suas atribuições, o que se denomina "Parecer", ou seja, relatório contendo análise técnico-jurídica, que aprova ou não as contas da União certo? ERRADO! olhe: Atribuições TCU

Então, meu caro cidadão brasileiro, minha cara cidadã brasileira, preste bem atenção nessa imagem abaixo:








O que acontece na prática, é que quem JULGA o Parecer é o Legislativo... Atualmente Renan Calheiros, Eduardo Cunha... difícil aceitar mas se o Congresso é maioria governista, as tais supostas "pedaladas fiscais" vão ser credibilizadas

Esta foto acima mostra o momento em que é entregue um relatório preliminar para análise do Senado, mas o detalhe é que o Executivo "ganha tempo", ou pra maquiar as contas conforme o texto. Justificativas são bem vindas, mas devido ao alto indício de irregularidades qualquer cidadão brasileiro percebe que as contas do governo realmente não vão bem nessa administração

Detalhe: os técnicos dos Tribunais de Contas, salvo os presidentes que são indicados pelos Legislativos, são funcionários de carreira e de conduta ilibada na acepção da palavra. Nosso sistema jurídico dá poder ao TCU para fazer um trabalho de fiscalização criterioso, mas na hora da verdade? Será que a "maioria" do Congresso quer a verdade? Já aconteceu de vários relatórios terem sido entregues com sérios reprovamentos ao Executivo, mas o Legislativo se quiser "pôr panos quentes" põe e aperta para o cidadão a tecla do "nem aí"... 

Então apoiar o TCU é fundamental? Sim. Mas mais do que isso, pressionar os parlamentares a fazerem a coisa certa e acatarem o parecer técnico conforme o que for realmente analisado e não ficar nesse discurso de que, se as contas estão reprovadas, perseguição política é. 

O discurso do Advocacy, Controle Interno e Controle Social estão ainda teóricos ou incipientes. Mas como existe uma tendência mundial em termos de inovação, mais que necessária, primeiro acontecerá pró forma como hoje vemos, mas sejamos otimistas, façamos a nossa parte e quem sabe nossa próxima geração terá um país melhor. 



Por ANA PAULA STUCCHI





-Economista de formação;
-MBA em Gestão de Finanças Públicas pela FDC - Fundação Dom Cabral; e
-Atualmente na área pública.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

No Brasil das Crises - Educação, Mentiras e Pusilanimidade



No Brasil, vivemos tempos realmente, muito difíceis, há crises e isto é uma constatação. 

Crise de valores, de ética, com uma corrupção da qual jamais se imaginaria. Nem mesmo os gênios roteiristas e destemidos de Orson Wells ou de Steven Spielberg, conceberiam. 

Crise política que espera uma reforma urgentíssima da qual estamos desalentados e descrentes por não conseguirmos vislumbrá-la. 

Crise econômica numa fase recessiva e inflacionária para a qual muitos ainda não despertaram ou não quiseram fazê-lo. 

Crise do emprego com o crescimento do desemprego e com a falácia dos investimentos desenvolvimentistas. 

Crise na educação clamando por uma reforma educacional urgente no País, cujo governo escolheu por lema ser “Pátria Educadora” – Onde? Quando? Como? Não é possível perceber no vigente ‘status quo’. 

Crise habitacional e agrária com os sem-teto e os sem-terra, soltos e raivosos, invadindo e destruindo propriedades alheias com a máscara da vitimização dos ‘coitados’, míseros e desgraçados, acolitados pelo assistencialismo politiqueiro e eleitoreiro governamental que pretende mantê-los subjugados aos objetivos escusos do poder. 

Crise energética mascarada por um governo que se apresenta bom entendedor e gerenciador, porém, com políticas que estão destruindo o setor de energia ao invés de alavancá-lo. 

Crises, enfim. Será este momento crítico uma fatalidade? 

Dedicando-me a estudar as Obras do Mestre e pedagogo lionês, Hippolyte Léon Denizard Rival(1804-1869),autor de Obras especialíssimas, entre estas a Edição da Revue Spirite, Journal D’Êtudes Psychologiques (Janeiro/1858 a Dezembro/1869), aprendi que “Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea”. Isto tem pautado minha ética e conduta profissional, social e familiar desde sempre, “é preferível rejeitar dez verdades do que aceitar uma única mentira”.

Rivail foi Discípulo de Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), o pedagogo suíço cujas teorias criaram as bases do ensino primário moderno. Pestalozzi, por sua vez, foi Discípulo de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), escritor e filósofo suíço, considerado o grande renovador do sistema político e social de sua época e “pai da democracia moderna”, cujo lema, desde o princípio foi “dedicar sua vida à verdade”, a verdade do sentimento, do bom senso e do raciocínio lógico. 

O pensamento de Rousseau lançou um olhar novo sobre a educação dos indivíduos, pois, ensinava que “a educação do homem começa no nascimento; antes mesmo de falar ou antes de ouvir, ele já se instrui”. Defendendo a tese de que “o homem nasce livre”, Rousseau rejeitava toda autoridade apoiada sobre privilégios naturais ou sobre o direito do mais forte. 

Interessante observar que todos, sem exceção, desde governos e autoridades, formadores de opinião e pessoas simples do povo, falam da importância da educação, sem, contudo, terem a mínima ideia exata de tudo o que ela abarca. Paradoxalmente, existe um grande abismo entre o falar e o fazer. Neste abismo, há também os pontos escuros das individualidades adornadas pela pusilanimidade e pelo péssimo hábito das mentiras. 

A pusilanimidade é, a meu ver, um, dos piores adjetivos que a criatura pode alimentar em seu comportamento. A pessoa pusilânime é covarde, tem o ânimo fraco. A um caráter pusilânime falta firmeza e decisão. Euclides da Cunha, no clássico “Os Sertões”, anota: “Um contraste: a raça forte e íntegra abatida dentro de um quadrado de mestiços indefinidos e pusilânimes”. Ainda há mais, o pusilânime é medroso. Sobre o medo, uma anotação muito especial, encontramos sob a pena literária do humilde e saudoso exemplo do Homem de Bem, que em 2012 foi eleito “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”, em um concurso homônimo realizado pelo SBT e pela BBC de Londres, cujo objetivo foi "eleger aquele que fez mais pela Nação, destacando-se pelo legado altruísta à sociedade", Francisco Cândido Xavier, que escreveu: “o medo é força paralisante da Alma”

E o doentio hábito da mentira? É aviltante ouvir-se, seja de autoridade ou não, de alguém próximo a nós ou não, uma mentira. Quando isto ocorre nos sentimos no pior dos mundos, porque quem mente adultera, engana, finge, tripudia sobre a nossa confiança. Quem poderá, em sã consciência, sentir-se confortável perante um mentiroso? 

Na orientação para o comportamento ético e moral das criaturas, lê-se na Lei Mosaica do Antigo Testamento, a Lei Divina, promulgada no Monte Sinai. Esta Lei é invariável e apropriada aos costumes e ao caráter de um Povo em todos os tempos, na qual, entre os dez, o VI Mandamento determina: 

VI: “Não cometerás adultério”

A nível de adultério entre casais, há muito, isto deixou de ser algo que se fazia “às ocultas”, está banalizado, vulgarizado pelo cinema, pelas novelas, pela mídia, pelo comportamento de pessoas que acham que isto é até “normal”, e muitos estão transgredindo esta Lei Divina, porém, cada qual tem a sua consciência e deverá saber como se libertar deste imbróglio, afinal, o sentimento alheio merece respeito e consideração. 

Pretendo aqui me reportar a um outro tipo de adultério. Pensemos: o que significa ‘adulterar’? 

Significa alterar, falsificar, distorcer, corromper ou corromper-se, deturpar ou deturpar-se, viciar ou viciar-se, mudar, modificar, deformar, contrafazer. Tudo isto é sinônimo de ‘adulteração’ conforme os lexicógrafos. 

Desta forma, percebemos que, ainda que sejamos muito fiéis à esposa ou ao marido, ao companheiro ou à companheira, poderemos, pela falta de vigilância, pelo descuido e pela deseducação, adulterar com as coisas. Assim, quando mentimos adulteramos a verdade; quando iludimos corrompemos a confiança. Se no trabalho, na profissão, no cargo público ou privado, não cumpro com o meu dever, estou adulterando. Quando eu prego uma coisa e faço o contrário do que falei, também aí, estarei adulterando. Aquele dito popular: “faça o que eu digo, mas, não faça o que eu faço” é o coroamento vergonhoso do adultério sob todas as formas possíveis. 

São variáveis as situações que estão sujeitas à adulteração quando o indivíduo não age corretamente amparado pelos sistemas, da ‘Educação’, da ‘Moral’ e da ‘Ética’. 

A ‘Educação’ é a arte de formar caracteres. É a arte de formar os homens, ou seja, é a arte de fazer eclodir nas criaturas os gérmens da virtude e orientar para alijar os dos vícios. Educar é desenvolver a inteligência e dar instrução própria às necessidades. Em suma, educar é a meta, é o objetivo que deve consistir no desenvolvimento simultâneo das faculdades morais, físicas e intelectuais do Ser. Desta forma, ela não pode se restringir aos bancos escolares que têm, na verdade, a tarefa da instrução. A educação precisa ser trasladada das escolas e universidades para todos os campos das atividades humanas, onde cada qual, deve ser educador para a vida, sem se esquecer que está vinculado, àqueles que se transformam em seus seguidores conscientes ou não. São estes, os aprendizes dos recursos de que cada qual se faz portador. 

Assim, a ‘Educação’ é tarefa de todos nós e seu esforço não poderá jamais ser desconsiderado sob pena de permitir-se a anarquia, a estroinice, os estados de vandalismo, gerados pela deseducação ou pela educação deficiente e perniciosa. Educação, eis o que todos repetem, porém, quantos a praticam?! 

O segundo e o terceiro sistemas estão vinculados. Um é originário do latim ‘morale’, significa “a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal”. E o outro, ‘ética’, do ponto de vista racional, significando as normas de convívio e os valores de conduta. 

Os Pensadores distinguem “Moral” como um sistema mais antigo do que a “ética” e dizem que, como tal, aquela deverá ter vida mais longa que esta, pois, moral é tradicionalmente religiosa na qual se pressupõe uma origem do bem que é Deus e que nos dá regras claras, que se não forem seguidas, resultarão em consequências pelas quais deveremos responder dentro das responsabilidades que nos competem. Conforme exarado no Evangelho de São Mateus, 16, 27: “a cada um, segundo suas obras”. 

A “Moral”, é sabido, é extremamente importante para o caminhar da Humanidade. Sua parte racional, a ‘ética’ tem conotação de prioridade nos códigos de conduta humana. Foi Aristóteles, o célebre filósofo, grande pensador de Estagira, no norte da Grécia, e professor de Alexandre Magno, quem lançou, por sua vasta Obra, uma ética dedicada a seu filho, Nicômaco. Nesta ética Aristotélica, existe a ideia de que o primeiro princípio da ética é o equilíbrio, pois, o excesso ou a falta são destrutivos dos princípios humanos. Outro ponto a se destacar é o de que ser ético é o caminho seguro para a felicidade, porque, como disse outro filósofo, leitor de Aristóteles, chamado Etienne de Laboici no Século XVI: “os maus vivem em sobressalto e não têm amigos, apenas cúmplices. Os maus nunca ficam à vontade por que estão sempre achando que seu mal virá a descoberto”. Donde depreende-se que a ética é garantidora da consciência pacificada para um sono tranquilo, repousante, de quem vive ao lado da felicidade. 

Talvez, alguns brasileiros, nestes tempos de crises, fizessem o bem a si próprios, se se questionassem, humildemente: estarei feliz com a consciência pacificada e o sono tranquilo?! 

Convido-os, caros leitores, a refletirmos juntos em algumas situações passíveis de adulteração, caso as criaturas olvidem a educação, a moral e a ética: 

O pai ou a mãe que não cumpre seus deveres educacionais, éticos e morais perante seus filhos no Lar, constrange os ditames que a Sabedoria Divina lhes confiou. Citando apenas um exemplo que já presenciei com dissabor, uma família foi às compras. No supermercado, abriram os pacotes de doces, sempre olhando de soslaio, imaginando que não seriam vistos. Esconderam os pacotes vazios nas bolsas depois da degustação disfarçada e evitaram pagar pelo que consumiram, achando em sua ‘esperteza’ sinônimo de graça. 

Um dirigente, um comandante, um governante, um político, quando deixam de honrar seus dirigidos, seus comandados, seus governados, ou àqueles que lhes confiaram o mandato público, adulteram seus deveres. Aqui, me permitirei não fazer citações, uma vez que cada leitor atencioso poderá encontrar nas páginas do noticiário diário, fartos exemplos destes adúlteros. 

O legislador que faz da sua autoridade instrumento de opressão. O magistrado que não sustenta a justiça. O advogado que não preserva o direito. O administrador que não respeita a posse e o dinheiro a ele confiado para empregar os recursos no bem comum, com o devido discernimento. O chefe que foge à imparcialidade e à razão. Todos estes, deturpam, distorcem, malbaratam a humanidade e a generosidade. 

O operário, o lavrador, o comerciante e o comerciário, o dono de indústria e o banqueiro, quando, respectivamente, envilecem suas tarefas dissipando o tempo, destruindo a terra, quando visam lucro exorbitante e fácil em detrimento da fome e do sacrifício alheio, estão adulterando com o sagrado respeito. E o quê dizer daquele que nos diz, na caradura: “com nota fiscal é mais caro”...???!!! 

Em nosso País, presenciamos cotidianamente estes tremendos desconfortos morais. Não apenas por aqui, é fato, mas, aqui é o nosso torrão natal, onde desejamos nos sentir seguros e confortáveis, logo, estes comportamentos negativos nos incomodam sobremaneira. 

Governos Federal, Estaduais e Municipais, nos mentem em publicidades aviltantes pagas com o dinheiro dos nossos impostos. Estamos subjugados a um governo Federal do qual se diz foi legitimamente eleito, mas, duvidamos da contagem final dos votos realizados em secreto conforme noticiado por toda imprensa escrita e televisiva. Além de desconfiarmos muito do estelionato eleitoral que, comprovadamente, atestou a mentira de quem apregoou uma coisa acusando outrem de querer realizar aquilo que o acusador realizou com a maior desfaçatez. Pior, os engodos prosseguem sem limites e para citar apenas um dos mais recentes, o governo está gabando-se de tomar medidas que diminuirão os custos da energia elétrica no País. Ora, o que a imprensa governista não explica ao Povo iludido e que não tem ânsias de bem informar-se, é que haverá o fechamento das termoelétricas que estavam em funcionamento até agora, porque o consumo caiu enormemente por causa da crise recessiva que o Brasil experimenta, mas, isto, no máximo, reduzirá em 1% para o consumidor que já foi taxado com aumentos que variaram entre 50% e 80%. 

Vamos citar ‘Mensalão’, ‘Petrolão’ e outros ‘ãos’ que virão com Eletrolão, BNDES, Fundos de Pensão...?! Não. Vamos deixar aos especialistas. Apenas registrar que, primeiramente, tentou-se negar a existência desta roubalheira que estarrece o mundo por seu gigantismo e ousadia em tirar das empresas públicas propinas, somas vultosas e ‘pixulecos’ não menos dispendiosos, para a manutenção de “um projeto criminoso de poder” nas palavras de um dos preclaros Juristas, Ministro do Supremo Tribunal Federal. 

Seguindo em frente: 

O mestre, o professor que não honra sua cátedra ensinando construtivamente seus alunos, também adultera. 

O médico que negocia com as dores dos enfermos, adulterando a dignidade e o juramento da profissão. 

Neste particular, visitando uma parturiente, assustei-me quando soube que o médico que a acompanhou em toda a gestação, onde tudo ocorria nos conformes, informou-a que ele somente realizaria o parto se ela se decidisse pela cesárea, caso contrário, ela deveria procurar outro profissional... Não acreditei na desumanidade, pois, ele ‘adulterou’ matando, literalmente, toda a confiança que esta mãezinha depositou em sua assistência para receber o filhinho amado que viria à luz! 

O escritor, o poeta, o artista que olvidam que a inspiração deve ser fonte de luz para exaltação do gênio e da sensibilidade e viciam sua arte com a deturpação das verdades imorredouras do bem e do belo. 

Então, toda vez que a criatura corromper ou distorcer a verdade ao seu talante, ao seu bel prazer, estará adulterando com as coisas sagradas que lhe foram confiadas. Fico meditando, se não foi por tudo isto e muito mais que o Mestre Jesus vaticinou aos fariseus e aos saduceus que solicitaram d’Ele um milagre: 

“Quando vem a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado. E de manhã, hoje haverá tormenta porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis distinguir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos? Essa raça perversa e adúltera pede um milagre! Mas, não lhe será dado outro sinal senão o de Jonas! (...)” - Evangelho Segundo São Mateus, 16, 1-4. 

E mais adiante no versículo 6: “Guardai-vos com cuidado do fermento dos fariseus e dos saduceus”. 

Referindo-se, assim, claramente, que era preciso acautelar-se contra a doutrina daquela raça perversa e adúltera dos fariseus e saduceus. E nem todo mundo ali, enganava o marido ou a mulher, mas, O Mestre Jesus referia-se, certamente, àqueles que distorciam a verdade, que corrompiam, que deturpavam, adulterando as diversas facetas da vida. 

Ah, Brasil!! Observemos o que está proclamado em duas estrofes na letra do Hino do Rio Grande do Sul: 
“Mas não basta para ser livre Ser forte, aguerrido e bravo Povo que não tem virtude Acaba por ser escravo” 
“Mostremos valor, constância Nesta ímpia e injusta guerra Sirvam nossas façanhas De modelo a toda Terra”

Por MÔNICA MARIA VENTURA SANTIAGO

Monicaventura

-Advogada especializada em Direito de Família e Sucessões, Direito Internacional Público e Direto Administrativo.