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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Perspectivas da Economia no Brasil, a partir de 2027


 ©️2026 Eli dos Reis


Todos nós sabemos que falar de Economia para nossa população, não é coisa muito fácil. Não por quem aborda este assunto, pois, aqueles que se propõe a falar sobre, normalmente têm conhecimento do assunto, fazem pesquisas e as apresentam para fundamentar seus comentários e opiniões, mas, sim, pelo lado da população de um modo geral, e no caso daqueles que busco atingir, dos eleitores da renda mais baixa.

E, já entrando no assunto que busco comentar, a economia do Brasil, a partir de 2027, o que se vê no horizonte, não é coisa lá muito satisfatória. Alguns comentaristas, e articulistas de Economia, são unânimes em dizer que, seja quem for que se eleger, seja de esquerda ou de direita, terá que adotar medidas urgentes para o sistema não colapsar, ou, ser envolvido em uma séria crise, colocando o país em situação pior que a que enfrentamos no último governo Dilma, quando o país entrou em grandes dificuldades, que obrigou o Congresso Nacional a cassar seu mandato para estancar o caos que todos nós brasileiros enfrentávamos naquela ocasião.

No caso das pessoas físicas, estamos vendo avolumarem-se os brasileiros em situação de inadimplência (dividas não negadas, mas que não conseguem ser quitadas pelos devedores), pessoas em número considerável que detém mais de uma ocupação para poder sustentar suas famílias, e, um incrível número de pessoas que não querem trabalhar e não aceitam buscar empregos porque vivem de uma ou outra bolsa qualquer que o Governo Federal instituiu para uma parcela muito grande da população (em geral eleitores do governo).

No caso dos trabalhadores e brasileiros de menor renda, os que mais sofrem com esta realidade, já vemos lá na ponta do consumo, que a realidade dos trabalhadores brasileiros é marcada pela sobrevivência financeira e pelo malabarismo de contas. Os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) confirmam a percepção das ruas: o endividamento das famílias atingiu o recorde histórico de 81,6% dos lares. Embora o número de pessoas com o "nome sujo" (efetivamente inadimplentes na Serasa/SCPC) gire em torno de 30% a 38% das famílias — com foco severo nas classes de menor renda —, o endividamento geral (ter parcelas a vencer que comprometem a renda) já atinge a esmagadora maioria da população ativa.

Para explicar um pouquinho melhor, temos a seguir, três pontos de destaque nas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores:

  • A Armadilha do Cartão de Crédito: O principal vilão do orçamento familiar continua sendo o cartão de crédito, utilizado por quase 85% dos endividados. Em muitos casos, o cartão deixou de ser um instrumento de compra de bens duráveis e passou a ser extensão da renda para despesas básicas, como supermercado, farmácia e contas de consumo (água, gás de cozinha e luz). Quando o trabalhador não consegue pagar o valor total, cai nos juros rotativos, gerando o "efeito bola de neve";
  • Novas Pressões Financeiras: O cenário de 2026 traz um agravante socioeconômico: o avanço descontrolado dos gastos com apostas online (bets), que têm drenado uma fatia considerável da renda disponível de trabalhadores de baixa renda, competindo diretamente com a compra de alimentos e o pagamento de dívidas;
  • Vulnerabilidade Social: Entre as famílias que ganham até três salários-mínimos, o endividamento é ainda mais sufocante (passando de 84%). A renda real estagnada frente ao custo de vida faz com que mais de um terço dessas famílias atrase contas sistematicamente.
Mas isso pode piorar: para a partir de janeiro de 2027, as previsões são de que esse quadro deve piorar, o que colocará em grande dificuldade o governo do presidente que deverá assumir o país, após as próximas eleições. Seja ele de esquerda, ou seja, de direita. Pois, um ou outro, enfrentará um ano difícil, onde terá que adotar medidas que em nada satisfará a população.

Já no caso das empresas, ou seja, pessoas jurídicas, em dificuldades financeiras, o volume chega a ser brutal. Nosso país transformou-se em grande exportador de empresas para Paraguai, Uruguai e Argentina, três países que mais recebem empresários brasileiros que fogem dos elevados e inúmeros impostos estabelecidos pelos governos do partido do presidente atual.

Economistas há que alegam ser o nosso Brasil, o país com a maior carga tributária do mundo. Mas, pior que ser a maior carga tributária, é o caso destes impostos não darem em troca, melhores qualidade de vida, de saúde, segurança, educação e moradia, entre outras qualidades que são normalmente subsidiadas pelas arrecadações dos países.

O ambiente de negócios no Brasil atravessa um período de forte turbulência operacional e financeira. O principal indicador dessa crise é o patamar histórico de inadimplência corporativa, que atingiu a marca inédita de 9 milhões de CNPJ’s negativados em 2026.

Vamos ver a seguir um pequeno aprofundamento das situações por que passam as empresas:
  • Micro e Pequenas Empresas (MPE’s): Representando a imensa maioria dos negócios afetados, as MPE’s sofrem com a falta de capital de giro. Com o crédito bancário caro e escasso, recorrer a empréstimos tornou-se inviável para muitos, gerando um efeito dominó de contas atrasadas. Cada empresa inadimplente carrega, em média, sete dívidas em aberto;
  • Setores Mais Afetados:O setor de Serviços lidera as estatísticas de inadimplência (respondendo por mais de 55% dos casos), seguido de perto pelo Comércio. Como são segmentos altamente dependentes do consumo direto das famílias e que operam fortemente com vendas a prazo (B2B e B2C), a perda do poder de compra do consumidor bateu diretamente no caixa dessas empresas; e
  • Recuperação Judicial e Falências: O custo logístico, a alta carga tributária em transição e o peso das dívidas anteriores acumularam pressões que têm levado um número crescente de empresas de médio e grande porte a reestruturações forçadas e pedidos de recuperação judicial.
Como vimos até aqui, a situação do dia a dia dos brasileiros, trabalhadores e/ou empresários, não é nada confortável, e esse fato, este desconforto tem feito grande maioria daqueles que apoiavam o governo, aqueles do famoso faz o ele (ou fazuele, na crítica das ruas). Essa situação de dificuldades tem feito o governo adotar medidas extremamente eleitoreiras, visando melhorar sua posição nas pesquisas eleitorais e tentar ser eleito para mais um mandato.

Assim; para tentar mitigar a situação de superendividamento, o país conta com iniciativas de renegociação, como o redesenho do programa Desenrola Brasil; cancelamento de impostos, definidos como importantes para a arrecadação do governo federal, quando instituídos por ele mesmo, e agora julgado dispensável nas vésperas da eleições; instituição de gás de graça para aqueles de baixa renda; entretanto, o alívio definitivo para trabalhadores e empresas ainda depende de uma flexibilização sustentável das taxas de juros e da recuperação real do poder de compra nacional.

Assim, tudo que foi comentado até aqui tem o poder de colocar em desespero o governo que quer se reeleger mais uma vez, mas que enfrenta adicionalmente mais duas situações dificílimas, qual seja o elevado número de escândalos financeiros, numa corrupção sem limites, e, o crescimento super expressivo do eleitorado evangélico, que historicamente não vota na esquerda. Assim, quanto maior o número eleitores evangélicos, maior será a fuga de votos favoráveis.

Como o objetivo deste artigo não é o de falar de eleições, e sim de aspectos atuais da nossa Economia, vou deixar a seguir, como ilustração, um quadro que mostra a evolução dos eleitores evangélicos, no período de 2005 a 2025.

Resumo Comparativo da Proporção do Eleitorado Evangélico (Estimativa)

Ano       No Brasil (Proporção  No Estado de SP(Proporção
                                                     aproximada)

2005       ~18% a 19%                        ~17%

2015       ~25% a 27%                        ~ 24%


2025        ~31% a 34%                        ~28% a 31%

Assim, como comentamos, neste segundo semestre de 2026, o cenário econômico brasileiro distancia-se das narrativas alarmistas de colapso institucional ou ideológico, mas enfrenta desafios severos e estruturais no âmbito microeconômico. A combinação de juros reais elevados e inflação persistente sobre itens básicos criou um ambiente de asfixia financeira que atinge simultaneamente o setor produtivo e o orçamento das famílias. Mas, como muitos analistas preveem situações mais complexas a partir de janeiro do próximo ano, 2027, resta a nós, brasileiros otimistas, continuar torcendo para que as próximas eleições nos tragam um novo Congresso Nacional, que junto ao novo Presidente que for eleito, consiga colocar nosso País, e nossa Economia nos trilhos.

Vamos em frente!

ELI DOS REIS
















-Graduado em Economia pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da UMC-SP (1974); 

-Especialista em Gestão Empresarial pela Universidade Paulista UNIP (2012); 

-Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância pela Universidade Federal Fluminense (2017);

-Consultor Empresarial e de Vendas, além de Corretor de Imóveis credenciado pelo CRECI-SP;

- Presidente do Lar dos Velhos da Igreja Presbiteriana  e 

-Primeiro Secretário do GACC Grupo de Apoio à Criança com Câncer .

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Aprovar o PL 4133 é transformar política industrial em política de Estado


 

©️2026Haroldo da Silva

Ao longo de A Ilusão Neoliberal da Indústria[1], sustento que um dos maiores equívocos do debate econômico brasileiro foi tratar a política industrial como se fosse um desvio da boa técnica, quando, na verdade, toda trajetória de desenvolvimento bem-sucedida esteve associada à presença ativa de instituições capazes de coordenar investimentos, induzir inovação e organizar o futuro produtivo.

A suposta neutralidade defendida pelo receituário neoliberal jamais existiu na prática. O que houve, historicamente, foi a substituição de uma política industrial explícita por uma política industrial implícita, frequentemente regressiva: juros estruturalmente elevados, câmbio volátil, fragilidade dos instrumentos de financiamento de longo prazo, desarticulação entre comércio exterior e inovação, além de compras públicas incapazes de operar como alavanca de transformação produtiva. Em vez de neutralidade, o que se consolidou foi uma seleção silenciosa contra a indústria.

É exatamente por isso que a aprovação do PL 4133 representa um passo institucional decisivo para o Brasil. O projeto estabelece diretrizes permanentes para a formulação da política industrial, tecnológica e de comércio exterior, obrigando cada governo a apresentar, no primeiro ano de mandato, objetivos, metas, instrumentos e indicadores de acompanhamento, com prestação anual de contas ao Congresso Nacional. Em outras palavras, a proposta retira a política industrial do terreno da improvisação episódica e a insere na esfera do planejamento republicano, com governança, previsibilidade e controle institucional.

Esse ponto é central. Um dos problemas crônicos da economia brasileira tem sido a descontinuidade. A cada mudança de governo, programas são interrompidos, prioridades são redefinidas e cadeias produtivas perdem horizonte de investimento. O resultado é conhecido: baixa densidade industrial, menor sofisticação tecnológica, perda de complexidade econômica e crescente reprimarização da pauta exportadora.

O PL 4133 enfrenta essa fragilidade ao criar um marco legal que transforma a política industrial em política de Estado, e não apenas de governo. Essa distinção é fundamental para setores intensivos em capital, inovação e maturação longa, nos quais decisões empresariais dependem de estabilidade regulatória e horizonte previsível.

Outro mérito estratégico do projeto é reconhecer que a política industrial contemporânea não pode ser confundida com modelos do passado. O texto incorpora, corretamente, elementos como descarbonização, transição energética, inovação tecnológica, serviços avançados e redução das desigualdades regionais. Trata-se de uma visão moderna de desenvolvimento produtivo, compatível com as novas disputas globais por tecnologia, semicondutores, defesa, saúde, sustentabilidade e segurança econômica.

O mundo desenvolvido já compreendeu esse movimento. Estados Unidos, União Europeia e China operam, cada um à sua maneira, com políticas industriais explícitas, conectando financiamento, regulação, compras governamentais, conteúdo local, defesa comercial e inovação. O Brasil não pode permanecer preso à ilusão de que o mercado, sozinho, produzirá espontaneamente sofisticação produtiva em um ambiente internacional marcado por subsídios, guerras tecnológicas e reorganização das cadeias globais de valor.

Sob a ótica do meu livro, a importância do PL  4133 está justamente em romper com essa ilusão. Ele reconhece, no plano legal, que desenvolvimento exige coordenação institucional, visão estratégica e instrumentos permanentes de execução. Mais do que incentivar setores específicos, o projeto organiza as bases para que o Estado brasileiro atue como indutor de capacidades produtivas, tecnológicas e exportadoras.

Há também um aspecto republicano de grande relevância: a exigência de metas e prestação de contas ao Parlamento. Isso eleva a qualidade do debate público, permite mensuração de resultados e reduz o espaço para políticas dispersas, pouco avaliadas ou desarticuladas entre si. O planejamento deixa de ser uma carta de intenções e passa a ser objeto de monitoramento institucional.

Em um contexto de neoindustrialização, digitalização, transição verde e competição geoeconômica, o Brasil precisa abandonar o improviso e consolidar uma arquitetura de Estado capaz de sustentar estratégias de longo prazo. Aprovar o PL 4133 significa exatamente isso: dar previsibilidade ao investimento, integrar instrumentos de política pública e reconstruir a capacidade nacional de formular desenvolvimento.

Não se trata apenas de um projeto legislativo. Trata-se de um marco civilizatório para reposicionar a indústria no centro da estratégia nacional.

REFERÊNCIA

[1] SILVA, Haroldo da. A ilusão neoliberal da indústria: como detentores do capital simbólico e financeiro mudaram da posição de dominantes para a de dominados, contribuindo para a desindustrialização precoce do Brasil. Chapecó: Diálogo Freiriano, 2024.

HAROLDO DA SILVA



  • Graduação em Economia  pela UNIB (1999);
  • Doutor em Ciências Políticas pela PUC-SP (1999);
  • Mestre em Desenvolvimento Econômico pela UFPR(2002);
  • Especialista em Direito Tributário (IICS) e em Direito Econômico pela FDR-USP (2008);
  • Bacharel em Economia, Ciências Sociais Aplicadas (2023);
  • Graduado em Direito pela FMU (2018);
  • Presidente do Corecon-SP
  • Autor do Livro: A Ilusão Neoliberal da Indústria
  • LinkedIn | Top Voice
  • Currículo Lattes
  • ORCID

segunda-feira, 9 de março de 2026

Por que as taxas de juros são tão altas no Brasil?


 
@Rafael de Castro Perez

Uma das questões que mais intrigam e geram debates entre economistas de diferentes correntes de pensamento é a pergunta que dá título ao presente texto. 

O Brasil tem um histórico de taxas de juros bastante elevadas quando comparadas ao resto do mundo. Nos últimos vinte anos os juros ficaram em média próximos de 11%-12%, muito acima dos padrões internacionais.

Explicar o porquê disso é um dos maiores desafios para os economistas, já que envolve diversos aspectos e a própria estrutura da nossa economia. 

Países emergentes, como o Brasil, possuem uma tendência "natura" de juros mais altos do que países avançados. Os riscos e problemas enfrentados, como inflação mais elevada, instabilidade econômica e política, fazem os bancos centrais manterem juros mais elevados e investidores demandarem um prêmio de risco maior para compensar essa maior incerteza. 

Porém, o caso brasileiro, chama atenção pelo fato de termos uma das taxas de juros nominais e reais mais elevadas do mundo, bem acima de seus pares emergentes. 

Um ponto que está bastante presente nessa discussão é a baixa eficácia da política monetária no Brasil. Os juros brasileiros seriam altos pelo fato de os mecanismos de transmissão da política monetária estarem parcialmente obstruídos, diminuindo sua efetividade.

Os mecanismos de transmissão correspondem ao canal através do qual as decisões da autoridade monetária são transmitidas sobre a atividade econômica e a inflação. Esses canais são o mercado de crédito, os juros praticados pelos bancos para empréstimos e outros produtos.

Logo, quanto maior a dificuldade de a Selic influenciar as taxas desses canais, menor será a efetividade da política monetária em afetar o consumo, os investimentos e, consequentemente, os preços.E quando olhamos para o mercado de crédito no Brasil duas características acabam afetando essa transmissão:

Peso elevado do crédito direcionado: esta modalidade tem regras definidas pelo governo, pratica juros subsidiados e abaixo do mercado, além de ser destinado para setores ou atividades específicas – habitacional, rural, infraestrutura e microcrédito.  Como ela é subsidiada, acaba não sendo impactada de forma relevante por alterações na taxa Selic e

 Spread bancário: a diferença entre as taxas cobradas pelos bancos e a taxa básica da economia é muito mais altas que dos países com economias próximas à brasileira. No caso do cheque especial e do cartão de crédito elas são tão elevadas que reduções da Selic pelo Banco Central tem efeitos marginais sobre as taxas praticadas nesses produtos.

Dessa forma, como uma parcela relevante do mercado de crédito é pouco afetado pela taxa Selic, a autoridade monetária precisa aumentar muito mais os juros para que os efeitos sejam sentidos na demanda e na inflação.Para aumentar eficiência dos mecanismos de transmissão da política monetária, seria necessário a adoção de medidas que reduzam os spreads bancários – como diminuir a concentração bancária e insegurança jurídica – e vinculem as taxas do crédito direcionado à Selic.Importante destacar a relação entre os déficits fiscais sucessivos e a alta dívida pública brasileira e como isso afeta as taxas de juros. 

Os elevados riscos fiscais e as incertezas em torno da sua sustentabilidade no médio e longo prazo, fazem o mercado exigir prêmios de risco maiores. O que torna necessário juros mais elevados para atrair compradores dos títulos públicos que financiem os déficits fiscais e a rolagem da dívida pública.

Em suma, o debate sobre o nível elevado da Selic no Brasil revela a complexidade do tema e que não há uma só causa. A baixa potência da política monetária se mostra como reflexo dos problemas no mercado de crédito, os spreads bancários, os riscos fiscais, a falta de previsibilidade da dívida pública, entre outros motivos. 

Se queremos caminhar para um país com taxas de juros mais baixas e apertos monetários menos rígidos para se combater a inflação, precisamos criar as condições para isso, ou seja, aprimorar o arcabouço fiscal e monetário e destravar canais importantes de transmissão da taxa Selic para o crédito, atividade e inflação.

 * RAFAEL DE CASTRO PEREZ








- Graduação em Relações Internacionais pela Unesp (2012);

- Graduação em Economia pela Unicamp (2018); e 

- Mestre em Economia pela USP (2022)

 Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O Papel dos Indicadores Econômicos e Sociais nas Políticas Públicas


 @Roberto Bassi Ribeiro Soares



Introdução

Este ensaio tem como objetivo, transmitir aos seus leitores, algum conhecimento acerca da importância dos indicadores econômicos e sociais na formulação das políticas públicas colocadas em prática pelos governos, seja em âmbito federal, estadual ou municipal.

Mas antes de tratarmos de sua importância, é preciso que os leitores entendam a importância da atuação governamental, por meio de suas ações.

1. Você sabe a diferença entre crescimento e desenvolvimento econômico?

Crescimento e desenvolvimento econômico são dois conceitos bem parecidos, mas distintos!

Podemos dizer que ocorreu o crescimento econômico quando verificamos o aumento da riqueza de uma nação, um estado ou município, em função, por exemplo, do aumento de suas receitas por meio do comércio com outros mercados, ou seja, quando as exportações superam as importações, em termos econômicos. Então, com mais dinheiro entrando, do que saindo, atingimos o crescimento econômico.

Essa é uma situação almejada por todos os governos ao redor do planeta; no entanto, ela considera apenas o enriquecimento, em termos monetários daquele mercado específico, sem considerar um outro aspecto, muito importante, que é a melhoria da qualidade de vida da população.

Então, quando falamos de aumento da qualidade de vida, dos níveis de bem estar de uma população, estamos nos referindo ao que, em economia, chamamos de desenvolvimento econômico! Isso acontece porque a renda gerada pelas atividades econômicas não ficou concentrada apenas nas mãos das famílias que controlam o capital privado, mas, em partes, também foi distribuído entre a população, elevando seu poder de compra e, assim, sua qualidade de vida.

Vale lembrar que pode ocorrer o crescimento econômico, sem que haja o desenvolvimento econômico, mas no longo prazo, não há como se sustentar o desenvolvimento econômico, sem o crescimento econômico, pois as políticas públicas, em suas diferentes formas de atuação, devem ser custeadas por alguma fonte de financiamento, e, sem os recursos necessários, se tornam insustentáveis, ou até mesmo, inviáveis de serem implantadas.

2. E as falhas de mercado, você sabe o que são?

Antes de falarmos sobre as falhas de mercado, é preciso que o leitor compreenda que as necessidades humanas são infinitas, que tendem a se tornar mais complexas a cada dia e que, por sua vez, os recursos disponíveis para que possamos atende-las são finitos. Esse quadro descreve bem aquilo que em economia damos o nome de Lei da Escassez.

Então, agora ficou mais fácil entender que o aumento progressivo da satisfação das necessidades da sociedade, ou seja, para que haja o desenvolvimento econômico, é preciso que se conquiste o crescimento econômico. A esse respeito, Vilfredo Pareto[1] afirmava que o bem-estar de uma sociedade é obtido quando se atinge o equilíbrio geral em uma economia, que, por sua vez, depende de diversos fatores.

É nesse contexto que passamos a considerar as chamadas falhas de mercado, que são aqueles fatores que impossibilitam, ou que ao menos dificultam a busca pela situação de equilíbrio, sobretudo no que diz respeito à produção e distribuição de bens, serviços e recursos em meio a uma sociedade.

Mas como conseguimos contornar os impactos das tais falhas de mercado, fazendo com que se alcance a situação de equilíbrio econômico, e, consequentemente, se avance na busca e preservação do desenvolvimento econômico?

Como seu próprio nome diz, não sem um motivo, esses fatores são conhecidos como falhas de mercado; isto é, o livre mercado não se mostra capaz de atender às necessidades da sociedade como um todo, pois não produz os bens e serviços necessários para tanto em quantidade suficiente, ou não distribui adequadamente entre a sociedade os recursos necessários à sua obtenção. Então, nesse cenário, torna-se necessária a ação governamental, no sentido de tentar ampliar o acesso aos bens e serviços mais urgentes, principalmente às camadas mais necessitadas da sociedade[2].

Mas como o governo consegue saber onde e como deve utilizar seus recursos, em busca da superação das falhas de mercado e alcance do equilíbrio econômico? A resposta para essa pergunta é: através das políticas públicas, elaboradas com base nas informações relevadas pela interpretação dos indicadores econômicos e sociais, que veremos logo a seguir.

3. Vamos falar um pouco sobre os instrumentos de políticas públicas?

Vimos anteriormente, que a atuação governamental é de fundamental importância para que as economias possam seguir em busca do equilíbrio e da satisfação das necessidades sociais, promovendo a melhor distribuição de renda, bem como de bens e serviços em meio à sociedade.

Então, para isso, o governo tem à sua disposição todo um ferramental de políticas econômicas, que pode ajudá-lo nessa busca, mas antes disso, é preciso que ele identifique quais são, e onde estão os problemas prioritários, de forma a não gastar seus recursos (finitos), inadequadamente.

É aí que entram os indicadores econômicos sociais, cuja finalidade é justamente fornecer informações que serão analisadas e que, a partir daí, servirão de base para a elaboração das políticas públicas, tais como política de saúde, educacional, de habitação, de transporte público, geração de empregos, saneamento básico, produção e distribuição de alimentos, entre outras tantas.

4.E quanto aos indicadores econômicos e sociais, de quais deles você já ouviu falar?

Como vimos anteriormente, se de um lado, as necessidades humanas (e sociais) são infinitas, e ainda tendem a se tornarem mais complexas, de outro, os recursos que temos à nossa disposição para atendê-las são finitos. Mais ainda, para dificultar a busca pela satisfação das necessidades sociais, as economias sofrem com os impactos das chamadas falhas de mercado, que dificultam o avanço nesse processo.

Então, como vimos, a ação governamental se torna algo extremamente importante, mas seus recursos também não são inesgotáveis, de modo que devem ser empregados de maneira adequada, por meio das políticas públicas, pois caso não sejam, esses recursos poderão ser utilizados inutilmente, não atendendo a quem, de fato, necessita de sua ajuda.

Então, para que esses recursos não sejam aplicados de maneira, digamos, "equivocada", existe um número significativo de indicadores, que nos mostram quais são os principais problemas da sociedade e que devem ser combatidos prioritariamente.

Esses indicadores revelam não apenas o desempenho de atividades produtivas em uma economia, como também seus efeitos desse desempenho sobre o equilíbrio econômico e o bem-estar social, e, a partir dos dados apresentados por esses indicadores, é que se planeja como serão estruturadas as políticas públicas.

Estruturadas as políticas públicas e colocadas em prática, seus resultados devem ser constantemente monitorados, para que se possa verificar se as medidas adotadas causaram os efeitos desejados, ou não. Se o resultado for positivo, deve-se preservar as ações, até que se alcance o resultado desejado, mas se for negativo, deve-se buscar identificar os erros e corrigi-los.

Aqui, não há espaço para os detalharmos mais a fundo, o que seria objeto de um outro ensaio, mas dentre os principais indicadores econômicos e sociais, temos o Produto Interno Bruto (PIB), Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), Taxas de Câmbio, Taxas de Juros, Taxas de Inflação, População Economicamente Ativa (PEA), Taxas de Emprego e Desemprego, Produtividade do Trabalho, Índices de Distribuição e Concentração da Renda, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Carga Tributária, Matriz Insumo-Produto, entre outros tantos.

Por fim, podemos dizer que dependendo da corrente ideológica dos governantes, veremos uma maior, ou menor participação das políticas públicas na busca pelo equilíbrio econômico e social. Alguns defendem o ideal de que o livre mercado possui seu próprio mecanismo de autorregulação, enquanto que outros contestam esse pensamento, alegando que o livre mercado levará apenas à maior concentração da renda, e redução da qualidade de vida da sociedade, de forma que, dessa forma, defendem a maior presença do Estado na economia.

O objetivo deste breve ensaio não foi doutrinar o leitor quanto à nenhuma corrente do pensamento, mas levar conhecimentos técnicos e práticos, sobretudo ao leitor leigo em assuntos econômicos, presentes em nosso cotidiano. Para maiores esclarecimentos, há vasta bibliografia acerca desse tema, entre outros meios de acesso à informação, que vale à pena ser consultada.

REFERÊNCIAS

[1] Vilfredo Pareto foi um Economista e pensador italiano, nascido em 1848 e que faleceu em 1923, cujos estudos em economia foram de grande contribuição ao pensamento econômico;

[2] Aqui, é importante ressaltar que a atuação governamental dependerá diretamente do pensamento socioeconômico predominante nos governantes, podendo, num dado momento, priorizar as camadas menos abastadas, e, em outro, restringir-se à oferta de serviços básicos, como justiça, segurança pública, etc.


*ROBERTO BASSI RIBEIRO SOARES


















-Economista graduado pela Pontifícia Universidade Católica - PUC-SP (1994);
- Mestrado pela Pontifícia Universidade Católica - PUC-SP (2004);
-Atua há mais de 10 anos como Perito Econômico-Financeiro; 
-Tem ainda experiência na área comercial como Hunter e Farmer e, na organização da área financeira em micoempresas e MEI's;
 e
-Foi Professor Universitário por mais de 20 anos em disciplinas de Cursos em Ciências Econômicas e Administração.

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

A Relação entre o Aumento da Taxa Selic e os Juros da Casa Própria


 @ Paulo Roberto Silva Santos


Um sonho que pode se tornar um grande pesadelo para o mutuário da casa própria. Costumo dizer, no sentido figurado: "Minha Casa, Minha Vida: Um Sonho ou Pesadelo?"

Nos últimos anos, temos percebido no bolso a sensação de que nosso dinheiro não está valendo nada, ou seja, estamos vivenciando a perda do valor da moeda. Mas o que isso tem a ver com as taxas de juros da casa própria? Infelizmente, tem tudo a ver. Primeiro, vamos entender o que é inflação. 

Inflação é a perda do valor da moeda em termos simples. No conceito econômico, é definida como "o aumento generalizado e sustentado dos preços de bens e serviços, o que resulta na diminuição do poder de compra da moeda" (Google). 

Exemplo prático: 

Se hoje, com R$ 100,00, é possível comprar quatro pacotes de arroz a R$ 25,00 cada, no mês seguinte, os mesmos R$ 100,00 podem comprar apenas três pacotes. Ou seja, a mesma quantia de dinheiro compra menos produtos, refletindo uma inflação de 33,33%. O pacote de arroz que custava R$ 25,00 passa a custar R$ 33,33. 

Com o aumento da inflação, o Banco Central do Brasil tem a responsabilidade de elevar a Taxa Selic para conter os aumentos futuros. Esse mecanismo é chamado de Política Monetária, uma das ferramentas utilizadas para conter o aumento generalizado dos preços. A consequência direta disso é o aumento da Taxa Selic, que afeta tanto os empréstimos de curto prazo quanto os de longo prazo. Um exemplo de empréstimo de longo prazo é o financiamento da casa própria. 

O impacto da Taxa Selic no financiamento imobiliário 

Em março de 2022, um mutuário que decidiu comprar um imóvel financiado pela Caixa Econômica Federal contratou um financiamento pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). 

O SBPE é uma linha de crédito com recursos oriundos dos depósitos em poupança. Geralmente, suas taxas de juros são mais altas que as do financiamento via FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), conhecido como Pró-Quotista. Infelizmente, essa linha de crédito é de difícil acesso, pois os bancos raramente a oferecem devido à sua menor rentabilidade tanto para a instituição quanto para seus gerentes. 

Simulação do impacto do aumento da Taxa Selic 

Contrato SBPE: 

Data: 22/03/2022 
Valor financiado: R$ 300.000,00 
Taxa de juros: 8,37% a.a. 
Prazo do financiamento: 420 meses 
Valor da 1ª parcela: R$ 2.806,79 

Cenário da Taxa Selic

Março de 2022: 13,75% a.a. 
Março de 2025 (previsão): 14,25% a.a., podendo chegar a 16% a.a. 
Diferença: 0,50 ponto percentual 

Um aumento de 0,50 ponto percentual na taxa média de financiamento representa um acréscimo de cerca de R$ 27.891,25 em juros em um financiamento de R$ 300.000,00 pelo prazo de 35 anos (tabela SAC). 

Agora, vejamos o impacto do aumento acumulado da taxa de juros do SBPE entre 2022 e 2025: 

• Março de 2022: 8,37% a.a. 
Atualmente: 10,74% a.a. 
Aumento: 2,37 pontos percentuais

Este acréscimo de 2,37 p.p. representa um impacto significativo no saldo devedor do mutuário. Com esse aumento, o valor total pago em juros durante o período de financiamento sobe em R$ 124.721,25. Esses valores referem-se somente aos 2,37pp, incluído os 8,37%aa. Pois, é! Um absurdo de juros a serem pagos. Ou seja, a bagatela de R$ 565.192,50 só de juros. 

 Conclusão 

O aumento das taxas de juros tem inibido a busca por financiamentos para a compra da casa própria. Nesse cenário, o aluguel pode ser a opção mais vantajosa no curto prazo. Com o financiamento caro e o aluguel relativamente mais barato, uma estratégia inteligente é economizar a diferença entre a prestação de um financiamento e o valor do aluguel. Dessa forma, no futuro, será possível dar uma entrada maior e reduzir significativamente os juros pagos ao banco na aquisição do imóvel. 

PAULO ROBERTO SILVA SANTOS

















-Graduado em Economia pela Faculdade de Economia, Finanças e Administração de São Paulo (1989);

-Pós-graduado em Finanças pela FECAP (1994);

.-Coordenador dos Cursos de Administração - Comércio Exterior e Tecnólogo em Logística no UNIFIEO - Centro Universitário;

-Professor do MBA Internacional IPT/USP em Gestão de Tecnologia e Inovação, ministrando a disciplina "Gestión Emprendedora y de la Creatividad";

-Economista-Chefe da Um Ótimo Empreendedor Consultoria Empresarial;

-Perito Econômico-Financeiro e Economista habilitado para projetos de desenvolvimento junto à Nossa Caixa Desenvolvimento;

-Professor selecionado pela B3 e pela CVM Educacional para disseminar o livro TOP Planejamento Financeiro Pessoal. • Orientador do Telecurso 2000;

- Especialista em Elaboração de Planos de Negócios, com mais de 140 planos desenvolvidos, dos quais 35 a 40 resultar

Nota do Editor:

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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Os Avanços e Recuos da Taxa de Desemprego no Brasil

 

    




Autora:Gerusa Coutonho Ramos (*)

As políticas econômicas executadas pelo governo federal, tais como: política monetária e política tributária são fundamentais na política de emprego e na redução da taxa de desemprego, como também na compreensão da conjuntura econômica do período (mês, trimestre e ano), sendo decisiva para o resultado da taxa de desemprego.

A taxa de desemprego no Brasil é denominada de taxa de desocupação pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), instituição responsável pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada desde o primeiro trimestre de 2012, tendo o respaldo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Na metodologia da PNAD Contínua, pesquisa da taxa de desocupação pelo IBGE, a definição de desemprego é determinada por pessoas, com idade apta para o trabalho, acima de 14 anos, na condição de procura de emprego e sem trabalho. Porém, os estudantes, as donas de casa e os empreendedores não são componentes da taxa de desocupação.

A PNAD Contínua apresenta a taxa de desocupação, composta por pessoas sem trabalho na semana da pesquisa, e aquelas que procuram trabalho no período de trinta dias, dispostas a assumir um emprego. O desalento é medido por pessoas desistentes da busca por emprego nos últimos 12 meses, pois procuraram emprego e não conseguiram. Enquanto a taxa de sub ocupação é estabelecida por pessoas que trabalham com uma carga horária insuficiente a jornada de 40 horas semanais.

A economia brasileira sofreu um impacto negativo na execução das políticas macroeconômicas a partir de 2020, em função da pandemia da Covid-19. Portanto, um período atípico que precisa ser considerado no resultado da taxa de desemprego nos anos de 2020 e 2021.

Em 2019, a conjuntura econômica brasileira possui um quadro de crescimento econômico de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme Sistema das Contas Nacionais do IBGE, seja a produção de bens e serviços na economia no território nacional, com movimentação de recursos financeiros no total de 7,389 trilhões de reais. Houve um crescimento econômico do nível de investimento de 15,5% e um nível de elevação de 2,6% no consumo das famílias (IBGE, 2019).

Os períodos de crescimento econômico de 1,2% (2019), 1,8% (2018) e 1,3% (2017) foram insuficientes, diante da queda no PIB de 6,7%, de 2015 a 2016. A taxa média de desocupação medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2019, foi de 11,9%, uma redução, se comparada ao ano de 2018, de 12,3%.

Em 2020, a pandemia da Covid-19 afetou a economia mundial e a economia brasileira, devido à necessidade de cumprimento das medidas de restrições e isolamento social, seja de fechamento temporariamente de indústrias, de comércio e de serviços.

A taxa de juros Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é um instrumento da política monetária executada pelo Banco Central do Brasil. Em fevereiro de 2020, estava em 4,25% ao ano, caiu para 2,00% em agosto, e permaneceu até 17 de março de 2020, quando voltou a subir, atingindo o patamar de 9,25% (dez/2021). A pandemia da Covid-19 provocou uma retração na atividade econômica, uma queda no PIB de 3,3% em 2020 (IBGE, 2020).

A taxa de desocupação subiu para 13,5%, o maior índice da série histórica, desde 2012, quando a pesquisa foi iniciada. Em 2020, a taxa de desocupação caiu para 13,8%, após ter atingido 14,6% (3º trim.), com retração em cinco estados, e se manteve estável nos demais estados. A Bahia e Alagoas apresentaram taxas mais altas de 20%, e o Rio de Janeiro de 19,4%. As menores taxas de desocupação foram em Santa Catarina de 5,3%, Rio Grande do Sul, de 8,4%, e Mato Grosso do Sul, de 9,3%.

No quesito sexo, a taxa de desocupação, em 2020, foi de 11,9% para homens, e 16,4%, entre mulheres, fato que demonstra um desemprego maior para às mulheres. Na cor ou raça, às pessoas pretas possuem uma taxa de desemprego elevada, acima da taxa média de desocupação, com 17,2%, e às pessoas pardas, de 15,8%. Os jovens foram bastante afetados, com taxa de desocupação de 42,7%, para a faixa etária de 14 a 17 anos, e 29,8%, para a faixa etária de 18 a 24 anos. Enquanto a faixa etária de 25 a 39 anos, com uma taxa de 13,9%.

No aspecto da escolaridade, a taxa de desocupação destaca que as pessoas com ensino médio incompleto possuem uma taxa mais elevada, de 23,7%. As pessoas com curso superior incompleto tiveram a taxa de desocupação de 16,9%, um resultado maior que o dobro, com relação às pessoas, com nível superior, de 6,9%. É perceptível, em 2020, a taxa de desocupação foi maior para às mulheres, às pessoas pretas, os mais jovens, e às pessoas com menor nível de escolaridade.

Em 2021, a conjuntura econômica apresentava uma taxa Selic de 9,15%, bem mais elevada, com relação ao ano de 2020 (1,90%). A inflação medida pelo IPCA estava em 10,06%, mais alta, e a taxa de desocupação em 13,2%. Em 2021, a conjuntura econômica apresentou impactos negativos, provenientes da pandemia da COVID-19 (IBGE, 2021).

A taxa média de desocupação foi de 13,2%, em 2021, uma queda de 0,6%, com relação ao ano de 2020. Os setores da economia, com maior geração de empregos foram: construção civil, comércio, serviços de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, administrativa e indústria geral. O setor de serviços obteve queda no nível de ocupação, principalmente serviços domésticos, alojamento e alimentação.

Os estados de Amapá, Bahia e Pernambuco apresentaram a maior taxa de desocupação no quarto trimestre de 2021. Os estados de Santa Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul obtiveram às menores taxas.

A taxa de desocupação, por sexo, no quarto trimestre de 2021, foi de 9,0% para homens e 13,9% para mulheres. Por cor ou raça, os brancos tiveram uma taxa de desocupação bem inferior de 9,0%, se comparado a taxa dos pretos de 13,6%, e os pardos de 12,6%. Por idade, os jovens na faixa etária de 18 a 24 anos, tiveram a maior taxa de desocupação, de 22,8%. A faixa etária de 25 a 39 anos, com 10,1%. De 40 a 59 anos, de 7,2%. Já os 60 mais, uma taxa menor de 4,4%. No nível de escolaridade, a taxa de desocupação, em 2021, mostra um resultado elevado de 18,4%, para a população com ensino médio incompleto, a taxa cai para 11,8% no nível superior incompleto, e uma taxa ainda menor de 5,2% no superior completo.

Em 2022, a conjuntura econômica brasileira demonstra uma alta da taxa Selic para 13,65%, se comparado ao ano anterior. A inflação de 5,79%, com uma queda, pois em 2021 esteve em 10,06%. A taxa de desocupação foi de 9,3%, portanto houve uma queda (IBGE, 2022).

Os dados de 2022 representam que existe uma recuperação da economia, se comparada ao ano anterior que sofreu, com efeitos da pandemia da COVID-19. Trata-se do melhor resultado da série, desde 2014. Houve um aumento da população ocupada de 7,4%, com relação a 2021. A taxa de desocupação corresponde a 6,7 milhões de pessoas desempregadas. Os setores da economia que mais empregaram, em 2022, foi o comércio, reparação de veículos automotivos e motocicletas, além do setor de alojamento e alimentação. A taxa de desocupação do IBGE, calculada por sexo, identifica aqui 6,5% dos homens, como desempregados, e 9,8% das mulheres. Quanto por cor ou raça, houve uma redução da média nacional da taxa dos brancos para 6,2%, enquanto os pretos uma taxa bem mais elevada de 9,9%, e os pardos de 9,2%.

Na PNAD Contínua do quarto trimestre de 2022, a taxa desocupação por idade foi de 16,4% para a faixa etária de 18 a 24 anos, de 7,1%, de 25 a 39 anos, 5,3%, de 40 a 59 anos, e 3,9%, de 60 anos ou mais. Os dados por escolaridade demonstram que as pessoas, com ensino médio incompleto, possuem uma taxa de desemprego em dezembro de 2022 de 13,9%, e as pessoas com superior incompleto, uma taxa bem inferior de 8,4%, enquanto superior completo é menor ainda de 3,9%. Os estados com a taxa de desocupação maiores são: Bahia, Pernambuco, e Mato Grosso do Sul. Os demais estados mantiveram estabilidade.

A conjuntura econômica brasileira, em 2023, apresentou uma queda da taxa Selic, com relação ao ano anterior (2022), e passou ao patamar de 12,15%. A taxa de inflação (IPCA) foi menor, de 4,62%, porque o Banco Central do Brasil (BACEN) utilizou no ano anterior a alta da taxa de juros para conter a inflação (IBGE, 2023).

Em 2023, a taxa de desocupação foi de 7,8% na PNAD Contínua do IBGE, em média, considerada a menor taxa, desde 2014. Houve uma queda de 1,8%, se comparado ao ano de 2022, com taxa de 19,6%. Os dados demonstram uma recuperação do mercado de trabalho, com a população ocupada em um nível próximo do resultado da série histórica de 2012 (7,4%).

Verifica-se uma queda da população desocupada na média, de 2022 para 2023, de 17,6%, correspondendo a 8,5 milhões de pessoas, como também, um aumento da população, com carteira assinada. Os setores que mais empregaram foram: a indústria, a construção civil, o transporte, a armazenagem, o correio, e outros serviços. Já os setores que menos empregaram foram: a agricultura, a pecuária, produção florestal, a pesca e aquicultura, com a queda de 4,8%.

A taxa de desocupação por sexo, demonstra um resultado de 6,9% para homens, e 9,6% para mulheres, uma diferença de 53,3%. Portanto, as mulheres correspondem a um percentual mais elevado da taxa de desemprego do Brasil.

Com relação a cor e raça, no quarto trimestre de 2023, a taxa desocupação pela PNAD Contínua foi de 5,9% para os brancos, 8,9% pretos e 8,5% pardos, acima da média nacional de 7,4%.

No aspecto da idade, a faixa etária de 18 a 24 anos, apresentou uma taxa de desocupação mais alta, de 15,3%. Vale salientar que a taxa caiu, diante de 2022, de 16,4%. A taxa desocupação de escolaridade da população, com ensino médio incompleto foi de 10,3%, com o nível superior incompleto de 6,6%, ainda o dobro do nível superior completo.

A conjuntura econômica brasileira, em 2024, apresentou uma estabilidade na taxa de juros Selic, com 12,15%, uma leve alta da inflação, com resultado de 4,83%, e uma taxa de desocupação de 6,6%, o menor índice da série histórica da PNAD Contínua iniciada em 2012 (IBGE, 2024). Verifica-se uma queda de 1,2%, se comparada ao ano de 2023, que apresentou uma taxa de ocupação de 7,8%. O contingente de trabalhadores desocupados é de 7,4 milhões de pessoas, com uma queda de 1,1 milhão de pessoas é correspondendo a 3,22%.

Os setores da economia que mais empregaram foram: transporte, armazenagem e correio, comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas. Enquanto os setores da agricultura, a pecuária, produto florestal, pesca e aquicultura, tiveram as maiores quedas, como também, serviços domésticos. Na média do quarto trimestre de 2024, os estados com a maior taxa de desocupação são: a Bahia, o Distrito Federal e Pernambuco. Os estados com as menores taxas de desocupação são: Santa Catarina, Mato Grosso e Rondônia.

A taxa de desocupação por sexo, em 2024, foi de 7,6% de mulheres desempregadas, e 5,1% de homens. Já por cor ou raça no quarto trimestre de 2024, foi de 4,9% para os brancos, 7,5% pretos e 7,0% pardos. Embora tenha diminuído, a diferença entre brancos e pretos/pardos é alta. Por idade, a faixa etária de 18 a 24 anos, apresentou uma taxa de desocupação de 12,9%, muito acima da taxa total de 6,2%. De 25 a 39 anos, foi de 5,8%, de 40 a 59 anos, de 4,0%, e 60 anos ou mais de 3,0%. Com relação ao nível de escolaridade, um pior resultado para as pessoas com ensino médio incompleto, e para o nível superior incompleto, o dobro do superior completo.

No período de 2020 a 2024, verifica-se uma variação da taxa de desemprego que atingiu seu maior patamar, em 2021, como reflexo da pandemia da COVID-19. Houve uma queda da taxa de desocupação mais acentuada a partir de 2023, com perspectiva de uma política econômica de estímulo a retomada de um crescimento econômico mais elevado, proposta pelo governo Lula.

A taxa de desocupação foi a menor, em 2024, de 6,6%. É importante salientar, a qualidade do emprego no Brasil é muito baixa, jornadas de trabalho elevadas, precarização das condições de trabalho e salários baixos, além de uma informalidade representativa. Outra questão é a falta de qualificação profissional e de formação escolar de nível superior, faltam vagas para pessoas, com menor nível de escolaridade, como nível médio incompleto, enquanto sobram vagas, com salários elevados nas áreas de tecnologia, principalmente tecnologia da informação.

Existe uma predominância em todos os anos pesquisados, de 2020 a 2024, de uma taxa de desocupação maior entre as mulheres, resultado de um mercado de trabalho, com visão patriarcal e machista. As pessoas pretas e pardas sofrem racismo estrutural no mercado de trabalho, pois apresentam às maiores taxas de desocupação, um resultado de um processo histórico que o Brasil ainda não enfrentou de forma estrutural.

As pessoas jovens possuem a maior taxa de desocupação, na faixa etária de 18 a 24 anos, justo pelo fato de existir dificuldades de inserção no mercado de trabalho, por não abrir oportunidades para os jovens sem experiência profissional e a falta qualificação profissional. Já as pessoas com menor nível de escolaridade possuem o nível médio incompleto, seja maior dificuldade em função da falta de qualificação profissional e de um melhor nível de escolaridade.

A taxa de desocupação ou de desemprego é um indicador relevante na economia, por gerar renda, quanto maior ou menor o patamar, existe um impacto positivo ou negativo no consumo das famílias e na poupança, podendo resultar num nível de investimento maior ou menor, alimentando o círculo econômico virtuoso ou vicioso na economia. É uma das variáveis mais significativas de impacto sobre a população e o círculo virtuoso da economia. Se a taxa de desocupação cai e aumenta o número de pessoas com carteira assinada, ao mesmo tempo, diminui a informalidade. Dessa forma, mais renda circula na economia brasileira, com maior perspectiva de consumo e de poupança, e melhores condições de vida para a população, ou seja, aquelas de menor renda. Quanto melhores os salários e a qualidade do emprego, mais distributiva é a renda na economia.

É preciso a realização de políticas públicas em nível federal, estadual e municipal, na maior geração de empregos para mulheres, maior ofertas de cursos de qualificação, sistemas de cotas e bolsas em universidades, com a finalidade de reduzir a taxa de desocupação ou desemprego das mulheres, muitas vezes, sofrem com sobrecarga de trabalhos domésticos, filhos, muitas são mães chefes de famílias, mulheres que sofrem violência doméstica, ainda enfrentam o patriarcado e o machismo no mercado de trabalho. Políticas públicas de combate ao racismo estrutural são essenciais, como vagas de empregos de qualidade, qualificação profissional, aumento de cotas e vagas em universidades públicas para pessoas pretas, pardas e indígenas, para redução na taxa de desocupação, que demonstra um índice muito elevado de pessoas pretas e pardas, como resquícios de um processo histórico de exclusão social da população preta.

Existe a necessidade de políticas públicas de qualificação profissional, ampliação de vagas para cursos técnicos e superiores. Os jovens, com faixa etária de 18 a 24 anos, possuem a maior taxa de desocupação ou de desemprego, pelo fato do mercado de trabalho não oferecer oportunidades para jovens sem experiência profissional e também não realizar o trabalho de formação profissional, de uma forma geral.

REFERÊNCIAS

IBGE. Indicadores IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Divulgação Especial, 4º trimestre de 2021;

IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua- PNAD Contínua. Principais destaques da evolução do mercado de trabalho no Brasil (2012 a 2021), IBGE, 2021;

IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Indicadores, 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024;

LACERDA, Antônio Corrêa de. Economia Brasileira. 4ª edição. São Paulo: Saraiva, 2002;

MARQUES, Rosa Maria; REGO, José Márcio (Orgs). Economia Brasileira. 6ª edição. São Paulo: Saraiva, 2018.; e

PINHO, Diva B.; VASCONCELLOS, Marco A. S.; TONETO, Rudinei Jr. Manual de Economia. 7ª edição. São Paulo: Saraiva, 2017.


 *GERUSA COUTINHO RAMOS



















- Mestre e  Bacharelado em Ciências Econômicas, nas áreas de economia, terceiro setor, políticas públicas e meio ambiente pela Universidade Federal da Paraíba ;

-Pós  graduação latu sensu ;

-Consultora  em gestão de negócios, estudo de viabilidade econômica e projetos.e 

-Professora em universidades públicas e privadas e pesquisadora do GerarConhecimento & Ação e do NEPECCAS.

Nota do Editor:

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