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sábado, 13 de junho de 2026

Pertencimento e Cultura são os caminhos para uma educação significativa


 
©️2026 Adriano Silva Corrêa de Aguiar

A escola é um espaço de produção cultural, refletindo a diversidade presente na sociedade e as diferentes formas de expressão cultural existentes. No cotidiano escolar, por meio do desenvolvimento do Projeto Político-Pedagógico (PPP), as ações e projetos realizados com os estudantes evidenciam esse movimento contínuo de construção e valorização da cultura.

As datas comemorativas constituem um importante exemplo desse processo, pois possibilitam aos alunos o desenvolvimento de atividades que exploram a história, os costumes e as tradições de seu povo. Além disso, representam oportunidades de estabelecer conexões históricas, sociais e interpessoais, ampliando a compreensão dos estudantes acerca de sua identidade cultural e de seu papel na sociedade.

Esses momentos também favorecem o diálogo com a comunidade local sobre manifestações culturais que, muitas vezes, acabam sendo marginalizadas. As comemorações juninas, por exemplo, representam uma rica oportunidade de valorização da história e das tradições populares brasileiras. Entretanto, em alguns contextos, essas manifestações têm perdido espaço em razão de preconceitos e discriminações de natureza religiosa, o que reforça a necessidade de promover reflexões e debates sobre o respeito à diversidade cultural.

O processo de ensino e aprendizagem ocorre a partir das relações estabelecidas entre professor, estudante e comunidade. Essa tríade contribui para que o conhecimento pedagógico desenvolvido em sala de aula, alinhado às habilidades previstas para cada etapa escolar, potencialize o desempenho dos estudantes. Como consequência, fortalece-se o sentimento de pertencimento dos alunos à instituição escolar e, de forma mais ampla, da própria comunidade escolar, gerando maior valorização e engajamento nesse processo educativo.

Entretanto, uma questão que se apresenta na atualidade diz respeito à crescente quantidade de demandas atribuídas aos professores. Entre elas, destacam-se as exigências burocráticas relacionadas à documentação profissional, aos registros e relatórios dos estudantes — especialmente aqueles voltados ao acompanhamento de alunos com deficiência —, à extensa quantidade de materiais e livros a serem trabalhados ao longo do ano, ao uso de plataformas digitais, ao engessamento curricular e ao aumento do número de alunos por turma. Esse conjunto de fatores pode comprometer o tempo destinado ao planejamento pedagógico e à criação de práticas inovadoras, dificultando o desenvolvimento de projetos que valorizem a cultura local e a realidade da comunidade escolar.

Ainda assim, é inevitável que acontecimentos sociais de grande relevância impactem a rotina escolar e, muitas vezes, interfiram no planejamento previamente estabelecido pelos professores. Como exemplo, destacam-se as Copas do Mundo de Futebol masculina e feminina, realizadas nos meses de junho e julho de 2026, que despertam grande envolvimento entre crianças e jovens.

Diante desse cenário, surgem alguns questionamentos: como desenvolver atividades que explorem interesses específicos dos estudantes sem comprometer o planejamento pedagógico e as demandas já estabelecidas aos docentes? De que maneira a prática escolar pode ser adaptada para que acontecimentos inesperados, mas socialmente relevantes, contribuam qualitativamente para o fortalecimento do sentimento de pertencimento à cultura escolar?

Não há respostas únicas ou definitivas para essas questões, uma vez que as realidades das instituições de ensino são diversas e marcadas por especificidades próprias. Entretanto, embora os contextos escolares apresentem particularidades, muitos dos desafios relacionados à sobrecarga de trabalho docente são compartilhados entre diferentes redes e instituições.

Nesse sentido, torna-se necessária uma revisão das demandas atribuídas aos professores e da organização pedagógica prevista para cada ano letivo. A redução dessas exigências pode ampliar as possibilidades de planejamento e intervenção docente, permitindo que temas emergentes da realidade social dos estudantes sejam incorporados ao currículo de forma significativa, sem comprometer o desenvolvimento das habilidades previstas.

Assim, a valorização de acontecimentos que mobilizam o interesse dos alunos não deve ser entendida como um desvio do planejamento escolar, mas como uma oportunidade de aproximar o currículo da realidade vivenciada pelos estudantes, fortalecendo os vínculos entre escola, cultura e aprendizagem.

ADRIANO SILVA CORRÊA DE AGUIAR














-Graduado em Pedagogia pela Universidade de São Paulo FEUSP (2020); 

Pós graduado em Gestão de Projetos pela Universidade de São Paulo -ESALQ-USP  (02/2024)e

É professor das séries iniciais nas Prefeituras dos Municípios de Cotia e Osasco (SP).

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

sábado, 31 de maio de 2025

O Acesso à Educação no Brasil e o Analfabetismo Funcional


 Autora: Maria Thereza Pompa Antunes (*)

Neste artigo venho questionar para onde estamos caminhando, visto que hoje passamos do status de um país com grande número de analfabetos para uma estagnação no índice de analfabetismo funcional.

A motivação para esse texto reside na matéria recém-publicada no jornal a Folha de São Paulo, por Isabela Palhares, em 06 de maio pp. Intitulada: 29% DOS BRASILEIROS DE 15 A 64 ANOS NÃO ENTENDEM TEXTO E CONTA SIMPLES.

Muito embora haja essa motivação, na verdade, essa matéria veio a calhar para elucidar muita coisa, evidenciando algumas das consequências previsíveis, resultantes de uma política de acesso deliberado (porém solto) ao ensino superior, com foco quase que exclusivo na quantidade e pouca preocupação com a qualidade, contexto esse cujos reflexos venho criticamente acompanhando nos últimos anos.

Portanto, para mim, o conteúdo do texto supracitado não foi uma surpresa, e me traz esperança; esperança de que possamos reverter, de alguma forma, esse quadro assustador, cujos impactos estão visíveis na nossa experiencia cotidiana, sendo que não posso afirmar que sejam eles perceptíveis para todos; para mim, na minha prática docente, certamente têm sido.

Um breve retrospecto, sob a ótica do ensino superior:

Nas últimas décadas do século passado, a preocupação com os altos índices de analfabetismo no Brasil foi um tema recorrente, cujas ações e políticas púbicas adotadas resultaram em significativo declínio em 2022, com a redução do analfabetismo para 7% da população, antes representada por 25,5%, nos anos 1980 (Dados do IBGE).

Nesse interim, por volta dos anos 2000, verificou-se um crescimento expressivo dos cursos em nível superior por instituições particulares (de 3.150 cursos, em 1994, para 12.360 cursos em 2004 – segundo Jornal da Câmara dos Deputados). A justificativa, à época, era bastante positiva, visto que a iniciativa privada estava atendendo a uma demanda que as instituições públicas não estavam conseguindo absorver.

Ocorre que no início de 2007, acompanhei perplexa, a notícia sobre o primeiro grupo educacional a abrir o seu capital ao mercado (Bolsa de Valores), propiciando o espaço para o que hoje se denomina, não sem um matiz pejorativo, Educação S.A (denominação essa com a qual concordo em muito, visto que retrata de forma contundente o caráter mercantil que, em muitos casos, passou a prevalecer na educação).

No contexto das Educação S.A., têm-se estudantes que ingressam sem qualquer tipo de processo seletivo estruturado, que serve apenas para estabelecer o percentual de desconto que o “cliente” receberá - Política de Marketing (isso se dá em função de uma engenharia financeira que parte do valor “cheio” da mensalidade); em que se tem professores, na sua grande maioria capacitados, digo que em sua grande maioria doutores em suas áreas de conhecimento, mas que mal conseguem abordar o conteúdo mínimo de suas disciplinas, simplesmente por falta da base que os ensinos fundamental e médio deveriam ter propiciado aos estudantes, aliada à falta de postura e da consciência sobre o que significa estar em uma faculdade/universidade, além das políticas de incentivo à permanência de alunos não capacitados, por parte das instituições que precisam manter o seu fluxo de caixa.

Mas o que se esperar? Esses alunos que estão lá foram selecionados, se afirma. Pois bem, já disse de qual forma.

A Educação S.A., bem como qualquer outra organização empresarial, visa o lucro (lucro com qualidade de seus produtos a guisa de perderem mercado), óbvio, visto que é o que lhes propicia a própria continuidade das operações. Porém, eu estou falando sobre instituições de ensino; estarão elas preocupadas com a qualidade do "produto" (pessoas) que estão capacitando? Nesse contexto, devo inserir a banalização do EAD, uma fonte garantida de caixa.

Consequências? Analfabetismo Funcional, cujos resultados estão muito bem explicitados na matéria de Isabela Palhares.

Nesse contexto, devo fazer jus a algumas universidades privadas, sendo elas confessionais ou não, que mantêm o foco na educação com qualidade no tripé ensino, pesquisa e extensão, propiciando aos seus estudantes a experiência única de vivenciar a vida universitária. Da mesma forma, as universidades públicas, que mesmo sem a totalidade dos recursos necessários, primam pela excelência.

Vejo com bons olhos algumas medidas (poucas, mas já é um começo) que estão sendo tomadas para mitigar esse problema, como as restrições ao EAD e o anúncio, recentemente, pelo Ministério da Educação, quanto ao aumento do rigor nas avaliações dos estudantes no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE).

De fato, o melhor dos mundos é ter uma população que pode vivenciar a experiência de uma universidade com ensino de qualidade, mas a esse preço? Bom, bonito e barato, não existe. Essa é uma expressão que se utiliza muito na área de marketing, cuja experiência, nesse caso, vem sendo comprovada na prática.

Por fim, devo destacar que o motivo aqui apontado, e que nos leva à essa situação atual, elucidei apenas considerando as Educacionais S.A., mas ciente que outras variáveis interferem no comportamento e na capacidade cognitiva dessa geração que hoje está entrando no mercado de trabalho, com uma formação profissional de qualidade técnica bastante questionável. Um exemplo é o uso da Inteligência Artificial, tema já abordado aqui neste Blog.

Referências:

PALHARES, Isabela. 29% dos brasileiros de 15 a 64 anos não entendem texto e conta simples. Folha de São Paulo, 6 de maio de 2025, Caderno Cotidiano, A35.

*MARIA THEREZA POMPA ANTUNES 



 

 

 

 

 

 


-Graduação em Administração pela PUC/RJ (1984), com Especialização em Finanças pelo IAG/PUC/RJ (1985), e em Ciências Contábeis pela FEA/USP (2002);

-Mestrado em Ciências Contábeis pela FEA/USP (1999);

- Doutorado  em Ciências Contábeis pela FEA/USP(2004);

Atualmente é professora de finanças do Curso Graduação em Administração na Escola Paulista de Política, Economia e Gestão (EPPEN) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e

Tem 26 anos de experiência na área da educação, atuando como docente, pequisadora e gestora.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6278852648499064

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WhatsApp: (11)-98338-4343

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Nota do Editor:

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