Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de junho de 2026

Papel da Família na Inclusão


 ©️2026 Cintia Vasconcelos

Tudo o que é novidade nos traz insegurança e dúvidas. Dúvidas de como fazer, de onde começar, como começar. E na Educação Especial não é diferente.

Com o passar dos anos, a humanidade entendeu a necessidade de incluir pessoas portadoras de necessidades especiais: pessoas que precisam ser vistas, enxergadas, amparadas, devidamente cuidadas e orientadas. Em pleno século XXI, é inadmissível que alguém não enxergue a importância da quebra de paradigmas quanto às pessoas PNE. Porém, ainda existem muitas barreiras humanas que precisam ser quebradas.

E não falo apenas do preconceito, nem do preparo dos profissionais envolvidos no desenvolvimento físico, psicológicos e educacional. Mas principalmente do entendimento das famílias em seguir as orientações dos profissionais.

Não foram poucas as vezes que ouvi de mãe de aluno neurodivergente que não quer dar a medicação. Mas essa mesma mãe não tem conhecimento médico. Não tem formação em qualquer área. Mas prefere ouvir as tais "vozes de sua cabeça" e permitir que o desenvolvimento de seu filho seja prejudicado.

Antes de quaisquer tipos de terapias indicadas pelo médico, a criança neurodivergente precisa estar com o cérebro regulado. E isso, em muitos casos, só acontece com a medicação aliada às terapias. Crianças atípicas com o cérebro severamente desregulado não conseguem se concentrar em coisa alguma, não conseguem adquirir ou absorver qualquer tipo de orientação. Sendo assim, não haverá evolução nas terapias com psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo ou psicopedagogos.

Além da falta de desenvolvimento, a criança não medicada fica cada vez mais irritada, comete auto lecionamento, agride quem estiver próximo e, em alguns casos pode se machucar em comportamento de agitação extrema.

É necessário um trabalho em equipe multiprofissional para que haja desenvolvimento adequado. Mas o apoio maior precisa vir do ambiente onde a criança passa a maior parte do seu tempo e é a maior referência: a família.

CINTIA VASCONCELOS

















-Pedagoga graduada pela Universidade Anhanguera(2011);

- Pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela Faceminas (09/2024);

-Pós graduando em Tecnologias para a Educação Profissional pelo IFSC;

- Atua como professora de ensino médio técnico - novotec; e

-Atualmente, trabalha também com Educação Especial em escola pública do Estado de São Paulo.

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

sábado, 20 de junho de 2026

A Educação Ambiental é uma Atividade Fundamental no Brasil?


 

©️2026 Luiz Eduardo Corrêa Lima

Pois então, acredito que a resposta a questão acima, tristemente, seja um efetivo e desagradável NÃO. Ainda que a Educação Ambiental seja uma necessidade desse país e do mundo, aqui no Brasil, ela está muito longe de ser uma prioridade para os administradores públicos, muitos dos quais, se quer, são capazes de entender o verdadeiro significado do que seja Educação Ambiental. Aliás, assim como acontece com grande parte, certamente a maioria da população brasileira e parece que o interesse é continuar mantendo essa condição.

Historicamente, a Educação e o Meio Ambiente talvez sempre tenham sido os dois aspectos mais importantes para o desenvolvimento das civilizações e por conseguinte da humanidade. Contudo, apenas nas últimas décadas é que a população mundial começou a tomar a devida consciência desse fato. Assim, ainda estamos meio capengas em relação as nossas práticas em relação a essas duas questões.

Quer dizer, parece que o mundo ainda está começando a aprender a lidar melhor e tratar mais atentamente com esses dois aspectos, principalmente aqui no Brasil, onde a maioria das pessoas sofre bastante por causa de outras carências, que são, imediatamente, mais sensíveis e necessárias à sobrevivência. Deste modo, as outras carências, aparentam ser objetivamente mais importantes, embora essa possa não ser realmente a verdade.

Isso acontece, até porque, a sociedade em geral, ainda não entende que todas essas outras carências se relacionam diretamente ou são derivadas da nossa falta generalizada de educação e da nossa visão ainda bastante deturpada da questão da ocupação dos espaços e dos recursos naturais, tanto qualitativa, quanto quantitativamente. Em outras palavras, a população ainda não tem muita informação sobre a importância efetiva de ter educação e de como cuidar e utilizar do meio ambiente e dos recursos naturais planetários.

Todavia, eu possa afirmar, com toda certeza de que todo problema existente numa comunidade qualquer, seja ela grande ou pequena, sempre é um problema relacionado direta ou indiretamente à educação, ou ao meio ambiente ou a ambos. Isto é, a base do problema sempre é uma questão educacional, ambiental ou ambas. Sendo assim, a Educação Ambiental é a atividade mais fundamental para as comunidades e, consequentemente, para toda a sociedade.

A Educação Ambiental envolve, por exemplo, em auxiliar as comunidades a estabelecerem situações favoráveis às suas respectivas qualidades de vida. Com a educação ambiental o cidadão aprende a ter condutas melhores sobre o lugar onde se encontra e sobre o uso desse local e dos diferentes recursos que ela possa oferecer. Para tanto, o cidadão é orientado em como proceder, desde a retirada, o manuseio, a utilização dos recursos e o descarte dos resíduos.

Ele aprende também a manter as condições para que esta situação boa perdure pelo maior tempo possível, ou mesmo ad aeternum, se for interessante. Deste modo, ela aprende a garantir a manutenção da água, do ar, do solo, da vegetação, da fauna e mesmo das belezas cênicas, que são aspectos preponderantes da educação ambiental. Contudo, garantir, emprego, renda e cultura também são prioritários para a manutenção da qualidade de vida e assim, também são fundamentais na educação ambiental.

Por conta disso, os administradores públicos em todas as três esferas de poder têm que, obrigatoriamente, estar atentos e investir bastante nas questões educacionais e ambientais. Se as populações estiverem efetivamente preparadas (ambientalmente educadas) para as diversas situações, que podem ou não acontecer, num determinado espaço físico, logicamente, os danos (prejuízos), poderão deixar de existir ou, se até existirem, poderão passar a ser minimizados e progressivamente controlados e seus efeitos passarão a ser menos drásticos do que antes.

Com essa postura, os administradores não só orientam a população como obtêm parceiros no trabalho de melhorar a qualidade de vida de todos que habitam os diferentes locais sob suas responsabilidades administrativas. Quer dizer, investir em Educação Ambiental, como já foi dito acima, é tarefa obrigatória dos administradores públicos. Todavia, como investir em Educação Ambiental, num país em que a população tem carência primárias e imediatas mais contundentes?

Primeiramente o administrador deve ser exemplo daquilo que ele quer ver na sua comunidade. Como disse Confúcio, há 500 anos aC: "A palavra convence, mas o exemplo arrasta". Quer dizer, o administrador tem que ter uma postura ambientalmente preventiva, proativa e sustentável. É claro que esta não é uma tarefa fácil, porque depende de recursos humanos e financeiros e do apoio intenso da comunidade envolvida.

Em segundo lugar o administrador deve investir massivamente em Educação Ambiental. Entretanto, como também já foi dito, aqui no Brasil, somos carentes nos dois aspectos: nem os administradores querem investir em educação ambiental e tampouco as comunidades parecem querer entender que a Educação Ambiental seja algo importante.

Pois então, nesse momento surge, a grande questão: como resolver esse triste e difícil dilema? É exatamente isso que pretendo discutir nesse pequeno artigo. Educação Ambiental é uma situação necessária, mas operacionalmente muito difícil de ser atendida. Vou partir da base legal e galgar cada item gradativamente.

A Educação Ambiental é uma obrigação no Brasil, de acordo com a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981). Além disso, a Constituição Federal (1988) determinou sua obrigatoriedade em todo o país e a Lei nº 9.795/1999 (Política Nacional de Educação Ambiental), que é regulamentada pelo Decreto nº 4.281/2002 estabeleceu definitivamente os critérios desta obrigatoriedade. Ou seja, investir em fazer educação ambiental nada mais é do que, simples e efetivamente, cumprir a lei. Contudo, fica aqui mais umas questões. 1 - Existe recursos econômicos para isso? 2 - Essas leis estão sendo realmente cumpridas?

Pois então, tanto no nível federal, quanto nos níveis estadual e municipal, a resposta à pergunta acima, apesar de lei ser lei e, como tal, dever ser cumprida, é: depende. E depende exatamente porque, mesmo duzentos anos depois, nós ainda continuamos criando coisas e principalmente, leis, apenas, "para inglês ver" e, por outro lado, se houver vontade política do administrador as coisas acabam acontecendo mais facilmente.

Mas, também depende de outras coisas. Depende de uma série de interesses pessoais, grupais, culturais, políticos, econômicos e até de alguns efetivamente ambientais. Por exemplo, o Governo Federal sabe que tem que investir em Educação Ambiental, mas, por outro lado, esse mesmo governo programa implantar dezenas de usinas termelétricas no país e já desenvolve a exploração de petróleo na foz do rio amazonas, na chamada "margem Equatorial". Essas duas coisas são absurdamente antagônicas aos preceitos da educação ambiental. Quer dizer, o governo não tem vontade política e assim, não dá o devido exemplo e, por óbvio, não cumpre o que a lei manda fazer.

Por sua vez, alguns governos estaduais e municipais, que sabem que precisam implantar projetos de educação ambiental, todavia, também viabilizam e investem seriamente em obras sem nenhum critério ambiental. Não costumava haver respeito à legislação sobre o licenciamento ambiental e agora, com a nova lei sobre a matéria, que é bem mais permissível (Lei nº 15.190, de 8 de agosto de 2025), a coisa ficou mais difícil ainda de ser controlada. Quer dizer, a gente legalmente favorece àquilo que está errado. Tomara que esta seja somente mais uma lei "para inglês ver".

Pois então, como fazer, haja vista que o licenciamento ambiental tem sido cada vez mais facilitado e menos controlado, deixando que alguns projetos ocorram ao acaso, ou melhor, "ao deus-dará" e agora, pela nova lei, até de acordo com a vontade exclusiva das próprias prefeituras municipais, o que certamente agrava a possibilidade do risco de não cumprimento da legislação. Quer dizer, se ainda não há muita seriedade no que tange à questão ambiental, para que fazer educação ambiental? Assim, mais uma vez eu pergunto: como fazer educação ambiental?

Em suma, só consegue implantar e fazer educação ambiental nesse país, o administrador que coloca os valores éticos, morais e o interesse primário da qualidade de vida da comunidade, no que diz respeito a ocupação do espaço físico e ao uso devido desse espaço sob sua administração direta. O que certamente é quase impossível de acontecer e, se até realmente acontecer, é impossível fiscalizar, porque foge aos interesses do sistema.

Ou seja, a triste conclusão que se chega é que, tristemente, a educação ambiental em nível nacional não tem como existir num país com o tamanho e a diversidade física e populacional do Brasil, porque ela acaba dependendo quase que exclusivamente do interesse pessoal dos próprios políticos e administradores. Infelizmente, Educação e Meio Ambiente, não parecem ser, de fato, preocupações políticas de nenhum dos partidos políticos estabelecidos nesse país, embora existam vários partidos que afirmem se interessar por essas causas.

No nível estadual, guardadas as devidas proporções e consideradas todas as possibilidades de investimento dos diferentes estados brasileiros, as coisas podem ser um pouco mais controladas e alguns estados brasileiros podem, desde que haja vontade política de quem administra, fazer uma Educação Ambiental de bom nível e assim, permitir que as populações possam melhorar as suas respectivas qualidades de vida. Porém, certamente, há vários estados em que a operacionalidade disso ainda continua sendo bastante difícil e quase utópica.

Desta forma, eu entendo, que a Educação Ambiental necessita ser uma política pública municipal. Isto é, cada município deve, de alguma maneira, estabelecer suas regras e organizar os seus respectivos programas de educação ambiental locais. Qualquer coisa diferente disso é balela, ou melhor, ´continuará sendo lei “para inglês ver” e que será cumprida "ao deus-dará". Alguns municípios têm dado exemplos primorosos sobre a organização da educação ambiental nos seus domínios. Por outro lado, há municípios que nem imaginam que existe um negócio chamado educação ambiental e, muito menos, que esse negócio seja uma necessidade comunitária.

Em suma, no Brasil, nós ainda vamos sofrer muito e não se trata aqui de defender essa ou aquela legenda partidária, porque nesse aspecto, a coisa é feia em quase todos os partidos, como foi dito acima. As possíveis alternativas positivas ainda são pessoais e, cabe lembrar, que temos 5.570 municípios nesse país e acredito que nem 10% desse total sabe efetivamente alguma coisa a respeito do assunto ou, se até sabe, não parece estar realmente preocupado com essa questão.

Entretanto, nós precisamos fazer alguma coisa para manter a sustentabilidade dos ambientes naturais ou construídos e garantir qualidade de vida das gerações futuras. Penso eu, que a Educação Ambiental é a principal necessidade para a orientação das ações nas diferentes comunidades desse país. Contudo, de maneira geral, os diferentes administradores dos entes políticos do Brasil, lamentavelmente, insistem em discutir e investir em coisas, a meu ver, bem menos importantes.

Bem, como temos deixado a Educação Ambiental "ao deus-dará", só nos resta rezar e torcer para que Deus, efetivamente, tenha pena de nós e dê mais seriedade e coerência, no que se refere as questões ambientais, à maioria dos administradores públicos desse país.

LUIZ EDUARDO CORRÊA LIMA






Biólogo (Zoólogo);
Professor;
Pesquisador;
 Escritor;
Revisor; e 
Ambientalista

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

sábado, 13 de junho de 2026

Pertencimento e Cultura são os caminhos para uma educação significativa


 
©️2026 Adriano Silva Corrêa de Aguiar

A escola é um espaço de produção cultural, refletindo a diversidade presente na sociedade e as diferentes formas de expressão cultural existentes. No cotidiano escolar, por meio do desenvolvimento do Projeto Político-Pedagógico (PPP), as ações e projetos realizados com os estudantes evidenciam esse movimento contínuo de construção e valorização da cultura.

As datas comemorativas constituem um importante exemplo desse processo, pois possibilitam aos alunos o desenvolvimento de atividades que exploram a história, os costumes e as tradições de seu povo. Além disso, representam oportunidades de estabelecer conexões históricas, sociais e interpessoais, ampliando a compreensão dos estudantes acerca de sua identidade cultural e de seu papel na sociedade.

Esses momentos também favorecem o diálogo com a comunidade local sobre manifestações culturais que, muitas vezes, acabam sendo marginalizadas. As comemorações juninas, por exemplo, representam uma rica oportunidade de valorização da história e das tradições populares brasileiras. Entretanto, em alguns contextos, essas manifestações têm perdido espaço em razão de preconceitos e discriminações de natureza religiosa, o que reforça a necessidade de promover reflexões e debates sobre o respeito à diversidade cultural.

O processo de ensino e aprendizagem ocorre a partir das relações estabelecidas entre professor, estudante e comunidade. Essa tríade contribui para que o conhecimento pedagógico desenvolvido em sala de aula, alinhado às habilidades previstas para cada etapa escolar, potencialize o desempenho dos estudantes. Como consequência, fortalece-se o sentimento de pertencimento dos alunos à instituição escolar e, de forma mais ampla, da própria comunidade escolar, gerando maior valorização e engajamento nesse processo educativo.

Entretanto, uma questão que se apresenta na atualidade diz respeito à crescente quantidade de demandas atribuídas aos professores. Entre elas, destacam-se as exigências burocráticas relacionadas à documentação profissional, aos registros e relatórios dos estudantes — especialmente aqueles voltados ao acompanhamento de alunos com deficiência —, à extensa quantidade de materiais e livros a serem trabalhados ao longo do ano, ao uso de plataformas digitais, ao engessamento curricular e ao aumento do número de alunos por turma. Esse conjunto de fatores pode comprometer o tempo destinado ao planejamento pedagógico e à criação de práticas inovadoras, dificultando o desenvolvimento de projetos que valorizem a cultura local e a realidade da comunidade escolar.

Ainda assim, é inevitável que acontecimentos sociais de grande relevância impactem a rotina escolar e, muitas vezes, interfiram no planejamento previamente estabelecido pelos professores. Como exemplo, destacam-se as Copas do Mundo de Futebol masculina e feminina, realizadas nos meses de junho e julho de 2026, que despertam grande envolvimento entre crianças e jovens.

Diante desse cenário, surgem alguns questionamentos: como desenvolver atividades que explorem interesses específicos dos estudantes sem comprometer o planejamento pedagógico e as demandas já estabelecidas aos docentes? De que maneira a prática escolar pode ser adaptada para que acontecimentos inesperados, mas socialmente relevantes, contribuam qualitativamente para o fortalecimento do sentimento de pertencimento à cultura escolar?

Não há respostas únicas ou definitivas para essas questões, uma vez que as realidades das instituições de ensino são diversas e marcadas por especificidades próprias. Entretanto, embora os contextos escolares apresentem particularidades, muitos dos desafios relacionados à sobrecarga de trabalho docente são compartilhados entre diferentes redes e instituições.

Nesse sentido, torna-se necessária uma revisão das demandas atribuídas aos professores e da organização pedagógica prevista para cada ano letivo. A redução dessas exigências pode ampliar as possibilidades de planejamento e intervenção docente, permitindo que temas emergentes da realidade social dos estudantes sejam incorporados ao currículo de forma significativa, sem comprometer o desenvolvimento das habilidades previstas.

Assim, a valorização de acontecimentos que mobilizam o interesse dos alunos não deve ser entendida como um desvio do planejamento escolar, mas como uma oportunidade de aproximar o currículo da realidade vivenciada pelos estudantes, fortalecendo os vínculos entre escola, cultura e aprendizagem.

ADRIANO SILVA CORRÊA DE AGUIAR














-Graduado em Pedagogia pela Universidade de São Paulo FEUSP (2020); 

Pós graduado em Gestão de Projetos pela Universidade de São Paulo -ESALQ-USP  (02/2024)e

É professor das séries iniciais nas Prefeituras dos Municípios de Cotia e Osasco (SP).

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

sábado, 30 de maio de 2026

A educação está respirando por aparelhos



©️2026 Jacqueline Figueiredo Caixeta 

Sinto que a educação está tal e qual aquela empresa que mal se segura com as próprias pernas, à beira da falência. Estamos no CTI e respirando com aparelhos e, se não mudarmos nossa rota, não sobreviveremos.

Estamos lidando com crianças e adolescentes que são criados por famílias que há muito perderam a noção da responsabilidade parental. Querem, em sua maioria, serem amigos legais dos filhos e fazem de tudo ( de tudo mesmo) para defendê-los, inclusive quando estão errados, do mundo e suas regras, pelo simples fato que não querem que eles se frustrem. Fazem todas as vontades de suas crias dizendo que os amam incondicionalmente e assim, em nome de um amor infinito, se cegam e não permitam que seus filhos experimentem situações em que eles possam se fortalecer e crescer.

A escola, por sua vez, tenta incansavelmente, educar pais e filhos, no entanto, ainda miramos nosso olhar para disciplinas ou componentes curriculars que não contribuem muito para que possamos sair da respiração mecânica.

Há um tempo atrás, em reuniões pedagógicas entre teóricos da educação, o ensino de matemática, língua portuguesa, química, física, história, geografia, inglês, era indispensável para a formação de alunos competentes e o suficiente para que se tornassem prontos para sairem dos bancos da escola básica para as universidades e ou o mercado de trabalho.

Mediante ao que estamos presenciando, considero que outras disciplinas são tão importantes quanto e não são tão priorizadas.

Pensando nas crianças e adolescentes que estamos recebendo nas escolas e como seus pais estão lindando com suas funções, acredito que a escola grita, urgentemente, por mais aulas de ética, filosofia, arte e socioemocional. É, como educadora, hoje, se eu fosse convidada a dar palpites no documento que rege nossa educação, eu faria uma construção priorizando uma quantidade maior de aulas destas disciplinas.

Sonho com uma Basw  Nacional Comum Curricular (BNCC) que priorize tais disciplinas porque nossos educandos merecem e carecem de mais ética, filosofia,criatividade e equilibrio emocional.

O bullyimg é crime, precisou de uma lei para que pais entendessem que aquela "brincadeira" que seu filho fez com o coleguinha, é crime. Os casos de desrespeito ao professor , colegas e escolas, é gritante, tão gritante a ponto dos próprios pais, que deveriam ser os primeiros interessados em terem filhos éticos, procuram a escola para deixar claro que "aquela regra, é uma chatisse". É um mundo irreal em que o direito do "meu" filho tem que ser atendido, independente se, na situação, existe outra pessoa com os mesmos direitos. É uma luta diária lidar com o egoísmo das famílias quando se trata de querer, a qualque custo, que a vontade do filho seja feita. A falta de ética reina absoluta na criação dessa geração.

O ensino da arte é urgente mediante à crianças e adolescentes que não brincam mais, não criam nada, estão condenados às telas. Ficam presos horas e horas diante de uma tela consumindo conteúdos idiotas que nada contribuem para o raciocínio, para a criatividade. Adolescentes usam a IA para tudo e com isso desaprendem a pensar, criar e produzir algo com a própria inteligência. A inteligência vai virar artigo de luxo, poucos a terão porque é mais rápido e fácil pedir para a IA resolver tudo. Ninguém mais cria nada. É triste vivenciar uma geração de robôs que só reproduzem o que ouvem, sem questionar, sem criar, sem ao menos existir perante os desafios da vida.

A filosofia, ah, a filosofia... Meu Deus do céu! A prática do pensar, questionar, refletir, dialogar, enfim, que geração pobre! Alunos que não sustentam uma discussão com bons argumentos, que não sabem, nem de longe, a importância da dialética nas relações. Eles têm pressa, pressa pra tudo e atropelam as falas, embutidos de um comportamento infantil e sem controle emocional quando querem defender algo. Falta argumentos, falta inteligência emocional, falta educação. O excesso de telas, onde tudo é muito fluído, rápido, está adoecendo nossos alunos. Pensar, criar, refletir e agir pautados em conhecimentos científicos e equilíbrio emocional, é uma tragédia nas escolas.

A disciplina sociemocional é o que está socorrendo escolas e alunos. Um professor ensinado a lidar com frustrações, emoções, conhecerem suas habilidades e fragilidades. Um professor que a escola não pode mais deixar de ter. Nos corredores da escola, as dores são imensas e, muitas delas, oriundas das casas dos alunos, de criação de pais que poupam os filhos de tudo, querem sempre resolver tudo para eles, que não lhes dão condições de lidar com os conflitos da vivência com seus pares de idade. Os conflitos da infância e da adolescências nos espaços escolares, sempre existiram e são muito ricos para que os alunos aprendam a lidar com as frutrações, no entanto, como os pais não permitem isso, entram em cena e tiram dos filhos essa oportunidade, os alunos se tronam, cada vez mais frágeis e incapazes de resolver seus problemas.

Ah, como tem sido necessário e urgente mexer na BNCC e ampliar as aulas de arte, ética, filosofia e socioemocinal para que a escola consiga educar melhor e atender demandas que chegam ano a pós ano.

Novos tempos, novos desafios e a escola continua presa à conteúdos curriculares que os alunos encontrarão fácil, fácil à um simples clik no celular. Precisamos buscar uma educação que socorra essa geração, que atenda melhor as necessidades do mundo atual. Não adianta ficar brigando o tempo todo com o mundo virtual e com famílias incompetentes em suas funções. Se queremos educar de fato para que nossos alunos saim das nossas escolas com mais competências, precisamos tampar os buracos deixados e enxergar que a escola tem um papel político e social importantíssimo na construção de uma sociedade melhor. É preciso que eles tenham ética, sejam criativos, saibma pensar e lidar melhor com suas emoções e isso, esbarra na escola, explode dentro da escola, então, precisamos ampliar oportunidades para que vivenciem tudo com mai tranquilidade e competência.

Com afeto,

JACQUELINE FIGUEIREDO CAIXETA

















- Pedagoga
-Especialista em Educação
 Autora do capítulo do livro Educação Semeadora: "A Escola é a mesma, o aluno não! "- Editora Conhecimento.

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

sábado, 23 de maio de 2026

Dias Comemorativos da Matemática


 

©️2026 Márcia Stochi

A Matemática contribui para o desenvolvimento científico e tecnológico da sociedade contemporânea. Apesar disso, ainda é frequentemente percebida por estudantes como uma disciplina abstrata e distante da realidade. O estudo da História da Matemática nos ajuda a desmistificar a sensação de que estes conhecimentos estão desvinculados ao desenvolvimento da humanidade e a criação de dias comemorativos dessa ciência pode contribuir com essa divulgação.

A história dessa ciência nos apresenta vários momentos significativos sobre sua contribuição no desenvolvimento da tecnologia, com a aplicação de seus conceitos em situações reais.

Por volta do século III a.C. as Invenções de Arquimedes defenderam a Ilha de Siracusa da invasão Romana, utilizando máquinas de sua criação como: catapultas de longo alcance; guindastes mecânicos capazes de virar embarcações inimigas; sistemas de lançamento de pedras e projéteis. Tais invenções retardaram a entrada do exército romano na ilha.

No século XVII o matemático Blaise Pascal, ainda jovem, criou a Pascalina, considerada uma das primeiras calculadoras mecânicas da história. Seu objetivo era ajudar seu pai que trabalhava na arrecadação de impostos e realizava longos cálculos manualmente.

No século XIX George Boole desenvolveu a álgebra Booleana que utiliza valores binários (0 e 1), símbolos algébricos (+ e x) e conceitos lógicos como verdadeiro e falso. A álgebra de Boole tornou-se fundamental para a computação moderna, sendo a base lógica utilizada pelos computadores atuais.

No século XX, durante a Segunda Guerra Mundial, o matemático Alan Turing trabalhou para decifrar as mensagens secretas enviadas pelas forças nazistas alemãs. Essas mensagens eram codificadas pela máquina Enigma, utilizada pelos nazistas. A Enigma era extremamente complexa para a época, pois havia milhões de possibilidades de codificação. Para quebrar esse sistema, Turing desenvolveu uma máquina capaz de testar rapidamente combinações possíveis da Enigma. O equipamento acelerava enormemente o processo de decodificação das mensagens militares alemãs. Seu trabalho permitiu aos aliados descobrir informações estratégicas reduzindo significativamente a duração da guerra. Apesar de sua enorme contribuição científica, Turing sofreu perseguição por ser homossexual.

Os fatos narrados de modo sucinto, buscam ilustrar a contribuição que a matemática fornece a sociedade. A criação de dias comemorativos ligados à Matemática possui importante papel cultural, educacional e científico. Essas datas ajudam a divulgar o conhecimento matemático, valorizar pesquisadores e incentivar estudantes a perceberem a Matemática como parte da vida cotidiana trazendo mais jovens para o estudo dessa ciência. O Brasil apresenta carência desses profissionais.

O Dia Nacional da Matemática foi instituído oficialmente no Brasil em 2013. A escolha do dia 6 de maio é em homenagem ao educador e escritor Malba Tahan, conhecido por popularizar a Matemática de forma lúdica e acessível. Malba Tahan é o heterônimo de Júlio César de Mello e Souza que criou o personagem fictício "Malba Tahan", como estratégia literária para tornar suas histórias mais atrativas para os leitores da época. Sua obra mais conhecida é O Homem que Calculava, publicada em 1938. O livro mistura literatura, raciocínio lógico e problemas matemáticos contextualizados em aventuras no Oriente Médio. A proposta inovadora aproximava a Matemática da imaginação, da criatividade e do cotidiano. Malba Tahan defendia um ensino menos mecânico e mais humano da Matemática. Criticava métodos baseados apenas na memorização.
O Dia Internacional da Matemática é comemorado em 14 de março e foi oficializado pela UNESCO em 2019. A data coincide com o tradicional Pi Day, celebrado em diversos países porque a escrita da data no formato norte-americano (3/14) remete aos primeiros dígitos do número π. O número π representa a razão entre o comprimento de uma circunferência e seu diâmetro. Trata-se de uma constante matemática irracional e infinita.

Buscando uma valorização feminina no mundo científico, com o objetivo de atrair mais mulheres para a ciência, foi criado em 2019 O Dia Internacional das Mulheres na Matemática pelo Comitê Internacional de Mulheres Matemáticas.

Essa homenagem busca a valorização da mulher não apenas na matemática e na ciência, mas também sua valorização social. Além da violência física, as mulheres enfrentam desigualdades econômicas e profissionais. No mercado de trabalho brasileiro, ainda existem diferenças salariais significativas entre homens e mulheres, mesmo quando possuem escolaridade semelhante ou ocupam funções equivalentes. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que mulheres recebem, em média, salários menores que os homens. Mesmo com avanços educacionais, já que as mulheres brasileiras possuem, em média, maior escolaridade do que os homens, a desigualdade de renda e oportunidades ainda persiste.

No campo científico e matemático, essas barreiras históricas também aparecem. Muitas mulheres tiveram suas contribuições invisibilizadas ao longo da história da ciência. A ampliação da participação feminina no mundo científico é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.

O Dia Internacional das Mulheres na Matemática é celebrado em 12 de maio em homenagem a data de nascimento da matemática iraniana Maryam Mirzakhani. Ela se tornou uma das matemáticas mais importantes do século XXI e foi a primeira mulher da história a receber a Medalha Fields em 2014, considerada a maior premiação da Matemática mundial. A celebração também chama atenção para obstáculos históricos enfrentados pelas mulheres no ambiente científico, como exclusão acadêmica, invisibilidade intelectual e menor acesso a oportunidades.

Os dias comemorativos da Matemática possuem forte dimensão educacional e social. Essas datas ajudam a aproximar a Matemática da sociedade, mostrando que ela não é apenas um conjunto de fórmulas abstratas, mas uma linguagem fundamental para compreender o mundo, produzir conhecimento e transformar a realidade. Assim, os dias comemorativos da Matemática representam não apenas homenagens históricas, mas também instrumentos de incentivo à educação científica, à inclusão social e à formação de novas gerações de pesquisadores.

Referências Bibliográficas:

BOYER, Carl B. História da Matemática. São Paulo: Edgard Blücher, 1996;

TAHAN, Malba. O Homem que Calculava. Rio de Janeiro: Record;

UNESCO. International Day of Mathematics. Disponível em: https://www.unesco.org e

IBGE. Estatísticas de gênero no Brasil. Disponível em: https://www.ibge.gov.br

MÁRCIA STOCHI




















-Atua há 34 anos na docência, sendo que destes 27 são no ensino superior;

- Bacharel e Licenciada em Matemática Pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1993);

- Mestra em Educação pela Pontifícia Universidade católica de São Paulo  (2003) ; e

- Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade católica de São Paulo (2016).

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

sábado, 25 de abril de 2026

Como a Inteligência Artificial, a Realidade Imersiva e a Análise de Dados estão transformando o Futuro da Educação


 ©️2026 Adriano Soeiro Pino

A educação está passando por uma das maiores transformações da sua história. Impulsionada pelo avanço tecnológico, a forma como aprendemos e ensinamos está deixando de ser padronizada para se tornar cada vez mais personalizada, interativa e orientada por dados.

Nesse novo cenário, três forças se destacam como protagonistas: a inteligência artificial, as tecnologias imersivas e a análise de dados. Juntas, elas não apenas modernizam o ensino, mas redefinem completamente a experiência de aprendizagem.

Vamos iniciar pela estrela do momento, a inteligência artificial já deixou de ser um conceito futurista para se tornar uma ferramenta presente no cotidiano educacional. Hoje, ela atua como uma espécie de "mentor digital", capaz de acompanhar o progresso do aluno e oferecer suporte personalizado, como por exemplo a plataforma Geekie one, que atualmente compõe o portfólio de produtos da Arco Educação.

Plataformas educacionais utilizam IA para corrigir atividades automaticamente, sugerir conteúdos e adaptar exercícios ao nível de cada estudante. Além disso, a partir dos dados gerados pelo próprio desempenho do estudante no ambiente digital, é possível identificar as disciplinas e respectivos conteúdos os quais o aluno apresenta dificuldade. Isso permite que o aprendizado deixe de ser uniforme e passe a respeitar o ritmo individual.

Não se trata de substituir o professor, mas sim ampliar e otimizar sua capacidade de atuação. Enquanto a tecnologia cuida de tarefas operacionais e análises, o educador pode focar no desenvolvimento humano, no pensamento crítico e no acompanhamento mais próximo dos estudantes.

Com relação ao aprendizado imersivo, este oportuniza que o aluno vivencie os conceitos apresentados. Se a inteligência artificial personaliza o ensino, as tecnologias imersivas o tornam mais envolvente. Recursos como realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR) e simulações digitais permitem que o estudante deixe de ser um espectador e passe a ser protagonista do próprio aprendizado.

Hoje, já é possível realizar experimentos em laboratórios virtuais, explorar o corpo humano em 3D ou visitar museus e locais históricos sem sair da sala de aula. Plataformas como o PhET oferecem simulações interativas em áreas como física e química, enquanto ferramentas como o Google Arts & Culture permitem "viagens digitais" por museus ao redor do mundo.

Essas experiências aumentam o engajamento e facilitam a compreensão de conteúdos complexos, especialmente quando o aprendizado envolve prática e visualização. Além disso, quando combinadas com a IA, essas tecnologias podem se adaptar em tempo real ao comportamento do educando, criando experiências ainda mais personalizadas.

No entanto, por trás de toda essa transformação está o uso estratégico de dados. A cada interação do estudante, ou seja, respostas, tempo de execução, erros e acertos, são geradas informações valiosas sobre o processo de aprendizagem em que este aluno se encontra.

Esses dados permitem identificar dificuldades precocemente, logo se um estudante apresenta erros recorrentes em determinado tema, o sistema pode sugerir revisões específicas antes que o problema se agrave, inclusive elaborando o material e exercícios que passarão pela curadoria docente e oportunamente ser aplicado.

Além disso, o ensino pode ser ajustado em tempo real. Alunos que avançam rapidamente recebem desafios mais complexos, enquanto aqueles com dificuldades recebem apoio adicional. Dessa forma, o aprendizado deixa de ser baseado na média da turma e passa a ser individualizado.

Outro ponto importante é o monitoramento contínuo, pois em vez de depender exclusivamente de provas, o desempenho pode ser acompanhado ao longo de toda a jornada, por meio de atividades, quizzes e interações digitais.

Para os professores, isso representa uma mudança significativa, pois eles passam a ter acesso à dashboards e relatórios, os quais permitem identificar estudantes em risco, ajustar estratégias e tomar decisões pedagógicas mais precisas.

O uso da tecnologia, bem como a análise dos dados obtidos durante o processo educacional, também está transformando a forma de avaliar. As chamadas avaliações inteligentes utilizam o mesmo aparato tecnológico para tornar o processo mais dinâmico, contínuo e eficiente. Como por exemplo, Plataformas como a Khan Academy utilizam avaliação adaptativa, ajustando automaticamente o nível de dificuldade das atividades com base no desempenho do aluno. Já soluções como a Geekie, no Brasil, criam trilhas de aprendizagem personalizadas a partir da análise de dados.

Ferramentas simples, como o Google Forms, também permitem correção automática e feedback imediato, enquanto plataformas mais avançadas, como a DreamBox Learning, utilizam inteligência artificial para analisar milhares de interações e adaptar o ensino em tempo real. Esse modelo reduz a ansiedade associada às provas tradicionais e transforma a avaliação em parte integrante do processo de aprendizagem.

Mas como essas inovações convergem na educação? O verdadeiro potencial delas está na integração entre tais recursos e capacidade docente de analisar e avaliar o resultado obtido. A inteligência artificial depende de dados para funcionar com precisão, enquanto os dados são gerados a partir das interações dos alunos nos ambientes imersivos. Ao mesmo tempo, experiências imersivas se tornam mais eficazes quando são personalizadas por IA. O resultado é um ecossistema educacional inteligente, capaz de oferecer um aprendizado adaptativo, envolvente e altamente eficiente.

Nesse novo cenário, o papel do professor também se transforma, ele assume a função de curador de conteúdo, mediador, orientador e facilitador do aprendizado. Com o apoio da tecnologia, o educador ganha mais tempo para desenvolver habilidades socioemocionais nos estudantes estimular o pensamento crítico e criar conexões mais significativas com o conteúdo.

No entanto, apesar dos avanços, essa transformação traz desafios importantes. O acesso desigual à tecnologia ainda é uma realidade, o que pode ampliar as desigualdades educacionais. Além disso, questões como privacidade de dados, formação de professores e o uso equilibrado das ferramentas precisam ser cuidadosamente consideradas.

A tecnologia, por si só, não resolve os problemas da educação, mas é o uso consciente e estratégico que faz a diferença. Mas um cenário se constrói: o futuro da educação aponta para um modelo cada vez mais personalizado, híbrido e contínuo. O aprendizado deixa de estar restrito à sala de aula e passa a acompanhar o indivíduo ao longo de toda a vida.

Neste contexto, a Inteligência artificial, tecnologias imersivas e análise de dados não são apenas tendências, mas pilares de uma nova forma de aprender. Mais do que adotar essas ferramentas, o grande desafio será utilizá-las com propósito, garantindo que a tecnologia esteja a serviço de uma educação mais humana, inclusiva e eficaz.

REFERÊNCIAS

Khan Academy. Disponível em: https://pt.khanacademy.org;

Geekie. Disponível em: https://www.geekie.com.br;

PhET Interactive Simulations. 

Google Arts & Culture. Disponível em: https://artsandculture.google.com;

Google Forms. Disponível em: https://forms.google.com;

DreamBox Learning.
Disponível em: https://www.dreambox.com;

Universidade de São Paulo. Portal de Educação Imersiva. Disponível em:

Google Earth VR. Disponível em: https://earth.google.com

ADRIANA SOEIRO PINO













  • Graduação em Letras - Português e Inglês pela Universidade Cidade de São Paulo (1989); 
  • Graduação em Pedagogia - Faculdades Integradas de Guarulhos (1991);
  • Mestrado em Educação pela Universidade Nove de Julho (2012);  e 
  • Doutorado em Educação pela Universidade Nove de Julho (2017). 
  • São suas palavas:
  • Com uma trajetória de mais de duas décadas dedicadas à educação, ampla experiência em diversos setores educacionais. Atualmente, atuo na FGV como Supervisora do Programa socioeducativo - Programa Superação. 
  • Além da experiência como docente e gestão escolar,sou movida pela busca contínua de melhorias no processo de ensino aprendizagem e pelo compromisso com a formação integral dos educandos.
Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

sábado, 18 de abril de 2026

Livros e projetos são os caminhos para formar leitores e cidadãos

 


©️2026 Maria Cristina Tófoli



Quem aí já ouviu a frase: "eu adoro livro de historinhas" ou "vamos ler um livrinho de historinha antes de dormir?" Pois é, mais que livros de historinhas, livros paradidáticos e com temas contemporâneos facilita o ensino, tornando os alunos mais conscientes, críticos e preparados para os desafios do mundo atual. Sabemos que leitura tem um papel fundamental na formação dos alunos, e vai muito além da aprendizagem escolar. Quando o aluno compreende o contexto dos textos que lê, ele desenvolve habilidades cognitivas e competências essenciais para a vida adulta.

A utilização de livros paradidáticos no ambiente escolar tem se mostrado uma estratégia extremamente relevante e eficaz para o processo de ensino, e quando a leitura se torna um projeto pedagógico, facilita ainda mais a compreensão e desperta maior interesse por ler, pelas atividades e pelo conhecimento.

Ao trabalhar leitura e projetos temáticos como sustentabilidade, diversidade, tecnologia, saúde mental, socioemocional, cidadania e outros, o professor traz o aprendizado mais perto da realidade. Os alunos passam a enxergar sentido no que estudam, desenvolvendo competências e habilidades essenciais para a vida em sociedade, além de contribuir na formação de leitores mais autônomos e motivados.

A leitura aplicada de forma intencional deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma experiência prazerosa. Ela estimula a curiosidade e a imaginação. Existem hoje no mercado diversos livros que despertam a atenção dos alunos, fazendo com que, a cada página lida, surja a vontade de descobrir o que vem a seguir, e isso é simplesmente fantástico.

É encantador ver o aluno envolvido em um projeto de leitura, contando a história com entusiasmo, vibrando com os acontecimentos e se conectando com o tema, e momentos assim mostram o verdadeiro poder dos livros em sua formação.

Entendemos que o papel do professor para despertar o gosto pela leitura nos alunos é, muitas vezes, árduo e desafiador. Exige dedicação, criatividade, paciência e sensibilidade para compreender os interesses e as necessidades de cada um. Por isso, é tão importante criar conexões entre o aluno e o texto, oferecendo estratégias diversas que envolva, motive e transforme a experiência de aprender. E não se trata apenas em aprender a ler, mas de criar e apreciar o ambiente que valorize o hábito de ler.

Mesmo diante das dificuldades, o papel do professor é fundamental, pois é ele quem planta as primeiras sementes do interesse pela leitura, capazes de transformar o percurso escolar de seu aluno. Sempre que possível reforço aos grupos de professores que não devem perder a oportunidade de desenvolver projetos vinculados a um livro, pois são experiências ricas, concretas e significativas.

Outro ponto interessante na prática do projeto de leitura é a facilidade de integração do tema em diferentes disciplinas. Um único livro pode servir como base para discussões em diversas áreas promovendo uma aprendizagem mais integrada e dinâmica.

Ao longo de quase 30 anos de atuação em escolas e editoras, desenvolvi inúmeros projetos de leitura envolvendo livros e temáticas com a intenção de agregar valor significativo ao aprendizado. Nesses projetos, a leitura não se limitava somente ao prazer, mas se ampliava para a reflexão crítica sobre os temas abordados. Havia também uma escuta atenta dos alunos, valorizando suas vivências e histórias reais, o que tornava o processo ainda mais próximo da realidade.

Além disso, eram propostas e atividades relacionadas às narrativas, com o objetivo de desenvolver além do pensamento crítico, a busca por soluções, bem como a compreensão de valores essenciais, como respeito, solidariedade, empatia, convivência etc.

Entre as atividades desenvolvidas, destacavam-se fichamentos de leitura, indicações de livros com justificativas, produção e exposição de cartazes, encenações teatrais, assembleias, jogos de tabuleiro, desenhos, produção da escrita de um novo livro, ações sociais, entre outras. Quando planejadas de forma intencional, essas práticas podem, inclusive, compor nota/pontos nas avaliações dos alunos em diferentes áreas do conhecimento, de acordo com a temática trabalhada.

Ao longo de muitos anos trabalhando com Projetos Educacionais e sempre apoiando professores, desenvolvi uma compreensão profunda das necessidades da sala de aula. Com base nessa experiência, a convite, iniciei este ano a escrita de livros paradidáticos para uma editora, buscando ir além do conteúdo destinado aos alunos.

A minha maior preocupação nessa transição de carreira não foi apenas a escrita do livro, mas sim oferecer um material completo ao professor, que incluísse atividades desafiadoras para os alunos e, ao mesmo tempo, um suporte ao professor em sua prática pedagógica. Todo esse material foi estruturado de acordo com as diretrizes da BNCC, garantindo qualidade, praticidade no trabalho docente, além de contribuir para uma aprendizagem mais alinhada às demandas atuais.

Tenho profunda admiração e respeito pelos professores e sou grata por ter feito parte da trajetória de muitos deles ao longo de minha carreira. Também compartilho que, minha maior paixão sempre foram os projetos de leitura, ver a alegria do professor ao meu lado, expondo seu projeto e vibrando com cada etapa que ainda estava por vir, era o que mais me realizava.

Talvez seja justamente esse vínculo afetivo e profissional que me motive a escrever materiais que não se limitem apenas ao aluno, mas que também ofereçam suporte ao professor, com recursos pensados para ambos. No fim, um Projeto de Leitura ganha força na prática e nas mãos do professor.

É ele quem cria pontes entre o texto e a vida, despertando sentidos, reflexões e possibilidades. É assim que o livro deixa de ser apenas conteúdo e se torna uma experiência que toca, marca e transforma.

MARIA CRISTINA TOFOLI














Graduada em Magistério com especialização em Educação Infantil/Pedagogia.

São suas palavras:

"Com quase 30 anos de experiência na área de Educação construi minha história,atuando em diversas frentes como professora, coordenadora e assessora pedagógica na rede pública e privada bem como em editoras.
Meu trabalho sempre se pautou na busca pela qualidadde de ensino, no desenvolvimento de projetos inovadores e no fortalecimento do vínculo entre escola,aluno e família".

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores