©️2026 Márcia Stochi
A Matemática contribui para o desenvolvimento científico e tecnológico da sociedade contemporânea. Apesar disso, ainda é frequentemente percebida por estudantes como uma disciplina abstrata e distante da realidade. O estudo da História da Matemática nos ajuda a desmistificar a sensação de que estes conhecimentos estão desvinculados ao desenvolvimento da humanidade e a criação de dias comemorativos dessa ciência pode contribuir com essa divulgação.
A história dessa ciência nos apresenta vários momentos significativos sobre sua contribuição no desenvolvimento da tecnologia, com a aplicação de seus conceitos em situações reais.
Por volta do século III a.C. as Invenções de Arquimedes defenderam a Ilha de Siracusa da invasão Romana, utilizando máquinas de sua criação como: catapultas de longo alcance; guindastes mecânicos capazes de virar embarcações inimigas; sistemas de lançamento de pedras e projéteis. Tais invenções retardaram a entrada do exército romano na ilha.
No século XVII o matemático Blaise Pascal, ainda jovem, criou a Pascalina, considerada uma das primeiras calculadoras mecânicas da história. Seu objetivo era ajudar seu pai que trabalhava na arrecadação de impostos e realizava longos cálculos manualmente.
No século XIX George Boole desenvolveu a álgebra Booleana que utiliza valores binários (0 e 1), símbolos algébricos (+ e x) e conceitos lógicos como verdadeiro e falso. A álgebra de Boole tornou-se fundamental para a computação moderna, sendo a base lógica utilizada pelos computadores atuais.
No século XX, durante a Segunda Guerra Mundial, o matemático Alan Turing trabalhou para decifrar as mensagens secretas enviadas pelas forças nazistas alemãs. Essas mensagens eram codificadas pela máquina Enigma, utilizada pelos nazistas. A Enigma era extremamente complexa para a época, pois havia milhões de possibilidades de codificação. Para quebrar esse sistema, Turing desenvolveu uma máquina capaz de testar rapidamente combinações possíveis da Enigma. O equipamento acelerava enormemente o processo de decodificação das mensagens militares alemãs. Seu trabalho permitiu aos aliados descobrir informações estratégicas reduzindo significativamente a duração da guerra. Apesar de sua enorme contribuição científica, Turing sofreu perseguição por ser homossexual.
Os fatos narrados de modo sucinto, buscam ilustrar a contribuição que a matemática fornece a sociedade. A criação de dias comemorativos ligados à Matemática possui importante papel cultural, educacional e científico. Essas datas ajudam a divulgar o conhecimento matemático, valorizar pesquisadores e incentivar estudantes a perceberem a Matemática como parte da vida cotidiana trazendo mais jovens para o estudo dessa ciência. O Brasil apresenta carência desses profissionais.
O Dia Nacional da Matemática foi instituído oficialmente no Brasil em 2013. A escolha do dia 6 de maio é em homenagem ao educador e escritor Malba Tahan, conhecido por popularizar a Matemática de forma lúdica e acessível. Malba Tahan é o heterônimo de Júlio César de Mello e Souza que criou o personagem fictício "Malba Tahan", como estratégia literária para tornar suas histórias mais atrativas para os leitores da época. Sua obra mais conhecida é O Homem que Calculava, publicada em 1938. O livro mistura literatura, raciocínio lógico e problemas matemáticos contextualizados em aventuras no Oriente Médio. A proposta inovadora aproximava a Matemática da imaginação, da criatividade e do cotidiano. Malba Tahan defendia um ensino menos mecânico e mais humano da Matemática. Criticava métodos baseados apenas na memorização.
O Dia Internacional da Matemática é comemorado em 14 de março e foi oficializado pela UNESCO em 2019. A data coincide com o tradicional Pi Day, celebrado em diversos países porque a escrita da data no formato norte-americano (3/14) remete aos primeiros dígitos do número π. O número π representa a razão entre o comprimento de uma circunferência e seu diâmetro. Trata-se de uma constante matemática irracional e infinita.
Buscando uma valorização feminina no mundo científico, com o objetivo de atrair mais mulheres para a ciência, foi criado em 2019 O Dia Internacional das Mulheres na Matemática pelo Comitê Internacional de Mulheres Matemáticas.
Essa homenagem busca a valorização da mulher não apenas na matemática e na ciência, mas também sua valorização social. Além da violência física, as mulheres enfrentam desigualdades econômicas e profissionais. No mercado de trabalho brasileiro, ainda existem diferenças salariais significativas entre homens e mulheres, mesmo quando possuem escolaridade semelhante ou ocupam funções equivalentes. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que mulheres recebem, em média, salários menores que os homens. Mesmo com avanços educacionais, já que as mulheres brasileiras possuem, em média, maior escolaridade do que os homens, a desigualdade de renda e oportunidades ainda persiste.
No campo científico e matemático, essas barreiras históricas também aparecem. Muitas mulheres tiveram suas contribuições invisibilizadas ao longo da história da ciência. A ampliação da participação feminina no mundo científico é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
O Dia Internacional das Mulheres na Matemática é celebrado em 12 de maio em homenagem a data de nascimento da matemática iraniana Maryam Mirzakhani. Ela se tornou uma das matemáticas mais importantes do século XXI e foi a primeira mulher da história a receber a Medalha Fields em 2014, considerada a maior premiação da Matemática mundial. A celebração também chama atenção para obstáculos históricos enfrentados pelas mulheres no ambiente científico, como exclusão acadêmica, invisibilidade intelectual e menor acesso a oportunidades.
Os dias comemorativos da Matemática possuem forte dimensão educacional e social. Essas datas ajudam a aproximar a Matemática da sociedade, mostrando que ela não é apenas um conjunto de fórmulas abstratas, mas uma linguagem fundamental para compreender o mundo, produzir conhecimento e transformar a realidade. Assim, os dias comemorativos da Matemática representam não apenas homenagens históricas, mas também instrumentos de incentivo à educação científica, à inclusão social e à formação de novas gerações de pesquisadores.
Referências Bibliográficas:
BOYER, Carl B. História da Matemática. São Paulo: Edgard Blücher, 1996;
TAHAN, Malba. O Homem que Calculava. Rio de Janeiro: Record;
UNESCO. International Day of Mathematics. Disponível em: https://www.unesco.org e
IBGE. Estatísticas de gênero no Brasil. Disponível em: https://www.ibge.gov.br
MÁRCIA STOCHI
- Bacharel e Licenciada em Matemática Pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1993);
- Mestra em Educação pela Pontifícia Universidade católica de São Paulo (2003) ; e
- Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade católica de São Paulo (2016).
Nota do Editor:
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