sábado, 5 de novembro de 2016

Desabafo de uma professora




Em 2009 iniciou-se uma batalha para implantar a educação profissional no Estado de Alagoas, falta de diária para os funcionários se deslocarem do interior para capital e alimentação, impediram alguns municípios de irem participar das discussões em Maceió. 

Diante de tantas dificuldades uma professora/coordenadora foi designada a participar desse processo em nome da Escola que representava uma escola com quase dois mil alunos, em uma cidade localizada no baixo sertão com o número total de 44.932 mil pessoas pelo IBGE de 2010, possui um clima quente e seco, pesando na pobreza, na falta de emprego e mão de obra qualificada, a professora saiu para capital diversas vezes em próprio veículo em busca de um novo amanhã.

Participou de diversas reuniões, realizou reuniões internas na escola em que trabalhava, fez todo levantando da estrutura da escola para registrar a escola pública estadual, pois a mesma ainda não possuía o registro no Conselho Estadual de Educação. E, para isso, foi preciso ir até a capital há 200 km de distância de sua Gerência para pegar a plotagem do projeto de construção da escola, pagou para imprimir, foi mais vez a capital para que o engenheiro assinasse o projeto para assim conseguir o Alvará na prefeitura. A própria professora deu entrada no protocolo e em seguida levou o processo de registro pessoalmente no Conselho Estadual de Educação.

Essa professora ainda fez os planos de cursos, organizou horários, fez cadastro no SISTEC, foi a demandante e ofertante de cursos na própria escola, correu em busca dos alunos para realizar inscrições nos cursos Fics do Pronatec, fez inscrições no sistema, em meio essa correria havia professor que dava risadas “isso nunca vai funcionar”, outros não ajudavam.

Por fim, em 2013 aconteceu a aula inaugural dos cursos da Educação Profissional de Alagoas na Escola Estadual de Santana do Ipanema. Com isso também a professora foi indicada como coordenadora do Pronatec na escola, aí começou uma injusta perseguição. A paz no trabalho e na vida dessa professora, acabou. Por mais que lutasse contra os perseguidores eles arrumavam um jeito de destruir suas ideias, seus projetos, suas crenças, seu trabalho. 

Em Setembro de 2014 a professora foi exonerada da coordenação do Pronatec, mesmo assim a perseguição continuou. A professora já muito fragilizada, sufocada e doente pediu licença médica para tratamento psicológico. Mesmo afastada o perseguidor a seguia nas ruas e chegou a dizer-lhes: “eu sei cada passo que você dar”. Sentindo-se ameaçada a professora pediu exoneração da função de diretora e a mudança da escola para outra distante. 

A perseguição era registrada pelo perseguidor e seus cumplices via denuncias infundadas e anônimas ao Gabinete do secretário e por sua vez gerou um processo administrativo está se alongando até a data de hoje.

Como alguém faz tamanho beneficio pra uma escola pública e fica a merecer de um professor sem limites? Sociedade como uma professora luta para melhorar a escola e chega a vivenciar uma situação dessas? É revoltante, é triste.

Por fim, em breve a professora irá dar seu depoimento em sua defesa e o agressor está impune e ileso.

Ainda assim acredito que podemos mudar o Brasil com EDUCAÇÃO.


POR FLAVIANA CORDEIRO WANDERLEI ALMEIDA


- Pedagoga - UFAL/
 - Especialista em Psicopedagogia - São Luiz/Se
 - Especialista em Gestão Escolar - UFAL 
 - Técnico em Agente Comunitário de Saúde - Uncisal (2013)
 - Auxiliar de Enfermagem – Uncisal (2000)
- Artes Plásticas/Costura/Artesã 

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