segunda-feira, 24 de março de 2025

Armandinho


 Autor: Benedito Godoy Moroni (*)

Por ter o mesmo nome do pai, o garoto era chamado de Armandinho.

Vejamos alguns fatos, ao menos curiosos, que ocorreram com ele.

Com três anos de idade Armandinho era uma criança atenta, curiosa e interessada em: descobrir coisas diferente nos passeios à chácara da família às margens do rio Sorocaba; admirar os cavalos e burros que circulavam por Tatuí e ouvir seu pai tocar violino em sua casa. Isto tinha tanta importância para Armandinho que certa ocasião, quando seu avô lhe perguntou:

- Armandinho, o que você quer de presente, quando vovô voltar da viagem a São Paulo?

A resposta da criança veio de imediato, sem qualquer titubeio:

- Um canivete vermelho (Victorinox), um burro e um violino.

Bem, nessa época Tatuí, a cidade em que ele morava, era calçada com paralelepípedos (blocos de rocha com formato mais alongados que os cubos, apoiados diretamente sobre o solo) apenas no entorno da praça da Matriz. As demais ruas eram apedregulhadas em seu leito carroçável. Em dia de chuva era um lamaçal só. Nos dias ensolarados era poeira que não acabava mais, só minoradas pelo caminhão pipa que molhava as ruas para acabar com a poeira. Para agravar, além das carroças e cavalos andarem normalmente pelas ruas, era comum atravessarem bois sob laços ou boiadas, muitas vezes resultando em fezes animais após a passagem desses animais. Com isto a cidade ficava com excrementos espalhados em suas ruas. Como se sabe, já havia o processo de transformação em adubo das fezes do boi através do curtimento e o do cavalo pela compostagem. Atualmente usa-se as fezes de boi para gerar energia elétrica depois de ser processadas em biodigestores, onde bactérias decompõem o material através da fermentação anaeróbica. Mas naquela época tais dejetos, comumente nas ruas, eram coletados e descartados no lixão da cidade. E essa coleta era feita com uma carroça da prefeitura cujo condutos ia coletando os detritos.

Roma, por sua vez, era o carroceiro da carroça pipa, puxada por dois burros. Ele conhecia a família de Armandinho e o queria muito bem. Assim, muitas vezes, com a autorização dos pais do garotinho, levava-o na boleia enquanto passava pelas ruas molhando-as. Para a criança era uma aventura, ainda mais quando se deparavam com a carroça de coleta de dejetos animais na frente da carroça pipa. Nessas ocasiões a solução era diminuir a velocidade da carroça pipa, ou mesmo parar, até que na próxima esquina a carroça para coleta de dejetos de animais saísse do caminho.

Para Armandinho, o serviço que a carroça coletora de dejetos prestava era mais interessante e curioso, do que o trabalho da carroça pipa.

Em conversa com um de seus tios, Armandinho segredou-lhe:

- Titio, eu sei falar “me” (nome) feio!

- Que nome feio você sabe, conte pro titio.

Ao que Armandinho, em tom de segredo, falou:

-Cocô de cavalo e cocô de boi.

Pouco tempo depois uma família, amiga dos pais do Armandinho, em conversa com o garotinho, por curiosidade perguntaram:

- Armandinho, o que você quer ser quando crescer?

- Eu quero ser "bosteiro" para trabalhar com a carroça e pegar os cocôs de cavalo na rua - respondeu Armandinho de pronto, sem titubear.

Riram a valer da resposta inocente dele e sempre que o encontravam, repetiam a pergunta:

- Armandinho, o que você quer ser quando crescer?

E ele respondia, invariavelmente:

- Eu quero ser "bosteiro"

Com quatro anos de idade Armandinho, sempre com a curiosidade das crianças, em um descuido da mãe, pegou o estojo de barba do pai que estava viajando.

Abriu o estojo e encontrou a navalha, o pincel, recipiente com o pincel fazer espuma de barbear, além da tesourinha para aparar bigode e barba.

O que ele não sabia é que há 30.000 A.C. os homens utilizavam para barbear-se lâminas de pedras afiadas e depois conchas afiadas. Muitos anos depois, com os objetos sendo feitos de metais, surgem lâminas metálicas. Em 1680 surge a primeira navalha na Inglaterra. No início do século XX patenteia-se o primeiro aparelho de barbear composto por duas peças: uma lâmina dupla descartável presa a um cabo reutilizável.

Armandinho como já vira seu pai barbear-se inúmeras vezes, fica em frente ao espelho do banheiro de sua casa, pega o recipiente, coloca o creme de barbear nele e com o pincel começa a fazer espuma. A seguir, quando o recipiente está com bastante espuma, com o pincel passa a espuma em seu rosto imitando seu pai.

Mira-se no espelho. Vê seu rosto, abaixo dos olhos e até o pescoço, coberto de espuma. Fica feliz, pois lembra-se que está como o pai quando este prepara-se para fazer a barba.

Em seguida pega a navalha. Olha-a com ar de segurança. Abre-a meio desajeitadamente.

Fitando sua imagem no espelho, sem camisa, leva a navalha até o rosto, mas não faz movimento algum.

Instantes depois, com firmeza e decisão, passa a navalha no rosto, puxando-a.

A lâmina penetra em sua pele, produzindo um corte profundo e longo na face, que lhe causa uma dor incrível. Ele grita pela dor que sente. O sangue escorre de seu rostinho. A espuma de branca, começa a tingir-se de vermelho. O sangue pinga no chão. Além da dor que sente, o pavor toma conta dele.

A mãe, ouvindo os gritos do filho, corre para ver o que está acontecendo. Quando entra no banheiro depara-se com Armandinho chorando, machucado, sangue por toda parte e a navalha no chão. Nem sabe direito como cuidar do caso. De imediato pega uma toalha, recobre o rosto do filho que chora e sangra.

Sem titubear, com o filho sangrando nos braços, sai em desabalada carreira com destino ao hospital da Santa Casa. Sua pressa e pavor é tanto que até erra o caminho. Corrige a rota e correndo adentra o hospital, com o filho e a toalha toda encharcada de sangue. Uma enfermeira encaminha-a à sala de curativos e o médico de plantão imediatamente atende o pequeno paciente.

O corte era profundo e requereu procedimentos urgentes e delicados. O sangue finalmente é estancado. As medicações fazem o menino ficar sonolento e mais calmo. Só então a mãe pode parar com suas lágrimas e angústias, pois seu filho já estava sob cuidados médicos, com profissionais competentes e prestativos, todos seus conhecidos.

Felizmente tudo deu certo.

Do incidente, para consolo de todos, restou apenas uma cicatriz, quase imperceptível, no rosto do Armandinho.

Crianças, como é difícil prevenir e evitar situações de perigo que muitas vezes levam a finais trágicos.

Neste caso, por sorte, ficou apenas no susto.

 

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Havia um adolescente, chamado Ibrahim, que prestava serviço à família de Armandinho quando este tinha por volta dos sete anos. Este ficou amigo dele e Ibraim, por sua vez, queria muito bem ao menino. Certo dia, para agradá-lo, resolveu fazer uma caixa de engraxate para o garotinho brincar. Era uma miniatura das caixas de engraxate que existiam, ou seja, com uma gavetinha para colocar: graxa para sapatos pretos e graxa para sapatos marrons; escovinha para passar graxa preta e escovinha para graxa marrom; escova para lustrar sapatos pretos e escova para lustrar sapatos marrons, além de paninhos para lustrar sapatos pretos e paninhos para lustrar sapatos marrons. A caixa de engraxate tinha um suporte para colocar o pé com o sapato a ser engraxado. Tudo igual às caixas que os demais engraxates tinham.

Armandinho recebeu o presente e ficou radiante.  Imediatamente começou a treinar engraxando seus sapatos e os do pai.

Certo domingo, Armandinho querendo faturar algum dinheirinho, pegou sua caixa de engraxate e, como o pai estava viajando e a mãe fora à missa, dirigiu-se à praça da Matriz para tentar engraxar algum sapato. Chegando lá, começou a oferecer seu serviço para os homens que estavam nos bancos do jardim. De início ninguém aceitou. Não demorou muito, todavia, um senhor elegante, em seu impecável terno de linho branco, camisa branca, gravata e sapatos pretos aceitou a oferta e sentou-se em um dos bancos para Armandinho começar seu serviço.

Algum tempo depois, quando a missa das 10 horas terminou, a mãe de Armandinho, Maria Tricta, persignou-se e saiu da igreja pela porta principal. Ela era muito bonita, charmosa, porte elegante e extremo bom gosto para se vestir. Seus olhos azuis resplandecentes pareciam iluminar tudo. Seus brincos de prata envelhecida, grandes e elípticos traziam pedras âmbar. Trajava um vestido feito por modista famosa de Piracicaba. O vestido era de renda marrom, comprimento balé, que terminava um palmo abaixo dos joelhos. A parte da blusa tinha um decote quadrado e a saia feita com corte godé, ou seja, com panos que pareciam não acabar mais, em viés para dar um efeito ondulado. Sapatos marrom/âmbar, com saltos finos. Nas mãos trazia um missal com capa “tartaruga”, onde havia uma plaquinha quadrada de ouro com o nome da mãe dela e um fecho dourado para mantê-lo fechado.

Ao descer os degraus da entrada da igreja, Maria Tricta viu uma rodinha e no meio dela vislumbrou seu filho, Armandinho.

Imediatamente apressou seus passos e chegou no local, onde um homem falava alto, gesticulando e parecendo bravo e irritado. Perguntou ao homem, que depois soube-se ser um viajante que estava hospedado cidade, sobre o que estava acontecendo. O homem, ainda demonstrando irritação, respondeu:

- Minha senhora, o menino perguntou-me se eu queria engraxar os sapatos. Resolvi que poderia melhorar o aspecto deles e aceitei. Enquanto ele fazia seu serviço, comecei a ler meu jornal – explicou o viajante e, exasperado, continuou:

- Quando terminou, veja só o que ele fez nas barras de minhas calças. Estão as duas manchadas de graxa e manchas enormes! E agora?

Armandinho, por sua vez, retrucava a cada argumento do viajante:

- Eu quero meu dinheiro!

- O que é isso Armandinho – perguntou Maria Tricta.

Nesse instante alguém sussurrou ao viajante que ela era a mãe do menino.

O viajante ficou sem graça e desconsertado, ainda mais por estar ante uma senhora tão educada, elegante e formosa e o agrupamento de pessoas aumentando, imediatamente tentou consertar a situação. Para tentar minimizar a situação extremamente constrangedora pela qual estava, o viajante quase gaguejando passa a mão sobre a cabeça de Armandinho, afavelmente, diz:

- Que engraçadinho esse garoto. Ele parece um menino de iniciativa e esperto.

Armandinho, na hora retruca:

- Agora sou engraçadinho, né? Mas continua não querendo me pagar, mãe!!!

 

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Armandinho acompanhava o pai, geralmente, nas idas à chácara que ficava no bairro Americana que a família tinha às margens do rio Sorocaba. Este passeio era feito no Jeep da família.

O Jeep, modelo 1948, primeiro que apareceu em Tatuí. Foi importado e custou 25 contos de réis [expressão adotada no Brasil e em Portugal para indicar um milhão de réis (Rs 1:000$000)], que hoje seriam R$ 630.000,00, financiados pelo governo estadual. O veículo veio encaixotado e com os pneus fora do carro. Foi uma novidade que agitou a cidade. Era nele que se ia à chácara.

Certo dia, Armandinho que nessa ocasião tinha sete anos, teve que acordar e preparar-se bem cedinho, quando o sol ainda nem havia nascido, isto porque seu pai iria levá-lo na chácara. No Jeep o pai dele levaria, também, vários amigos para passarem o dia na chácara. Ela contava com uma casinha de b arro, desprovida de qualquer comodidade, mas abrigo seguro em caso de precisarem esconder-se da chuva. Nela preparavam as tralhas de pesca e, era também na casinha que guardavam as tralhas após as pescarias.

Era nessa casinha que se preparava o almoço no fogão de lenha, cujo “manjar dos deuses” era arroz com frango ou arroz com suã (espinha dorsal do porco, que tem carne, osso e gordura).

Para beber, prepara-se caipirinha natural, sem gelo. Para refrescar a cerveja, logo que chegavam, enterravam-nas à sobra da laranjeira que havia na chácara, a beira do rio, as quais só eram retiradas na ora que seriam consumidas.

Algumas vezes, para animar as reuniões, ia Jair, um dos amigos da família que se fantasiava do palhaço Pipoca e atuava como ventríloquo (indivíduo que pratica a ventriloquia, a arte de falar sem mexer os lábios dando a impressão que a voz vem de outra fonte como boneco, pessoa etc., mas não de quem fala. (alguns ventríloquos usam fantoche). Ele utilizava bonecos que ficavam em seu colo.

O rio era razoavelmente piscoso. Como não utilizavam molinete nem carretilha, valiam-se de varas de bambu-verde-amarelo para pescar, pois não é qualquer um que serve para fazer uma boa vara. Um dos melhores é Tonkin (Arundinaria amabilis). Por sua vez, a linha utilizada para pescar naquela época era de codornê, que é um fio feito do puro algodão, pois não havia linha de nylon apropriada para aquelas pescarias. Essas linhas de codornê, com o passar do tempo, apodreciam e precisavam ser trocadas frequentemente.

Entre os amigos estava o padre Murari, pároco em Tatuí. Na época os padres, invariavelmente, usavam batina.

Após muita bebida à beira do rio, enquanto esperavam o almoço, acontece o imprevisto...

O padre Murari escorrega no barranco e cai no rio Sorocaba.

Todos, já um “pouco altos” pelas bebidas já ingeridas, nos primeiros instantes ficam sem saber o que fazer para tirar o padre que se debate no rio e poderia morrer afogado.

Acham um bambu e empunhando-o pedem ao padre que pegue na outra ponta. Este, ainda assustado e com a batina molhada atrapalhando, como derradeiro esforço, agarra a outra ponta do bambu. Os demais, com dificuldade começam a puxá-lo, pois a batina do padre, enxarcada, aumentava em muito o peso a ser arrastado.

Afinal, tiram o padre do rio.

Todo ensopado, teve que tirar a batina e as roupas de baixo para coloca-las ao sol para secarem. Restou ao padre enxugar-se e, enrolado em uma toalha, esperar que as roupas secassem.

Antes de almoçarem, resolvem comemorar por todos estarem vivos e bem. Para tanto, passam a “enxugar” as cervejas trazidas e as caipirinhas que eram feitas, uma após a outra, até a hora do almoço.

À tardinha, o padre com suas roupas praticamente secas, e os “pescadores” retornam à cidade, ávidos por encontrarem-se com amigos e contar-lhes as peripécias desse dia de pescaria.

Neste caso Armandinho foi apenas expectador. Entretanto, quando ele conta o acontecido, lembra-se o grande susto que passou a ocasião. Sem dúvida alguma pode-se imaginar que o susto do menino, realmente, deve ter sido grande...

 

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Armandinho e Zé Geraldo tinham oito anos e eram amigos que moravam perto um do outro. Isto permitia brincarem juntos nos momentos em que não estavam na escola.

Certo dia, depois de voltarem da escola e almoçarem, saem passear e vão até a praça da matriz, onde ficava o armazém do Ito Sá, pai do Zé Geraldo. Na frente do armazém ficava o ponto inicial da jardineira que ia para a cidade de Porangaba.

Estavam por lá quando viram Dona Joaquina, uma senhora humilde e simples, com seus seis filhos, esperando a jardineira que iria para Porangaba. Naqueles tempos jardineira era, um ônibus de modelo antigo, menor que os atuais, mas maior do que uma van, com motor na frente, parecendo um narigão. As jardineiras eram muito usadas no interior.

Os meninos entreolharam-se e foram se aproximando dos filhos de Dona Joaquina.

Quando a jardineira chegou, as pessoas da fila começaram a entrar. Quando chegou a vez de Sona Joaquina ela pagou as passagens ao motorista e entrou seguida dos seis filhos. Armandinho, juntamente com Zé Geraldo subiram juntos imediatamente após os filhos da senhora. Quem visse, pensaria que estes também eram filhos dela. O motorista, por sua vez, nem percebeu que estes dois últimos não eram filhos de Dona Joaquina, confundindo-se na contagem do bando de crianças. Continuou cobrando a passagem dos demais passageiros e, terminado o embarque, no horário estabelecido, logo após o meio dia, a jardineira partiu com seus passageiros e os dois clandestinos.

A rodovia era apedregulhada, com buracos, solavancos e muita poeira, mas para os dois moleques era uma aventura e tanto.

Algumas vezes, durante a viagem, a jardineira teve que parar várias vezes para passageiros descerem e/ou outros subirem, Neste caso o passageiro dizia até onde iria e pagava o bilhete na hora e o preço variava conforme a distância que ele utilizaria da viagem da jardineira.

Outras vezes a jardineira tinha que diminuir a velocidade por encontrar animal na via, ou manobrar para ultrapassar cavaleiros, carroças ou permitir a passagem de algum caminhão ou carroça que vinha em sentido contrário. Mas para os dois meninos, tudo era diversão.

A jardineira chega em Cesário Lange. Passageiros descem e outros sobem.  A viagem continua.

O tempo passa lentamente, todavia para os dois moleques estava valendo a pena o passeio diferente.

Nesse ínterim, as famílias dos dois começaram a ficar preocupados por eles não terem voltado para a casa para tomarem o café da tarde. Mas como isso acontecia muitas vezes, devido as crianças se entreterem em brincadeira e esquecerem-se de ir lanchar, assim as famílias não terminaram por não dar maior atenção a ausência dos meninos.

Na estrada, quando a jardineira passa por um buraco, um dos pneus estoura. Como não estava correndo, o motorista controla o veículo e para-o na lateral da estradinha. Desce, tira o estepe e o macaco. Pede aos passageiros que desçam um pouco da jardineira para ele poder trocar o pneu. Após descerem, ele coloca o macaco apoiado em um pedaço de viga que estava no bagageiro da jardineira. Inicia o trabalho afrouxando os parafusos do pneu estourado. O passo seguinte foi acionar o macaco para subir o lado da jardineira. Após elevar  o veículo, solta os parafusos, tira o pneu estourado e, no lugar deste, coloca o estepe. Parafusa e desce o veículo do macaco. Retira o macaco e o pedaço de viga, colocando-os no bagageiro. Dá o aperto final nos parafusos e guarda a chave de roda. Pede para que os passageiros voltem a seus assentos. Em seguida retorna ao volante e continua a viagem.

Para Armandinho e Zé Geraldo, tudo diferente e divertido.

Quando chegam e Porangaba, ponto final da jardineira, os passageiros descem. Entretanto como os dois moleques permanecem sentados, o motorista estranha e pergunta:

- Aqui é o ponto final. Vocês não vão descer? Sua mãe já desceu!

- Mas ela não é nossa mãe – responde Armandinho.

- Como??? E vocês são “gente” (filhos) de quem? – pergunta o motorista.

- Eu sou filho do doutor Armando, da Casa da Lavoura e do Posto de Sementes de Tatuí e ele é filho do Ito Sá, do armazém da praça da Matriz – responde Armandinho.

O motorista percebe o tamanho da confusão e não vê outra solução, a não ser levá-los de volta a Tatuí.

O motorista embarca os novos passageiros de Porangaba e inicia sua viagem de regresso a Cesário Lange e depois Tatuí. A jardineira chegou em seu destino final quando estava começando a anoitecer. Após descerem todos os passageiros, o motorista levou, de jardineira, Armandinho e Zé Geraldo para suas casas que eram uma perto da outra.

Às famílias restou agradecer ao motorista e dar uma séria reprimenda nos meninos, determinando energicamente que nunca mais eles repetissem tal travessura.

Mas isto não impediu que Armandinho e Zé Geraldo, nos dias posteriores, contassem aos amiguinhos sobre o feito histórico protagonizado por eles, sozinhos...

*BENEDITO GODOY MORONI


-Advogado, jornalista e escritor;

-Graduado em Direito  pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Universidade de São Paulo(1972); e

-Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Venceslauense de Letras. 

Nota do Editor:

Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

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