©️2026 Rodrigo Augusto Prando
Vivemos tempos de incerteza, de imprevisibilidade. Tempos líquidos, numa sociedade de risco. São muitos os cientistas sociais e analistas que observam e escrevem acerca da vida coetânea – como diria Florestan Fernandes. Retomei, dias atrás, leituras de alguns autores que se debruçam sobre a temática da incerteza. E fiz isso incomodado por uma pergunta de uma aluna, na aula da disciplina de Introdução às Ciências Sociais, que após a explicação dos conceitos fundamentais da Política, olhou e questionou: "Estamos diante do começo da Terceira Guerra Mundial, professor?".
Na frente da turma, parado, ponderei por alguns instantes e respondi: "Não sei. Talvez sim. Talvez não". Confesso, aqui, que não encontrei melhor resposta e que isso possa ter decepcionado meus alunos, contudo, foi sincera e intelectualmente honesta. Busquei em minha biblioteca, os livros que podem alicerçar uma reflexão mais profunda no que tange ao tempo vivido e suas implicações na vida social, política e econômica. Temos, assim, aqui e acolá, autores e obras que fornecem ferramental analítico, vejamos: Sérgio Abranches ("A era do imprevisto" e "O tempo dos governantes incidentais"); Marco Aurélio Nogueira ("A democracia desafiada"); Zygmunt Bauman ("Tempos líquidos"); Ulrick ("Sociedade de risco"); Anthony Giddens ("As consequências da modernidade"); e, não menos importante, Fernando Henrique Cardoso ("Xadrez internacional e social democracia" e "Crise e reinvenção da política no Brasil"). Obviamente, prezado leitor e prezada leitora, que não reli tudo isso de uma vez por conta da pergunta da jovem aluna, mas comecei a rascunhar uma ideia de artigo acadêmico mais bem fundamentado e extenso para uma publicação futura.
O século XXI não tinha completado seu primeiro quartel e já nos deparamos com eventos globais e locais: pandemia de Covid-19; guerra Rússia X Ucrânia; tentativa e julgamento de golpe de Estado no Brasil; ataque terrorista a Israel; reação bélica de Israel na Faixa de Gaza; eleição de Trump; tarifaço de Trump contra o Brasil; ameaças de Trump ao México, Canada, Groenlândia; EUA atacam e sequestram o ditador venezuelano, Nicolás Maduro; EUA e Israel atacam o Irã; guerra regional no Oriente Médio; EUA ameaçam a soberania brasileira transformado facções criminosas (PCC e CV) em organizações terroristas; eventos climáticos extremos; Inteligência Artificial moldando e mudando relações sociais, de aprendizado e profissionais. A lista seria bem maior que esta, por certo.
O Brasil e o mundo estão em compasso de espera. Do que, não sabemos. Há, como asseverou alhures Gramsci, o velho se decompondo e o novo ainda não completamente constituído. Um tempo de crise, velocidade e interregno. Trump e seu arreganho autocrático quer um mundo que se curve ao poder econômico e bélico dos EUA. China avança em todas as áreas e isso deixam os EUA temerosos. Putin começou uma guerra com estrondosa superioridade militar, mas que perdura mais do que se imaginava inicialmente. Países se alvoroçam com a escalada da violência global."
Em nosso país os níveis de assassinatos, mortes no trânsito, feminicídio, corrupção, crises institucionais, ataques à democracia e desprezo pelos valores republicanos pululam. O ano de 2026 traz em seu bojo Copa do Mundo (será?) e eleições no Brasil, ainda sob o signo da polarização, com, ao que tudo indica até agora, Lula e Flávio Bolsonaro num virtual segundo turno. Acrescente a isso tudo o escândalo do INSS, os tentáculos de Daniel Vorcaro e o Banco Master em relação aos três Poderes, quebra de sigilo do filho do Presidente Lula. Pouca coisa para nos preocuparmos?
A situação reclama a força do argumento e não o argumento da força. Há que se apostar radicalmente na democracia, nos valores republicanos e nos direitos humanos. Sem isso, a barbárie se apresenta, se ambienta e fica.
RODRIGO AUGUSTO PRANDO
-Graduação em Ciências Sociais pela Unesp - Araraquara (1999);
-Mestrado em Sociologia pela Unesp - Araraquara (2003);
-Doutorado em Sociologia pela Unesp-Araraquara (2009);
-Atualmente, é Professor Assistente Doutor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas;
-Doutorado em Sociologia pela Unesp-Araraquara (2009);
-Atualmente, é Professor Assistente Doutor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas;
-Desenvolve pesquisas e orienta nas áreas de empreendedorismo, empreendedorismo social, gestão em Organizações do Terceiro Setor, Responsabilidade Social Empresarial, história e cultura brasileira, Pensamento Social Brasileiro e Intelectuais e poder político e cenários políticos brasileiros.
Nota do Editor:
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