segunda-feira, 16 de julho de 2018

Economia Interfere no seu Voto?



Fico com essa pergunta para começar nossa conversa caro eleitor/leitor. Porque quando escolhemos um candidato a um caro eletivo, principalmente executivo, deve-se pensar em premissas básicas: uma delas é: como ele pensa em melhorar a política econômica do país? E essa pergunta deve ser feita não a curto prazo, mas a médio e longo também. Fracasso recente mostra o quanto é perigoso um "salvador da pátria" ser eleito, faz-se necessário observar o preparo da pessoa e da futura equipe. Falo isso nessa introdução porque a economia não é desatrelada da política, há legislação e programas de governo que incentivam ou desincentivam certos setores produtivos.

Brasil basicamente coloca quase todos os ovos na cesta da política econômica baseada na indústria automobilística. Não tenho nada contra, apenas uns pontos a esclarecer:

1 - Ok, produzir carros envolve uma ampla cadeia de grandes, médias e pequenas indústrias, exportação, importação e prestação de serviços. O produto final é carros na rua. Mas... temos ruas pra por tanto carro? temos motoristas habilitados/com destreza suficiente para que acidentes sejam mínimos? As leis de trânsito são feitas para reduzir velocidade/minimizar danos nos acidentes/pessoas menos hábeis para dirigir/mais carros nas ruas. Mas fica a pergunta: cada ano por mais que todos esses fatores os acidentes diminuem?

2 - Ao incentivar só um setor da economia majoritariamente, dá-se incentivos fiscais, mas como os recursos são escassos, aumenta-se impostos/diminui subsídios de áreas que todos os outros países que se preocupam com seus patrícios a longo prazo defendem a todo custo: Agronegócio. Grandes produtores versus nenhuma ajuda, fazem com que os alimentos sejam caros e as pessoas mais pobres tenham uma alimentação sem nutrientes suficientes para ter uma boa saúde, daí incentivando um malefício ainda maior;

3 - Nos países desenvolvidos a comida é relativamente bem mais barata que a nossa. Obviamente que um povo saudável, numa hora de necessidade, tenha mais chances de sobreviver (ex: guerras, esportes onde a classificação é bem melhor, entre outros). Só que isso gera um "prejuízo" no caso brasileiro. Sim, porque uma das indústrias mais prósperas no nosso país é a farmacêutica. Ou seja: alimenta-se mal, isso gera problemas de saúde, que vão ser tratados em sua maioria com medicamentos. Daí temos uma média de valorização de em média 20% ao ano, mas tem empresas que extrapolam como a imagem abaixo:

Vocês acham mesmo que com esse rendimento a indústria alimentícia realmente se preocupa em parar de colocar os aditivos químicos? Olha como mesmo na crise essas empresas faturam. Estão rindo à toa...



Agora, existem os lobistas que conseguem ter esse rendimento a custa de acordos políticos... Lembram do Wesley/Joesley Batista? Abaixo, esse índice foi conseguido, hoje notoriamente sabido, em "ajudar amigos":




Pense em pontos que "melhoram" de repente em época de eleição:

1 - empresas que prestam serviços diretos e indiretos a milhares de candidatos no país todo nos meses que antecedem a eleição fazem com que o índice de desemprego "diminua". Já observou que depois das eleições/festas de fim de ano é um primeiro bimestre difícil?

2 - O candidato do governo sempre tem mais pra mostrar, porque no ano de eleição recursos são liberados, obras "inauguram em profusão"?

3 - Índices econômicos são afetados, Bolsa e dólar oscilam conforme as pesquisas eleitorais, porque o Mercado tem viés especulativo. 

O único que pode ser "pior" é que em termos de investimento privado, há um compasso de espera. Se o candidato da "Friboi da vida" perder... mas se ganhar... salva a lavoura, então é menos investimento e quem perde são os jovens que não tem chance de novos empregos.

Concluindo: 

Você eleitor, pode e deve sim pensar bem antes de votar na próxima eleição. A maioria das ações sofre para valorizar, e se valoriza na média não atinge esses patamares facilmente. Se me perguntar em quem votar hoje, tirando o "menos ruim" sinceramente ainda não sei. Aceito sugestões e críticas para que mesmo que como formigas, possamos fazer a nossa parte, alertando que "milagre econômico" é só com o chapéu do outro. Normalmente o seu.

#vamosemfrente

POR ANA PAULA STUCCHI














-Economista de formação;
-MBA em Gestão de Finanças Públicas pela FDC - Fundação Dom Cabral;
-Atualmente na área pública
Twitter:@stucchiana


Nota do Editor:

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