sábado, 20 de agosto de 2022

A questão da evasão escolar em face da pandemia


 Autora: Maria Elizabeth Candio  (*)

É  fato incontestável o de que a pandemia afetou todas as áreas da sociedade, além da mais óbvia, ou seja, a  própria preservação da vida humana. Em se tratando da Educação, as consequências são gigantescas, destacando-se um recorde negativo que aponta para uma verdadeira devastação no ensino, neste ano de 2022, agora com todas as escolas abertas: A evasão escolar.

Com aproximadamente 290 dias de portas fechadas no decorrer do ano de 2020, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nem todos os alunos voltaram quando da reabertura das escolas em novembro de 2021.

De acordo com relatórios  da organização Todos Pela Educação, houve um aumento de 171% de alunos fora da sala de aula desde o mesmo período de 2019, sem contar a queda vertiginosa de matrículas a partir da volta às  aulas presenciais. São três os motivos principais para o advento desta triste realidade, na opinião do diretor executivo de Todos pela Educação: 1) A quebra de vínculo do aluno com a educação; 2) As lacunas de aprendizagem acentuadas por conta da pandemia; 3) A crise econômica.

-Mas, o que fazer diante deste quadro? - Seria ele irreversível?

Sabe-se que a educação vive o momento mais difícil dos últimos vinte anos, e a razão não se deve somente à pandemia, como também à falta de apoio do governo federal, que trava uma guerra de doutrinação e de eliminação do pensamento crítico dos estudantes brasileiros.

Após as demissões dos servidores do Inep, da renúncia de 114 pesquisadores do Capes e do esvaziamento do Enem, dificultando o acesso ao ensino superior, Jair Bolsonaro deverá usar o esgotamento do Banco Nacional de Itens (BNI) para impor sua visão preconceituosa e excludente da sociedade e do mundo, numa tentativa extrema de garantir o apoio dos mais conservadores para sua reeleição.

Em suma, a questão da evasão dos alunos, que poderia ser resolvida, por exemplo, com a implantação de cursos de artes, cultura e esporte, é bem provável que se prolongue muito além do que se imagina. Até porque ainda depende do resultado das eleições deste ano de 2022.

E que vença aquele que tem os melhores e mais elevados projetos para a Educação, priorizando-a , como sempre deveriam tê-lo feito.

*MARIA ELIZABETH CANDIO











-Graduada em Letras e Tradutor & Intérprete pela Faculdade Ibero -Americana (1982);

-Pós -graduada em Literatura Brasileira (1985);

-Mestre em Literatura Comparada pela USP, Universidade de São Paulo ( 2007);

-Professora de ensino superior, médio e fundamental I durante 40 anos;

- Escritora e poeta, tendo publicado os livros Canção Necessária (1986) e Ávida Vida (2020);

- Revisora da Editora Becalete;

- Membro da Academia Contemporânea de Letras, desde 2020, tendo como patronesse a escritora Clarice Lispector.

 Nota do Editor:

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