©️2026 Ubiratan Machado de
Oliveira
O debate entre Olavo de Carvalho e Alexandre Dugin aconteceu em 2011, conduzido por escrito pela internet, de março a julho. O texto foi posteriormente publicado em livro pela Vide Editorial de Campinas em 2012, sob o título "Os EUA e a Nova Ordem Mundial: Um Debate entre Alexandre Dugin e Olavo de Carvalho.
Desde então, as ideias discutidas circularam entre militares, intelectuais de direita, acadêmicos da velha esquerda e jovens conservadores seduzidos pela estética da multipolaridade; ou seja, contra os globalistas europeus e americanos, Moscou, Pequim e Nova Delhi; contra os pervertidos de Hollywood, os soberanistas religiosos e tradicionalistas russos. Dugin percebeu que uma suposta direita humilhada pela decadência cultural ocidental, implementada por seus compatriotas de esquerda, aceitaria uma solução proposta com fundamentos em Martin Heidegger, René Guénon e Julius Evola, evidenciando uma promessa de restauração dos valores ocidentais destruídos por muitas décadas de progressismo voraz.
Olavo percebeu que se tratava de uma versão rival do mesmo impulso imperial, não obstante ser uma operação ideológica perfeita. Todavia, o cerne do globalismo real não coincide com a estrutura verdadeira de uma sociedade civil. Ao sequestrar instituições, corrói tradições e governa por intermediários. Ao especificar quase tudo que foi imposto pelos multibilionários pedófilos que integram o Governo Mundial, Dugin transformou sua análise de poder em catecismo russo, fazendo daquilo que é sagrado, um recurso geopolítico. A Igreja torna-se ornamento de soberania, a liturgia, linguagem de mobilização. O filósofo russo aparenta desejar que Deus esteja sob custódia estatal, mas o impulso de dominar e controlar permanece.
Em contraposição, Carvalho rebateu Dugin com a tese dos três projetos globais de poder — o globalista, o euro-asiático e o islâmico — estabelecendo blocos capazes de competir entre si e eventualmente se unir sempre que o alvo comum fosse a destruição da civilização cristã ocidental.
Por fim, tendo em vista que os regimes totalitários jamais salvaram nações ocidentais da decadência moral e espiritual, conclui-se que a estratégia de Dugin doutrinaria as pessoas a odiar as elites dominantes no poder, e quando uma civilização já não consegue distinguir tradição de propaganda, pode muito bem substituir o atual regime ditatorial por outro ainda mais cruel.
UBIRATAN MACHADO DE OLIVEIRA
-Graduação em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira;
-Especialização em Administração de Empresas pela PUC-GO;
- Atualmente é:
-Gerente na transportadora Expresso Mineiro Ltda;
- Professor de Inglês no Manhattan English Course e na Sociedade Educacional Pré-Médico Ltda; e
- Engenheiro Assistente com acervo técnico de execução pela Construtora Mendes Júnior S/A, do Sistema Meia Ponte da SANEAGO;
-Orçamentista no IPPUA – Prefeitura de Aparecida de Goiânia;
- Analista de Correios nos Correios e
-Auditor de Controle Externo no TCM-GO.
Nota do Editor:
Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores


Nenhum comentário:
Postar um comentário