©️2026 Samuel Vaz Lima
A psicanálise em certo momento em seus estudos obteve grande avanço científico onde confirmou-se que crianças dispõe de vida sexual, revela sentimentos, ideias ou vontades por meio de palavras, gestos ou atitudes.
A masturbação acontece comumente no período de lactância e que se prolonga até o período de latência. Não é necessário dizer que não é comum ver crianças mesmo muito pequenas no ato masturbatório. No período de transição da infância para a fase adulta e durante a puberdade, a masturbação volta a acontecer com regularidade. A fase em que é menor tais atividades é o tempo de latência e é onde se percebe o declínio do complexo de Édipo das tendências que ocorrem de forma natural. Entretanto, é bom que se diga que é nesse tempo que a criança enfrenta embates em relação a masturbação, alcançando seu grau máximo de intensidade. Freud, menciona em seu livro, Inibição, Sintomas e Angústia (1926), ele declara que esse período de latência é onde também existe mais empenho, vigor buscando registir o ato da masturbação. Freud, afirma que nesse período em questão a latência a pressão do Id não sofre um rebaixamento da intensidade com se supõe, trazendo sentimento de culpa da criança em função as tendências do id aumentada.
Tal sentimento culpabilizadora incita a criança a interromper plenamente o ato masturbatório, caso o propósito tenha sido logrado amiúdes as induz a uma fobia de tocar. A investigação das fobias mostra que a tentativa de eliminar o onanismo manifesta alguns sintomas: tique que causam repressão muito grande em relação a fantasias masturbatória criando dificuldades para o período chamado de latência ao impedir a formação de um mecanismo de defesa maduro em que impulsos, desejos ou energias instintivas inaceitáveis são redirecionados para atividades construtivas, criativas e socialmente valorizadas. Ao ser liberadas as fantasias recalcadas pelo processo analítico, o infanto se volta para ações lúdicas e a criança maior aos estudos desenvolvendo a sublimações e interesses variados. Nos casos que havendo a masturbação obsessiva a cura deverá ser acompanhada de maior capacidade de um mecanismo de defesa maduro que transforma impulsos inconscientes, sexuais ou agressivos inaceitáveis em ações construtivas. Haverá continuidade da masturbação e é claro de forma mais moderado sem a obsessividade mencionada. No que se refere a sublimação é a atividade onanismo, "a análise da masturbação obsessivo e a análise das fobias de tocar conduzem ao mesmo resultado"
O declínio do conflito edípico gera habitualmente no período em que os desejos sexuais da criança diminuem, ainda que não tenham se extinguido totalmente a masturbação torna-se uma ocorrência normal no período de sua vida.
Os elementos latentes à masturbação compulsiva tem ação em outra forma de atividade sexual infantil, sendo comum a crianças pequenas terem relação entre si. Temos um exemplo a seguir que ilustrarão essa situação.
O exemplo envolve dois irmãos, Franz e Gunther, de cinco e seis anos. Foram criados em ambiente pobre, os pais se davam bem. Gunther foi enviado a análise pois notara que seu carácter era tímido e inibido e uma certa falta de contato com a realidade. Extremamente desconfiado, aparentemente sem sentimento afetivo; mas Franz era totalmente diferente, era agressivo, hiperexcitável e difícil de lidar. Eles não se davam bem quase sempre Gunther parecia ceder a seu irmão.
A análise iniciada consegue remontar essa relação; apesar de não existir culpabilidade, não ser consciente em relação a esses atos, ainda que procurassem ocultá-los existia um sofrimento sim de uma culpa no campo do inconsciente. Para o irmão mais velho que forçou-o a praticar atos contra sua vontade que compreendiam fellatio, masturbação recíproca e o toque com os dedos no ânus tinha a equivalência de castração. O processo terapêutico levantou a existência de fantasia que acompanhavam essas atividades sexuais, comprovou que não eram apenas um ataque contra seu irmão, este era a representação do pai e a mãe de Gunther unidos em relação sexual. Se percebe que tal atitude reflete a forma atenuada de suas fantasias um tanto sádicas masturbatórias referente aos pais.
Ao fazer por várias vezes á força ato sexual contra seu irmão menor, buscava garantir vitória contra o pai e também de sua mãe seus rivais. A tensão que gerava provocava um medo esmagador de seus genitores e isso impulsionava a destruí-los com ataques imaginários e o medo de que Franz o traísse insuflava seu ódio pelo irmão.
É um relato conciso da análise que revela que tais personagens vinham mantendo relações logo na primeira infância sendo interrompidas por um curto tempo, no início do período de latência.
No entanto, no decorrer essas ações foram diminuindo, tornando cada vez mais raros. Os meninos haviam deixado fellatio etc; limitando-se a visualizar seus genitais.
Uma pergunta me vem a cabeça: até onde é possível intervir, evitar? Não parece possível a evitação sem que uma causa traumática maior seja estabelecida. Tais crianças teriam que ser mantidas quase que em cativeiro observacional: mantidas sob vigilância constante e isso seria um cerceamento a liberdade e ainda que possível seriam ainda mais impulsionados a prática. Ainda que essas experiências ocasionem dano não podemos esquecer que em geral essas experiências pode ser favorável, satisfazendo a libido e ao desejo de conhecimento sexual. A esse respeito citarei uma passagem do Dr. Freud:
"A rigorosa vigilância exercida sobre a criança perde o seu valor, porque é impotente frente ao fator constitucional; além do mais, é menos fácil de ser exercida do que o imaginam os especialistas em educação e abrange dois novos riscos que não deveriam ser descuidados. Ela pode ultrapassar seu ·objetivo, favorecendo em grau exagerado a repressão sexual, o que teria um efeito ·prejudicial, e introduziria a criança na vida sem o poder de resistir às prementes demandas de sua sexualidade, que devem ser esperadas na puberdade. Permanece, portanto,. a dúvida de até onde a profilaxia na infância seria vantajosa, e .se uma mudança de atitude em face da realidade não seria um ponto .de partida melhor para a tentativa de prevenir as neuroses" .
SAMUEL VAZ LIMA
- Graduado em Psicologia Clínica pela UNESA - Universidade Estácio de Sá (2018);
- Pós Graduação em:
- Psicanálise Clinica - Nova Iguaçu/RJ(2013);
- Gestão da Aprendizagem e Educação Cognitiva, Macaé/ RJ (2019) e
- Avaliação Psicológica e Diagnóstico - Macá/RJ (2021).
- Abordagem: Psicanálise
Nota do Editor:
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