©️2026 Eli dos Reis
Todos nós sabemos que falar de Economia para nossa população, não é coisa muito fácil. Não por quem aborda este assunto, pois, aqueles que se propõe a falar sobre, normalmente têm conhecimento do assunto, fazem pesquisas e as apresentam para fundamentar seus comentários e opiniões, mas, sim, pelo lado da população de um modo geral, e no caso daqueles que busco atingir, dos eleitores da renda mais baixa.
E, já entrando no assunto que busco comentar, a economia do Brasil, a partir de 2027, o que se vê no horizonte, não é coisa lá muito satisfatória. Alguns comentaristas, e articulistas de Economia, são unânimes em dizer que, seja quem for que se eleger, seja de esquerda ou de direita, terá que adotar medidas urgentes para o sistema não colapsar, ou, ser envolvido em uma séria crise, colocando o país em situação pior que a que enfrentamos no último governo Dilma, quando o país entrou em grandes dificuldades, que obrigou o Congresso Nacional a cassar seu mandato para estancar o caos que todos nós brasileiros enfrentávamos naquela ocasião.
No caso das pessoas físicas, estamos vendo avolumarem-se os brasileiros em situação de inadimplência (dividas não negadas, mas que não conseguem ser quitadas pelos devedores), pessoas em número considerável que detém mais de uma ocupação para poder sustentar suas famílias, e, um incrível número de pessoas que não querem trabalhar e não aceitam buscar empregos porque vivem de uma ou outra bolsa qualquer que o Governo Federal instituiu para uma parcela muito grande da população (em geral eleitores do governo).
No caso dos trabalhadores e brasileiros de menor renda, os que mais sofrem com esta realidade, já vemos lá na ponta do consumo, que a realidade dos trabalhadores brasileiros é marcada pela sobrevivência financeira e pelo malabarismo de contas. Os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) confirmam a percepção das ruas: o endividamento das famílias atingiu o recorde histórico de 81,6% dos lares. Embora o número de pessoas com o "nome sujo" (efetivamente inadimplentes na Serasa/SCPC) gire em torno de 30% a 38% das famílias — com foco severo nas classes de menor renda —, o endividamento geral (ter parcelas a vencer que comprometem a renda) já atinge a esmagadora maioria da população ativa.
Para explicar um pouquinho melhor, temos a seguir, três pontos de destaque nas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores:
- A Armadilha do Cartão de Crédito: O principal vilão do orçamento familiar continua sendo o cartão de crédito, utilizado por quase 85% dos endividados. Em muitos casos, o cartão deixou de ser um instrumento de compra de bens duráveis e passou a ser extensão da renda para despesas básicas, como supermercado, farmácia e contas de consumo (água, gás de cozinha e luz). Quando o trabalhador não consegue pagar o valor total, cai nos juros rotativos, gerando o "efeito bola de neve";
- Novas Pressões Financeiras: O cenário de 2026 traz um agravante socioeconômico: o avanço descontrolado dos gastos com apostas online (bets), que têm drenado uma fatia considerável da renda disponível de trabalhadores de baixa renda, competindo diretamente com a compra de alimentos e o pagamento de dívidas;
- Vulnerabilidade Social: Entre as famílias que ganham até três salários-mínimos, o endividamento é ainda mais sufocante (passando de 84%). A renda real estagnada frente ao custo de vida faz com que mais de um terço dessas famílias atrase contas sistematicamente.
Mas isso pode piorar: para a partir de janeiro de 2027, as previsões são de que esse quadro deve piorar, o que colocará em grande dificuldade o governo do presidente que deverá assumir o país, após as próximas eleições. Seja ele de esquerda, ou seja, de direita. Pois, um ou outro, enfrentará um ano difícil, onde terá que adotar medidas que em nada satisfará a população.
Já no caso das empresas, ou seja, pessoas jurídicas, em dificuldades financeiras, o volume chega a ser brutal. Nosso país transformou-se em grande exportador de empresas para Paraguai, Uruguai e Argentina, três países que mais recebem empresários brasileiros que fogem dos elevados e inúmeros impostos estabelecidos pelos governos do partido do presidente atual.
Economistas há que alegam ser o nosso Brasil, o país com a maior carga tributária do mundo. Mas, pior que ser a maior carga tributária, é o caso destes impostos não darem em troca, melhores qualidade de vida, de saúde, segurança, educação e moradia, entre outras qualidades que são normalmente subsidiadas pelas arrecadações dos países.
O ambiente de negócios no Brasil atravessa um período de forte turbulência operacional e financeira. O principal indicador dessa crise é o patamar histórico de inadimplência corporativa, que atingiu a marca inédita de 9 milhões de CNPJ’s negativados em 2026.
Vamos ver a seguir um pequeno aprofundamento das situações por que passam as empresas:
- Micro e Pequenas Empresas (MPE’s): Representando a imensa maioria dos negócios afetados, as MPE’s sofrem com a falta de capital de giro. Com o crédito bancário caro e escasso, recorrer a empréstimos tornou-se inviável para muitos, gerando um efeito dominó de contas atrasadas. Cada empresa inadimplente carrega, em média, sete dívidas em aberto;
- Setores Mais Afetados:O setor de Serviços lidera as estatísticas de inadimplência (respondendo por mais de 55% dos casos), seguido de perto pelo Comércio. Como são segmentos altamente dependentes do consumo direto das famílias e que operam fortemente com vendas a prazo (B2B e B2C), a perda do poder de compra do consumidor bateu diretamente no caixa dessas empresas; e
- Recuperação Judicial e Falências: O custo logístico, a alta carga tributária em transição e o peso das dívidas anteriores acumularam pressões que têm levado um número crescente de empresas de médio e grande porte a reestruturações forçadas e pedidos de recuperação judicial.
Como vimos até aqui, a situação do dia a dia dos brasileiros, trabalhadores e/ou empresários, não é nada confortável, e esse fato, este desconforto tem feito grande maioria daqueles que apoiavam o governo, aqueles do famoso faz o ele (ou fazuele, na crítica das ruas). Essa situação de dificuldades tem feito o governo adotar medidas extremamente eleitoreiras, visando melhorar sua posição nas pesquisas eleitorais e tentar ser eleito para mais um mandato.
Assim; para tentar mitigar a situação de superendividamento, o país conta com iniciativas de renegociação, como o redesenho do programa Desenrola Brasil; cancelamento de impostos, definidos como importantes para a arrecadação do governo federal, quando instituídos por ele mesmo, e agora julgado dispensável nas vésperas da eleições; instituição de gás de graça para aqueles de baixa renda; entretanto, o alívio definitivo para trabalhadores e empresas ainda depende de uma flexibilização sustentável das taxas de juros e da recuperação real do poder de compra nacional.
Assim, tudo que foi comentado até aqui tem o poder de colocar em desespero o governo que quer se reeleger mais uma vez, mas que enfrenta adicionalmente mais duas situações dificílimas, qual seja o elevado número de escândalos financeiros, numa corrupção sem limites, e, o crescimento super expressivo do eleitorado evangélico, que historicamente não vota na esquerda. Assim, quanto maior o número eleitores evangélicos, maior será a fuga de votos favoráveis.
Como o objetivo deste artigo não é o de falar de eleições, e sim de aspectos atuais da nossa Economia, vou deixar a seguir, como ilustração, um quadro que mostra a evolução dos eleitores evangélicos, no período de 2005 a 2025.
Resumo Comparativo da Proporção do Eleitorado Evangélico (Estimativa)
Ano No Brasil (Proporção No Estado de SP(Proporção
aproximada)
2005 ~18% a 19% ~17%
2015 ~25% a 27% ~ 24%
2025 ~31% a 34% ~28% a 31%
Assim, como comentamos, neste segundo semestre de 2026, o cenário econômico brasileiro distancia-se das narrativas alarmistas de colapso institucional ou ideológico, mas enfrenta desafios severos e estruturais no âmbito microeconômico. A combinação de juros reais elevados e inflação persistente sobre itens básicos criou um ambiente de asfixia financeira que atinge simultaneamente o setor produtivo e o orçamento das famílias. Mas, como muitos analistas preveem situações mais complexas a partir de janeiro do próximo ano, 2027, resta a nós, brasileiros otimistas, continuar torcendo para que as próximas eleições nos tragam um novo Congresso Nacional, que junto ao novo Presidente que for eleito, consiga colocar nosso País, e nossa Economia nos trilhos.
Vamos em frente!
ELI DOS REIS
-Graduado em Economia pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da UMC-SP (1974);
-Especialista em Gestão Empresarial pela Universidade Paulista UNIP (2012);
-Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância pela Universidade Federal Fluminense (2017);
-Consultor Empresarial e de Vendas, além de Corretor de Imóveis credenciado pelo CRECI-SP;
- Presidente do Lar dos Velhos da Igreja Presbiteriana e
-Primeiro Secretário do GACC Grupo de Apoio à Criança com Câncer .
Nota do Editor:
Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.

Parabéns Eli...
ResponderExcluirVc é um expert em comentar sobre economia nacional e, já fez seu nome entre os comentaristas econômicos.
Sua visão é perfeita e não deixa dúvidas para nós leigos.
Grato pela leitura e comentário. Realmente nossa preocupação tem fundamento. Nossa população, especialmente os trabalhadores, vem enfrentando dificuldades gritantes no dia a dia, e alguns já se desesperam ao ler informações de que 2027 tende a ser pior.
ResponderExcluirGrande abraço.