Não precisa ser um economista para aferir que o Brasil se tem mostrado um anão diplomático em suas relações com os demais países, sejam eles liberais ou não e, em muitas oportunidades, preferindo a companhia de regimes autoritários, senão sanguinários, pouco ou nada se importando em dissimular as ações que evidencia com esse proceder.
Nossa diplomacia nunca esteve tão à deriva como hoje se encontra. Nosso chanceler Mauro Vieira, com suas ações desastradas, deslustra o sempre célebre Instituto Rio Branco, verdadeiro formador de homens cultos e especializados em políticas internacionais, em contornar situações difíceis ocasionadas por descuidos dos mandatários em seus discursos insultuosas ou ações melindrosas a nível internacional e não em açodá-las.
Em imensa medida isso se dá porque esse embaixador exerce o seu cargo de direito, mas não é ele quem norteia a nossa diplomacia e dá conta de política externa. Isso é feito por Celso Amorim, ex-chanceler em administrações anteriores e atual conselheiro de política externa do Brasil, o que nos remete à lembrança perniciosa e insensível da atuação de Marco Aurélio Garcia, conselheiro de política externa dos governos de Dilma Roussef .
As bazófias proferidas e os arroubos caudilhescos perpetrados pelo nosso atual Presidente demonstram, de forma cabal, o estado de indigência de nosso corpo diplomático, incapaz de orientar uma política internacional pautada pelo bom senso, pela conciliação e no trato elevado de questões relativas aos nossos interesses e à nossa soberania nacional, hoje, lastimavelmente, corrompida não por estados estrangeiros, mas sim por facções criminosas que, em muitos locais, superam o Estado, em funções que a ele, Estado, lhe são próprias.
E isso tudo acontece sempre com o aval incondicional e olhar complacente do conselheiro Amorim. Estamos na contramão da história, apoiando e aplaudindo causas equivocadas, avessas aos direitos humanos e, em grande medida, sanguinárias, aplaudindo o antissemitismo e apoiando regimes totalitários execrados por quase todos os países sérios.
Essa antinomia aos costumes, à própria ética e aos bons costumes ocidentais só encontra respostas na imensa ignorância aos princípios basilares do direito internacional, superando por uma ideologia ultrapassado e um pensamento retrógrado de tiranetes de plantão.
Fosse a questão apenas semântica, já nos situaria em uma situação incômoda. Mas ela supera a semântica e se transforma em atos concretos de bravatas inomináveis e que seriam dignas de riso, não fosse a tragédia que carregam.
A utilização política eleitoreira das relações com países de vocação liberal, procurando capitalizar para si votos populares, longe de ser uma atitude benéfica para a população a que se dirige, é capaz de, em mentes menos aquinhoadas, estimular o revanchismo e engrossar chavões histriônicos que em nada acrescentam a evolução de nossas relações com os países mais desenvolvidos e dos quais dependemos para as nossas exportações de produtos e de serviços.
Com tais atitudes, o atual governo apenas vê naufragar as relações bilaterais saudáveis, como vê crescer as múltiplas sanções aplicadas à nossa economia, causando severos estragos às nossas exportações e punindo àqueles que hoje levam o Brasil à frente na balança comercial.
É o que constato.
SERGIO LUIZ PEREIRA LEITE
-Advogado graduado pela Faculdades de Ciências Jurídicas e Administrativas de Itapetininga (1976) e
-Militante há mais de 45 anos nas áreas cível e criminal na Comarca de Tietê, Estado de São Paulo.
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