terça-feira, 20 de outubro de 2026

A população idosa e o silêncio ensurdecedor das eleições



 ©️2026 Alexandre Triches



Tenho acompanhado o debate eleitoral e me causa muita estranheza falarmos pouco, para não dizer nada, sobre políticas públicas de cuidados efetivos para a população idosa. O debate sobre este tema se restringe, unicamente, a Previdência Social, e isto é um erro incomensurável pois o Brasil está envelhecendo a passos largos.

Segundo o Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira com 60 anos ou mais passou de aproximadamente 20,6 milhões de pessoas, em 2010, para 32,1 milhões em 2022, correspondendo a 15,6% da população nacional. Embora a proporção europeia seja ainda significativamente superior, os dados brasileiros revelam um processo acelerado de transformação da estrutura etária, o que está modificando as familias e as necessidades sociais.

Precisamos dar efetividade ao Estatuto da Pessoa Idosa, que estabelece o direito a saúde, educação, cultura, esporte, lazer, trabalho, cidadania, liberdade, dignidade e convivência familiar e comunitária. Não podemos nos omitir disso, pois de nada adianta prolongar a vida, sem criar condições para que as pessoas possam envelhecer com autonomia.

Não vejo nenhum candidato, por exemplo, falar acerca da saúde bucal das pessoas idosas. Ou da implementação da política nacional de cuidados, aprovada recentemente. Estes são pontos fundamentais para o futuro do país.

Precisamos que a população idosa tenha condições de ir ao teatro, ao cinema e praticar esportes. Tenham direito à memória de vida, direitos de criar e aprender em qualquer idade. Pessoas idosas também gostam de literatura, arte e música. Inclusive as mais humildes, históricamente excluidas deste processo.

É uma pena que Daniel Vorcaro, ministros do STF e o filho do presidente Lula consigam ocupar tão facilmente o centro das nossas atenções, enquanto o envelhecimento da população permanece à margem do debate eleitoral.

ALEXANDRE TRICHES














  • Graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul -PUC/RS (2005);
  • Especialização em Direito Público pela PUC/RS(2007);
  • Mestrado em Direito Previdenciário pela PUC/RS (2012); 
  •  Doutorando pela UFSC,
  • Atualmente é especializado no Direito da Seguridade Social.advogado especializado em Previdência Social e é Professor Universitário  e autor.
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