©️2026 Ubiratan Machado de Oliveira
Esta segunda edição do livro em epígrafe publicado pela Vide Editorial merece preliminarmente uma correção: o autor de Ponerologia Política não é Andrew Lobaczewski, e sim Andrzej Lobaczewski (1921–2007), psicólogo polonês, ele não era psiquiatra. A edição publicada em inglês é de 2006 (Political Ponerology).
Lobaczewski, que viveu sob o regime comunista polonês, defendeu que regimes totalitários são dominados por uma minoria de pessoas com transtornos mentais, caracteropatas, histéricos, hipnotizadores, esquizoides e psicopatas essenciais, que compõem as camadas da superestrutura de uma patocracia. A ciência que estuda esse mal, como fenômeno macrossocial e psicológico, ele batizou como sendo Ponerologia.
Ele relata que foi perseguido, preso e teve que se desfazer de seu trabalho original, para não ser confiscado pelo regime e ser utilizado como fator agravante na sua condição de suposto dissidente político. Portanto, não há metodologia sólida nem dados empíricos verificáveis, pois os manuscritos originais foram destruídos e o texto foi reconstruído de memória. Ressalte-se que esta é a terceira versão do estudo, pois uma segunda versão bem mais antiga foi enviada ao Vaticano e aparentemente por lá extraviada ou ignorada.
O livro serve como documento histórico e testemunho de um intelectual sob o totalitarismo, e como ponto de partida para refletir sobre poder e psicopatologia. Mas não como tratado científico, pois carece de evidências empíricas que, segundo o autor, também foram destruídas juntamente com a primeira edição manuscrita, em um trabalho que reuniu quatro pesquisadores naquela época.
Lobaczewski e seus colaboradores descobriram que só uma classe de psicopatas, os essenciais, apresentam a agressividade mental suficiente para se impor a toda uma sociedade. Quando alcançam os postos de liderança, e são eles que possuem a habilidade para chegar ao topo da hierarquia, a amoralidade se espalha por toda a sociedade, roendo o tecido das relações humanas e influenciando as mentes menos ativas que vão se acostumando com o novo normal, vão se adaptando às novas regras e valores, transfigurando-se em autênticos histéricos, que não dizem o que sentem, mas passam a sentir aquilo que dizem, não raro aos gritos e berros.
O mais assustador é perceber que qualquer empenho de os chamar de volta às suas percepções reais, pode abalar de tal modo sua segurança psicológica emprestada dos líderes, que a oferta de ajuda é recebida como uma ameaça, uma agressão, um insulto, que costumam retribuir com agressividade verbal e física.
Por fim, depreende-se da leitura da obra em tela, que a patocracia corrói todo o organismo social, esgotando suas habilidades e talentos, levando a situação de colapso irreversível no longo prazo, ou até mesmo em um tempo mais curto. Porém, esse fenômeno patológico macrossocial tem cura a partir da compreensão de seus fatores etiológicos.
UBIRATAN MACHADODE OLIVEIRA
- Graduação em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira;
- Especialização em Administração de Empresas pela PUC-GO;
- Atualmente é:
- Gerente na transportadora Expresso Mineiro Ltda;
- Professor de Inglês no Manhattan English Course e na Sociedade Educacional Pré-Médico Ltda; e
- Engenheiro Assistente com acervo técnico de execução pela Construtora Mendes Júnior S/A, do Sistema Meia Ponte da SANEAGO;
- Orçamentista no IPPUA – Prefeitura de Aparecida de Goiânia;
- Analista de Correios nos Correios e
- Auditor de Controle Externo no TCM-GO.
Nota do Editor:
Todos os artigos publicados no O Blog do Werneck são de inteira responsabilidade de seus autores.


Nenhum comentário:
Postar um comentário