©️2026 Maria Cristina de Oliveira
Atualmente, o celular, o computador, o tablet e a televisão fazem parte da nossa rotina. Utilizamos esses aparelhos para trabalhar, estudar, conversar com familiares, buscar informações e nos divertir. Embora a tecnologia ofereça muitos benefícios, seu uso excessivo pode prejudicar a saúde e a qualidade de vida.
Passar muitas horas diante das telas, principalmente sem fazer pausas, pode provocar cansaço visual, olhos secos, dores de cabeça e desconforto no pescoço e nas costas. Além disso, o uso frequente do celular antes de dormir pode dificultar o sono, causando cansaço e falta de disposição no dia seguinte.
Outro problema é o sedentarismo. Quando ficamos muito tempo sentados utilizando aparelhos eletrônicos, deixamos de praticar atividades físicas e de aproveitar momentos de convivência com outras pessoas. O uso exagerado das redes sociais também pode contribuir para a ansiedade, a distração e a sensação de isolamento.
Para cuidar da saúde, é importante estabelecer limites para o uso das telas, fazer pausas regulares durante as atividades, levantar-se e movimentar o corpo. Também é recomendado evitar o uso de celulares durante as refeições e deixar os aparelhos de lado pelo menos uma hora antes de dormir.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que os adultos reduzam o tempo sedentário e pratiquem atividades físicas regularmente. Uma boa meta é realizar de 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana, respeitando as condições de saúde de cada pessoa.
Também é importante aproveitar o tempo livre para caminhar, ler um livro, conversar com amigos, estar com a família e realizar atividades ao ar livre. Ao perceber dificuldades persistentes para dormir, desconforto visual ou perda de controle sobre o uso dos aparelhos, é aconselhável procurar orientação profissional.
Quanto ao uso excessivo pelas crianças e adolescentes por celulares, videogames e redes sociais tem despertado preocupação entre famílias e profissionais de saúde. Em algumas situações, quando os responsáveis tentam limitar o tempo de uso ou retirar o aparelho, os jovens apresentam irritação intensa, gritos, ameaças e até agressões físicas contra os próprios pais.
Essas reações podem estar relacionadas à dificuldade de controlar os impulsos, à frustração diante dos limites e ao uso problemático da tecnologia. Entretanto, nem toda utilização excessiva representa um vício ou transtorno mental. É necessário avaliar cada situação, considerando o comportamento, a rotina, as relações familiares e a saúde emocional do jovem.
Os aparelhos eletrônicos oferecem estímulos constantes, entretenimento e contato com amigos, o que pode tornar difícil interromper o uso. Quando o celular passa a ocupar o lugar do sono, dos estudos, das atividades físicas e da convivência familiar, é importante observar os sinais de alerta e buscar orientação profissional.
A agressividade não deve ser considerada uma reação normal ou aceitável. Ao mesmo tempo, responder com gritos, ameaças ou punições severas pode aumentar o conflito. Os responsáveis devem procurar conversar em momentos de tranquilidade, estabelecer regras claras e combinar limites de utilização com antecedência.
Quando houver ameaças ou agressões, a prioridade deve ser a segurança de todos. É importante evitar disputas físicas pelo aparelho, manter distância se necessário e procurar ajuda profissional. Se houver risco imediato de alguém se machucar, deve-se acionar o serviço de segurança pública e a saúde.
A família pode buscar orientação em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), com profissionais de saúde mental ou em serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), quando disponíveis na região. O acompanhamento ajuda a identificar possíveis dificuldades emocionais, problemas de relacionamento, ansiedade, depressão ou outras questões que possam estar contribuindo para o comportamento.
É fundamental compreender que estabelecer limites não significa apenas retirar o celular. Também é necessário oferecer alternativas saudáveis, como esportes, passeios, atividades culturais e momentos de convivência. Os adultos devem procurar dar o exemplo, equilibrando o próprio uso das telas.
Portanto, a tecnologia não precisa ser vista como uma inimiga. O segredo está no equilíbrio de seu uso. Utilizar as telas com consciência, fazer escolhas saudáveis e valorizar as experiências fora do mundo digital são atitudes que ajudam a preservar a saúde física e mental e a melhorar nossa qualidade de vida pessoal e social.
MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA
- Graduada em Letras pela PUC Campinas (1996);
- MBA em Gestão Escolar pela USP/ESALQ (2022) e
- Atualmente é funcionária pública federal.
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